Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

UAB institui portal de recursos educacionais abertos com acesso livre 25 de julho de 2016

Filed under: Sem categoria — José Antonio Küller @ 10:14 pm

(CCS/Capes) – Revista Gestão Universitária – 25/07/2016 – Belo Horizonte, MG

Foi instituído, por meio da Portaria nº 106, de 14 de julho de 2016, o eduCapes, portal de recursos educacionais abertos com acesso livre, público e gratuito do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) e parceiros. A ferramenta é voltada para alunos e professores da educação básica, superior e da pós-graduação, que busquem materiais para elaboração de cursos ou para aprimoramento de seus conhecimentos. O lançamento está previsto para o mês de setembro, juntamente às atividades comemorativas dos dez anos da UAB.

O novo portal educacional online foi idealizado a partir da expansão do acesso à internet e do uso de novas mídias pelos estudantes, resultado do processo de democratização da informação e cultura, observando ainda a necessidade de publicizar, compartilhar e disseminar os materiais educacionais produzidos nos cursos ofertados no âmbito do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), entre outros.

O eduCapes permitirá acesso a objetos educacionais de seu acervo tais como: laboratórios remotos e virtuais, jogos educacionais, ebooks, videoaulas, animações, dissertações e outros materiais de pesquisa e ensino, que estejam licenciados de maneira aberta ou sob domínio público advindos do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) e de parcerias firmadas com outras instituições ou entidades que possuem material voltados para a educação como a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), Representação do Governo dos EUA no Brasil, Fundação Lemman, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Khan Academy e o Banco Internacional de Objetos Educacionais (BIOE).

Além dos materiais disponibilizados por meio das parcerias destacadas acima, o eduCAPES permitirá o acesso às plataformas de universidades parceiras do Sistema UAB, tal como a já integrada ao Portal, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP),entre outros materiais a serem incluídos como os do Centro de Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Consórcio Cederj).

UAB

Criada em 2005, o sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) é um sistema integrado por universidades públicas que oferece cursos de nível superior para camadas da população que têm dificuldade de acesso à formação universitária, por meio do uso da metodologia da educação a distância. O público em geral é atendido, mas os professores que atuam na educação básica têm prioridade de formação, seguidos dos dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica dos estados, municípios e do Distrito Federal. Hoje, o Sistema é coordenado pela Diretoria de Educação a Distância (DED) da Capes.

Pelo sistema UAB são ofertados mestrados profissionais em rede nacional no formato semipresencial voltados a professores da educação básica nas áreas de: Matemática (Profmat); Letras (Profletras); Ensino de Física – MNPEF (ProFis); Artes (ProfArtes); e História (ProfHistória). Também são ofertados neste mesmo formato o curso em Administração Pública (ProfiAP) e em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos (ProfÁgua).

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Jovem Aprendiz Rural 16 de junho de 2016

Filed under: Sem categoria — José Antonio Küller @ 10:12 pm

Alunos de 14 a 17 anos da rede estadual de ensino estão tendo a oportunidade de participar do programa “Jovem Aprendiz Rural”, realizado pelo SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), entidade de direito privado, paraestatal, mantido pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

O projeto é realizado em parceira com a Prefeitura de Jacareí e o Sindicato Rural.

Os cursos, gratuitos, que seguem até o mês de outubro, com aulas teóricas e práticas, estão sendo ministrados na Escola Estadual Laura Augusta de Carvalho Rosas, no bairro Jamic, das 7h às 16h30.

Ao todo, 36 alunos estão participando, e, além das aulas, eles ganham almoço e lanche. O objeto do projeto é capacitar os jovens a trabalhar na agricultura, pecuária, silvicultura, aquicultura, extrativismo, agroindústria e atividades relativas à prestação de serviços, como destaca o Gerente de Agricultura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Jacareí, Adenilson Marins.

“O curso é uma oportunidade para jovens que moram em áreas rurais investirem em conhecimentos para desenvolverem trabalhos na agricultura e até ajudar suas famílias”.

