Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

PRECE 13 de agosto de 2012

Reproduzimos hoje um posta já publicado no Blog Aprender com Poesia. O texto trata do uso do poema Prece, de Fernando Pessoa, em situações de aprendizagem criativa.

O poema Prece foi musicado por André Luiz Oliveira, juntamente com alguns dos outros poemas do livro Mensagem, de Fernando Pessoa, incluindo Padrão, já publicado neste blog.

Em situações ou dinâmicas de aprendizagem na empresa ou na escola, pode-se  optar por usar a música na interpretação de Gilberto Gil, disponível no CD Mensagem.

O poema Prece fala da possibilidade humana de renascimento, sempre presente, ainda que a situação esteja distante dos tempos áureos. Aponta a chama da vida como a condição única para novas viagens, novos projetos, novas distâncias a percorrer.

Uma leitura ou a audição da música com o acompanhamento do texto do poema é bastante pertinente nas situações de aprendizagem em que é necessário um estímulo para a mudança. Quando a descrença, ou desesperança, ameaça comprometer o desenvolvimento de uma proposta de trabalho, o poema Prece dá o toque certo e aponta o caminho para a conquista da distância possível: a que seja nossa!

O poema tem sido inserido em  dinâmicas de aprendizagem criadas pela Germinal Consultoria, para uso em empresas, escolas e órgãos públicos.

    PRECE                                       

  Fernando Pessoa

Senhor, a noite veio e a alma é vil.

Tanta foi a tormenta e a vontade!

Restam-nos hoje, no silêncio hostil,

O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,

Se ainda há vida ainda não é finda.

O frio morto em cinzas a ocultou:

A mão do vento pode ergue-la ainda.

Dá o sopro, a aragem, – ou desgraça ou ânsia –

Com que a chama do esforço se remoça,

E outra vez conquistemos a Distância –

Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Ouça o poema musicado e interpretado por André Luiz Oliveira.

Se preferir ouvir Prece na voz de Gilberto Gil, clique no link abaixo:

http://leaoramos.blogspot.com/2007/01/fernando-pessoa-gilberto-gil-em-prece.html

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Sobre os fins da educação: uma resposta 22 de outubro de 2010

Meu amigo Jarbas Novelino Barato, em seu Boteco Escola, em um post denominado Fins da Educação, me provocou. Fez uma crítica aos educadores que aderiram à chamada Pedagogia das Competências. Eu estou entre eles, segundo Jarbas.

A parte mais incisiva da crítica diz:

O movimento das competências volta-se para o mercado ou, quando mais ampliado, para a sociedade. Mas, não cuida de aspectos essenciais de como formar seres humanos melhores, mais felizes, mais capazes de fruirem cultura e arte. Ou seja, a pedagogia das competências tem um horizonte dominado por interesses da eficiência social. Com ela, a educação humanista, preocupada com formação cultural justificada por seus próprios méritos, fica esquecida ou secundarizada.

Sem questionar a minha discutível inclusão entre os que “embarcaram na pedagogia das competências“, nos comentários ao post, respondi:

Como fui provocado nominalmente cabe uma pronta resposta, embora incompleta.

A sua crítica tem uma fragilidade básica: a falta de uma definição do conceito de competência. Como o termo é polissêmico, cada um o usa de acordo com suas convicções.

No meu caso, por exemplo, o uso do conceito permite que eu afirme como competências os seguintes enunciados:

Apreciar uma obra de arte.
Elaborar uma crítica musical.
Definir e perseguir um projeto de vida.
Definir e observar um código de ética.

Veja que, asssim, parte da crítica esvanece. Ou, não? Bem, acho que a continuidade da discussão fica para aquele simpósio que aguardamos com ansiedade.


No entanto, faltou dizer que outra abordagem é possível mesmo na educação profissional, onde o risco de orientação para o mercado e para a eficiência social é maior. Na página Uma introdução a um projeto para a formação continuada de docentes, que acabamos de postar, essa posibilidade de abordagem alternativa é demonstrada. Clique aqui para acessar a página.