 

6 de maio de 2016

Filed under: Sem categoria — José Antonio Küller @ 7:11 pm

http://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/diario-tv-2edicao/videos/t/edicoes/v/empresa-de-suzano-reune-20-jovens-para-trabalho-social-remunerado/4999160/

 

Polo Iguassu promove aula inaugural do Trilha Jovem neste sábado (7)

Filed under: Sem categoria — José Antonio Küller @ 6:46 pm

O Instituto Polo Internacional Iguassu ministrará no próximo sábado, dia 7, aula inaugural para a oitava turma do Projeto Trilha Jovem Iguassu. Será às 9h30, na Uniamérica.

 

Os 120 jovens selecionados serão recepcionados pela equipe do projeto, que explicará como será a formação deles nas turmas de Hospedagem, Turismo & Atendimento e Alimentos & Bebidas. Além disso, os novos trilheiros serão apresentados aos parceiros e apoiadores do projeto, empresários e profissionais que possam ser potenciais contratantes no momento do encaminhamento ao mercado de trabalho.

A aula também é importante porque contará com a participação dos familiares, algo determinante para o fortalecimento do vínculo com a família.

Como funciona

O Trilha Jovem Iguassu é um projeto de inclusão social e formação para o turismo executado pelo Instituto Polo Internacional Iguassu (POLOIGUASSU) desde 2006. As aulas são ministradas pela equipe do projeto no contraturno escolar, de segunda a sexta, das 8h às 12h e das 14h às 18h, no Parque Tecnológico Itaipu. No total são cinco meses de curso e 580 horas de aulas teóricas, práticas e acompanhamento profissional. Neste ano, o projeto comemorará a formação de mil jovens. (Assessoria)

 

Segunda versão da base curricular incorpora sugestões de consulta pública 4 de maio de 2016

Filed under: Sem categoria — José Antonio Küller @ 8:08 pm

Mariana Tokarnia – Agência Brasil – 03/05/2016 – Brasília, DF

O Ministério da Educação (MEC) entregou hoje (3) a segunda versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ao Conselho Nacional de Educação (CNE), que será, a partir de agora, responsável pela consolidação do documento. De acordo com o MEC, a nova versão incorporou as sugestões feitas por consulta pública e por especialistas e o conteúdo foi aprimorado. O CNE deverá apresentar, ainda este ano, a versão final, que deverá ser implementada nas escolas a partir de 2018.

A base curricular está prevista em lei, no Plano Nacional de Educação e vai fixar conteúdos mínimos que os estudantes devem aprender a cada etapa da educação básica, da educação infantil ao ensino médio. O conteúdo da base deverá preencher dois terços do currículo escolar. No restante do tempo, as redes de ensino poderão definir o que ofertar – como conteúdos regionais e atividades extras.

Maior integração

Entre as novidades no documento, estão uma maior integração do ensino médio ao ensino técnico e uma maior flexibilidade dos conteúdos a serem estudados nessa etapa, além da definição clara de competências a serem desenvolvidas na educação infantil de acordo com a idade da criança. A base curricular também incluiu e aprimorou conteúdos de gramática, literatura portuguesa e conteúdos de história antiga, como Grécia e Roma. A ausência desses conteúdos foi alvo de críticas de especialistas.

`Esta é a segunda versão, não é a versão final. Essa segunda versão soube dialogar e construir, com grande avanço, o que foi essa discussão`, diz o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. `A base [curricular] vai assegurar os direitos de aprendizagem de todos os estudantes. Vai orientar toda a política de livros didáticos, que será reestruturada a partir da base, vai incidir sobre a formação de professores e sobre as avaliações nacionais`.

Outra demanda era por maior objetividade da base curricular. Embora o segundo documento esteja maior do que o primeiro em número de páginas, o secretário de Educação Básica do MEC, Manuel Palacios, diz que o pedido foi atendido e que o acréscimo foi feito em explicações introdutórias e não em conteúdo ou objetivos de aprendizagem.

A base

A primeira versão da base curricular foi disponibilizada em 16 de setembro do ano passado. Desde então, a página ficou aberta para receber contribuições e críticas online. Foram feitas também atividades nos estados e municípios e nas escolas de educação básica. O documento foi também analisado pelos leitores críticos especialistas que escreveram pareceres sobre cada uma das áreas. Ao todo, pela internet, foram mais de 12,2 milhões de contribuições e 127 mil downloads do documento.

O documento inicial foi elaborado por um grupo de 116 especialistas, entre professores da educação básica e professores universitários. A segunda versão, consolidada a partir das contribuições, será analisada pelo CNE que conduzirá seminários nos estados e debaterá o documento antes de apresentar uma terceira versão.

A terceira versão do documento volta então ao MEC para ser homologado. As redes estaduais e municipais terão um prazo para adequar os próprios currículos e os livros didáticos terão que ser reformulados. Na prática, a base curricular começa a ser implementada nas escolas em 2018.

`Penso que o CNE tem o papel de ser guardião dos interesses estratégicos da sociedade, sobretudo quando destacamos o complexo período que a sociedade brasileira vive`, disse em discurso, após receber o documento da base curricular, o presidente do CNE, Gilberto Garcia.

Interesse do estado

Com o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff em tramitação no Senado Federal, Garcia diz que a base curricular `tem que permanecer como interesse do Estado brasileiro, acima do interesse dos governos`. Inicialmente, o MEC conduziria os seminários nos estados e somente depois enviaria uma terceira versão do documento ao CNE. Agora, os seminários serão conduzidos pelo conselho em parceria com estados e municípios.

Sob aplausos, Mercadante encerrou o discurso dizendo que não comentaria a situação política do Brasil. `É a primeira vez que não falo da minha indignação e não falo porque não vai ter golpe à Base Nacional Comum Curricular`.

 

Aberta à comunidade, escola assume papel na transformação do território 28 de abril de 2016

Filed under: Sem categoria — José Antonio Küller @ 1:27 pm

Portal Aprendiz – Revista Gestão Universitária – 25/04/2016 – Belo Horizonte, MG

Há uma velha frase, uma antiga crença, de que a educação pode mudar o mundo. Não há dúvida que o conhecimento é transformador, mas cada vez mais, experiências têm mostrado que a escola – sozinha – dificilmente conseguirá completar essa ampla e complexa tarefa. Ou como resume o educador português que vive e trabalha no Brasil, José Pacheco, em uma carta enviada a Agostinho da Silva:

“Sabias que escolas são pessoas, comunidades feitas de pessoas, que aprendem umas com as outras. E que o desenvolvimento dessas comunidades depende da diversidade de experiências das pessoas que as integram, bem como requer que todos os membros que as constituem se envolvam num esforço de participação, da produção conjunta de conhecimento, vizinho a vizinho, numa fraternidade aprendente.”

Essa compreensão também apoia um dos pilares constituintes dos Territórios Educativos: escolas que se reconhecem como agente de transformação do território. Na opinião da socióloga Helena Singer, autora da coleção Territórios Educativos, ”é importante ter uma escola que assume essa vocação e se reconhece com o território, que o vê como campo de pesquisa, currículo, lugar de estudo, que se envolve com as questões locais e propõe a ajudar na sua transformação”.

Na periferia de Natal (RN), no bairro de Felipe Camarão, a Escola Estadual Clara Camarão, tem descoberto nessa conexão uma força para transformar a realidade de seus jovens.

Desde 2003, a instituição atua em parceria com o Conexão Felipe Camarão, projeto que busca, no contato com mestres e griôs das tradições da capoeira, boi de reis, rabeca e teatro de bonecos, transformar a realidade local. “A gente trabalha nesse bairro esquecido pelo poder público e a escola tem um papel fundamental na transformação dessa comunidade. Se ela se abre, abarca as demandas e se torna um espaço, se ela consegue trazer a comunidade para dentro de si, ela vira essa gotinha de transformação no oceano, uma referência para a população”, afirma Rosângela Filgueira, gestora da Clara Camarão.