 

Canteiro de Flores 20 de julho de 2009

  

  

No Programa Jovem Aprendiz Rural, o Canteiro de Flores é a primeira e pode ser a mais significativa atividade do Projeto Articulador: Tornar uma Área Produtiva de Forma Sustentável. 

O canteiro de flores é um micro-cosmo, que, se ampliado, será o terreno experimental onde o projeto é desenvolvido, que, no futuro, resultará em unidades rurais sustentáveis, que, ampliadas, ajudarão na construção de uma agricultura sustentável. 

 O canteiro de flores é um símbolo e, ao mesmo tempo, a síntese de uma concepção e prática pedagógicas. 

  

Temos denominado de Aprendizagem Criativa a essa concepção e prática educativa. O excerto abaixo retirado do Manual do Instrutor do Projeto Articulador do Programa Jovem Aprendiz Rural é um exemplo concreto da Aprendizagem Criativa: 

  

A construção do Canteiro de Flores

Faça a projeção do segmento “Demônio Chorão’ do filme “Sonhos” de Akira Kurosawa. Também pode ser utilizado o segmento “Povoado dos Moinhos”, do mesmo filme. Solicite a atenção de todos para o filme.  

   

   

Ao final da projeção, abra espaço pra uma breve discussão. Interrompa-a depois de cinco minutos, mesmo sem ter havido uma conclusão.  

   

Informe que, hoje, o grupo de aprendizagem vai conhecer o terreno experimental e fazer a primeira intervenção nele: plantar um pequeno canteiro de flores. Informe os participantes que eles têm, sobre a mesa, sementes de 30 espécies diferentes de flores. Na seleção das espécies de flores é interessante escolher aquelas que possam ter uma função no equilíbrio ecológico do terreno experimental. As sementes estão identificadas por etiquetas feitas com Post-it. Cada participante deve escolher apenas uma espécie de flor.  

   

Após a escolha, cada participante deve apresentar a sua flor e dizer o motivo de tê-la escolhido. Durante as falas, os participantes devem iniciar a construção do quadro a seguir. Ele deve ser completado até o fim do Programa de Aprendizagem Rural. 

   

  

Tabela 5: Canteiro de  flores

Nome do Participante 

Espécie Escolhida 

Viva até … 

Época(s) de florada(s) 

Destino das Flores 

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

  

Aproveite o momento em que os participantes falam sobre suas escolhas e a tabela em construção como instrumentos para a memorização dos nomes dos participantes. Associar o nome do participante à espécie de flor escolhida pode auxiliar nessa tarefa.  

   

Informe aos participantes qual é o primeiro desafio da atividade do projeto: plantar a sua espécie de flor e mantê-la viva até o final do Programa, colher pelo menos uma florada e dar um destino nobre às flores colhidas. 

   

Plantio 

O plantio deve ser feito imediatamente. Para tanto, o grupo deve escolher o local do canteiro de flores. Deve preparar um ou mais canteiros, cuja área total não exceda 4 metros quadrados. A escolha do local, a preparação do solo, a divisão do espaço total, a distribuição das espécies, o plantio e os cuidados posteriores ao plantio devem ser feitos sem nenhuma interferência sua ou do coordenador. Mesmo que solicitado, não responda a perguntas, a não ser as relativas à qualidade do solo. Se perguntado, informe que o PH do solo já foi corrigido. 

   

O momento é de diagnóstico dos conhecimentos e das competências já existentes no grupo. É momento também de verificar o nível de desenvolvimento das competências para o trabalho em equipe da turma. A observação da forma de tomada de decisão em grupo, em especial o nível de consenso nas decisões grupais, é importante para subsidiar um debate mais focado a ser travado na Oficina de Trabalho em Equipe. 