Segundo a educadora, esse trabalho da escola “mudou a visão dos jovens sobre o bairro e sobre si mesmos” e trouxe à tona saberes e culturas que antes ficavam em segundo plano na vida da comunidade. “Muita gente antes não sabia dessa riqueza dos mestres aqui nos bairros e as crianças se encantaram com isso. Elas passaram a saber deles, a procurá-los. O resultado é esse: hoje eles estão na universidade, se formando. E você fica maravilhada de ver aqueles meninos, que você viu pequenos, voltando para cá como professores. Isso é de uma riqueza sem tamanho”, se emociona a educadora.

E não é por menos: ancorada no território, a emancipação se traduz na volta desse estudante, desta vez como professor, buscando protagonizar uma nova etapa na vida de sua comunidade.

Escolas transformadoras

“A escola está cada vez mais universalizada. E por mais que reconheçamos o papel dos diferentes atores na formação de sujeitos, tem um lugar que compete à escola”, defende Ana Cláudia de Arruda Leite, diretora de Educação do Instituto Alana, que coordena o projeto “Escolas Transformadoras”, que localiza, conecta e valoriza instituições de ensino que contribuem para a transformação da realidade brasileira.

Com 12 escolas já identificadas em 6 estados do país, desde setembro de 2015, o projeto busca fortalecer a noção de que é possível interferir em realidades locais através de uma educação que se propõe transformadora. Para isso, buscam escolas que tenham em sua prática competências como empatia, trabalho em equipe, criatividade e protagonismo social. Ou seja, instituições educativas com “capacidade de tomar iniciativas para a transformação da realidade social, buscando engajamento e participação de seu entorno”.

Ana Cláudia reconhece que, mesmo em pouco tempo, o potencial de incidência dessas escolas chama atenção. “Vemos muitas escolas com o interesse forte de pensar o ‘além muro’, o diálogo com outras escolas, em se engajar em projetos que querem mudar a realidade do país”, completa. Dentre as experiências já identificadas, a gestora destaca a questão do protagonismo da comunidade, dos estudantes e de entender a educação como um ato coletivo. “Temos encontrado escolas que estão comprometidas com a emancipação, com práticas pedagógicas que fortalecem o exercício da democracia”, revela.

Força comunitária

A escola comunitária Dendê da Serra, localizada no município de Serra Grande, em Uruçuça, no litoral sul da Bahia, é exemplar dessa trajetória. Localizada em uma área de proteção ambiental, em meio a remanescentes de Mata Atlântica, a escola observou, nos últimos quinze anos, uma acelerada transformação socioeconômica, típica de locais com vocação turística. Segundo Égila Passos, gestora de comunicação da instituição, ”a região sofre com especulação imobiliária, urbanização desordenada, desconfiguração cultural de comunidades tradicionais, e com a substituição abrupta de atividades econômicas, situação que afeta as crianças diretamente”.

De vocação comunitária, a escola busca um diálogo com essa realidade para diminuir as desigualdades sociais. Partindo de uma abordagem Waldorf, a escola mistura alunos de diferentes classes sociais e orienta sua ação educativa para garantir o desenvolvimento integral do ser humano, misturando conteúdos tradicionais com habilidades diversas, tais como trabalhos manuais, arte em madeira, música, teatro, jardinagem e agricultura ecológica.

“É possível desenvolver uma ação educativa que exercite o respeito e a integração dentro da diversidade, valorizando as potencialidades, o que cada aluno traz em sua ‘bagagem’ e o que tem a oferecer. A transformação passa por colocarmos em prática essa convivência, trabalhando o diálogo fraterno, a aceitação e um entendimento saudável e amoroso do que é ser humano”, aponta Égila.

Para Ana Cláudia, esse caminho de “desenvolver ações educativas” baseadas no contexto local é imprescindível para uma formação de qualidade. “Não existe, portanto, uma escola perfeita. O que temos são aquelas que, mesmo com os desafios e fragilidades, levam adiante a necessidade de um projeto pedagógico com autoria, ou seja, construído e pensado por uma equipe, por uma comunidade e por seus estudantes como um sistema em eterna construção.”

Essa busca de uma identidade, completa ela, “caminha na contramão dos sistemas de ensino, apostilados e padronizados”. Prevista na Lei Nacional de Diretrizes e Bases (LDB), “essa autonomia, quando exercida, faz com que a escola deixe de ser um prédio e exista como um espaço vivo dentro da comunidade”.

Espaço vivo da cidade

“Eu sinto que há uma urgência, nas cidades, de pensar em espaços de troca e de convivência. E isso têm tudo a ver com pensar uma Cidade Educadora”, projeta o educador André Gravatá, que organiza há dois anos a Virada Educação. Iniciada com uma série de atividades em um final de semana no centro de São Paulo, ela tem se espalhado por todo o país, tentando dar conta desta urgência.

Apostando que tanto a escola quanto seu entorno têm muito a ganhar com a troca e aprendizado, a Virada busca ampliar os espaços socialmente legitimados para a educação. “Quando a escola abre as portas, consolidando essa mão dupla com o território, no qual tanto as pessoas entram para aprender, quanto os estudantes para sair, a educação se torna um ato transformador.”

Neste momento de descrédito com a política, acredita Gravatá, esse movimento se torna fundamental. “Quando uma aula, mesmo que seja uma aula tradicional, acontece numa praça, ela é necessariamente política, porque ela faz a pessoa em desenvolvimento perceber que ele não é só estudante: ela também é vizinho, é criança, é irmã. Ela se enxerga em sua pluralidade. E quando isso acontece, eu sinto que isso potencializa perspectivas, isso cria capacidade de intervenção não só onde elas vivem, mas também em suas vidas.”

Essa noção transborda no entusiasmo de Victhor Vieira, de 17 anos, que estuda na Escola Estadual Caetano de Campos, localizada nos arredores da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Após participar das duas edições da Virada, Victhor vê a educação com outros olhos. Assim como o espaço público que circunda a escola.

“Eu vejo que a gente não precisa ficar na escola para aprender. Na rua, a gente pode aprender diferente, na prática. Acho que a Virada mostrou que todo mundo tem algo a ensinar. Com isso, a gente acordou e viu que era capaz de fazer o que nós gostamos. Hoje, eu toco em orquestra graças à isso, graças ao André ter entrado um dia lá falando de coisas que a gente não estava acostumado”, finaliza.

 

Em formação sobre Cidade Educadora, professores exploram a pé a região da Barra Funda 6 de abril de 2016

Filed under: Sem categoria — José Antonio Küller @ 4:49 pm

Danilo Mekari – Portal Aprendiz – 05/04/2016 – São Paulo, SP

A manhã do último sábado (2/4) reservou surpresas e descobertas para os 30 professores da rede municipal de educação de São Paulo que participam do curso “Potenciais educativos do território urbano: rumo à Cidade Educadora”. A segunda etapa do curso – elaborado após meses de encontros que envolveram a Diretoria Regional de Educação Ipiranga, além de escolas, coletivos, museus e organizações da sociedade civil – uniu os temas da mobilidade urbana e aprendizagem criativa e propôs uma série de desafios aos docentes.

O primeiro: sair a pé e em grupos pelas ruas da Barra Funda, para explorar o bairro em que se encontra a EMEI Antonio Figueiredo Amaral, que sediou o encontro. O segundo: criar uma representação estética daquilo que os professores viram, ouviram e sentiram durante as “missões” realizadas nas vias públicas. O terceiro: refletir sobre as possibilidades de aprendizagem que a rua e o entorno oferecem para a escola.

Um dos proponentes da atividade, ao lado do Instituto Catalisador, o coletivo Apé – Estudos em Mobilidade apresentou o projeto “Exploradores da Rua”, que estimula crianças a descobrir os arredores de suas escola, e apontou três características essenciais da iniciativa: trabalho em equipe, cooperação e atenção.

Para ajudar os docentes nas “missões” (conhecer vizinhos, observar texturas, registrar frases escritas nos muros, encontrar tesouros, entre outras), os organizadores levaram uma série de objetos e apetrechos como lupa, binóculo, cestas, pás, lanternas e mapas da região.

Durante meia hora, seis grupos percorreram as ruas do bairro com diferentes objetivos. Conversando com vizinhos, uma turma descobriu que havia por ali uma igreja centenária e que a região tem acolhido muitos imigrantes. Outros adentraram o Atelier da Alegria, após convite do proprietário do local.

Os professores ainda puderam reparar em uma gigantesca seringueira que ocupava praticamente a totalidade de uma pequena praça dos arredores. Suas raízes disputavam espaço com uma grade quebrada. “É um lugar tão rico e simbólico que poderia receber aulas de história, geografia e ciências”, observa Paulo Magalhães, professor da EMEF Duque de Caxias. Ele afirma que semanalmente leva seus alunos a locais como o Sesc Parque Dom Pedro II, o Museu Catavento e a Câmara Municipal. “Dá para trabalhar em variados âmbitos os detalhes que existem em qualquer rua da cidade.”

A existência de árvores frutíferas foi considerada um “tesouro” pelos participantes da atividade; o lixo e entulho espalhados pelas ruas também chamaram a atenção. Ainda na paisagem, as fachadas das casas antigas em contraste com os condomínios de muros altos revelavam as mudanças no território. “O bairro está sendo engolido. Uma casa com quintal já pode ser considerada rara por aqui”, afirmou uma professora. “É uma luta inglória, mas os moradores do bairro deveriam ao menos pressionar as construtoras para deixar o espaço comum mais agradável”, exclama Paulo Santiago, da Associação Novolhar.

Ao voltar para o espaço interno da escola, os professores usaram sucatas e diversos tipos de material para criar uma representação daquilo que observaram no espaço público. A atividade impulsionou uma discussão sobre os impactos de um trabalho pedagógico construído a partir do que meninos e meninas vivenciam na cidade.

Professora na EMEI Gabriel Prestes, localizada no centro de São Paulo, Edna Monteiro apontou que “não é preciso ter biblioteca e museu para que a escola explore o território”. Os integrantes do Apé concordam. “Trabalhar em qualquer bairro faz sentido, pois todos os locais têm histórias e pessoas para contá-las”, argumentou Julia Anversa, ressaltando a necessidade de se trabalhar a cidade do jeito que ela é: um lugar de convivência e também de conflito.

O papel da família como parceira e colaboradora da escola também teve destaque durante os debates, assim como as reações e mudanças provocadas pela presença de crianças nos espaços públicos. Os educadores relataram que a aproximação realizada com mães e pais para assegurar o direito das crianças à cidade vem gerando resultados positivos. Em muitos casos, embora tenha havido resistência inicial, à medida que os familiares passaram a se envolver com a proposta educativa, estabeleceu-se a confiança necessária para que a escola incorporasse essas estratégias em seu dia a dia.

Currículo na rua

Mas como articular o que a cidade oferece com o currículo da escola? Foi essa a provocação do Instituto Catalisador, ao falar sobre aprendizagem criativa na rua para os professores. Resgatando os princípios da cultura maker, a organização falou sobre a importância de estendermos as explorações sensoriais, a diversificação de linguagens e a ampliação de espaços e tempos, elementos presentes na educação infantil, para as outras etapas de ensino.

Para Simone Lederman, é a partir dessa perspectiva que a rua emerge como ambiente significativo e propício a uma aprendizagem transdisciplinar. “Na rua, as diferentes linguagens comparecem em pleno acontecimento, sem intenções necessariamente didáticas. Natureza, topografia, palavras, textos, números, construções e manifestações artísticas convivem organicamente.”

O próximo encontro do curso “Potenciais educativos do território urbano: rumo à Cidade Educadora” acontece no dia 30/4 (sábado), na EMEI Armando de Arruda Pereira, na Praça da República, e contará com a facilitação do Movimento Entusiasmo e da UMAPaz.

 

 
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