   

Após o plantio, cada participante deve identificar o seu espaço no canteiro com seu nome e o nome da espécie de flor por ele escolhida. Esse é outro momento que você deve aproveitar para memorizar o nome de cada aprendiz. A partir de agora procure chamar cada participante pelo seu nome. Em caso de dúvida, pergunte o nome do aprendiz a quem você vai se dirigir ou consulte o coordenador que conhece o grupo a mais tempo. 

   

Logo depois do plantio, os participantes devem planejar os cuidados posteriores com o canteiro e, se necessário, transmitir e recomendar esses cuidados ao auxiliar responsável pelas atividades de manutenção do terreno experimental. Feito isso, convide os participantes para um breve intervalo. 

  

Observação para o coordenador 

O canteiro de flores pode ser visto como a expressão da alma coletiva do grupo e como a síntese do conhecimento previamente existente e a construir. Permite aplicar e resumir, em um pequeno espaço, todas as competências já existentes no grupo e todas as competências em processo de desenvolvimento. Quanto mais o canteiro for significativo, mais pleno de sentido, mais depositário da emoção e da afetividade do grupo, maior será a importância dele no desenvolvimento do projeto. Cada instrutor, segundo sua própria sensibilidade, em função das características do grupo, encontrará a forma de dotar de encanto e magia o pequeno pedaço de terra destinado às flores.  

  

  

O vídeo incluído a seguir, mostra, nas cenas de dinâmicas coletivas realizadas fora da sala de aula, o canteiro de flores plantado pelos jovens aprendizes rurais de Itapetininga. O canteiro de flores não é imeditamente visível e não está explicitamente no centro da cena. O símbolo é assim. O canteiro de flores está no pé da cena que o reproduz, concretiza e humaniza: uma roda de jovens de mãos dadas. O canteiro torna-se círculo: símbolo da perfeição. 

  

  

 

2001 – Uma odisséia no espaço e o processo criativo 15 de julho de 2009

 

Texto que publicamos a seguir, com pequenas alterações e sem as ilustrações, foi extraído de : Küller, J.A. Ritos de Passagem – Gerenciando Pessoas para a Qualidade. São Paulo, Editora SENAC, 1996, pg. 304 a 307. Para mais informações sobre o Livro, clique aqui.

 

 

A partir de um filme de ficção, vamos fazer uma breve leitura do processo criativo. A cena inicial do filme 2001 – uma odisséia no espaço servirá de ilustração do especial entendimento do processo criativo que será adotado aqui. A seqüência inicial do filme mostra as condições de vida de um primata. Ele é herbívoro e disputa folhas e raízes com um ruminante, parecido com a capivara. O primata é facilmente atacado e subjugado por carnívoros, contra os quais não tem defesa. Vive em bando e disputa o suprimento de água com bandos rivais. Mora em cavernas e à noite, no escuro, seus olhos brilham de medo.

Em uma manhã, um estranho monolito aparece no território dos primatas. É uma longa pedra cubiforme e polida. Uma reação, também estranha, apodera-se dos macacos. Eles são irresistivelmente atraídos para a pedra. Freneticamente, cheiram-na e tocam-na. Como fundo musical da cena, ouve-se Lux aeternea (luz eterna).

 

Corte rápido, um outro momento e uma outra cena. Um dos primatas está em frente ao monolito, olhando para ele, e, distraidamente, mexe com um osso que é parte do esqueleto de um dos ruminantes. Aparece, no horizonte, uma conjugação entre Sol e Lua. De repente, ele se agita. Passa a bater o osso, em ritmo e força crescentes, sobre o resto do esqueleto. O movimento culmina quando o osso, agora arma, esmaga o crânio descarnado da capivara. Ao mesmo tempo, o primata, agora homem, visualiza o animal ainda vivo tombando sob o golpe desferido na imaginação.

 

Da imagem ao ato. Na cena seguinte, o bando, agora projeto de tribo ou de grupo, come a carne do animal efetivamente abatido. Segue-se a conquista do bebedouro. O grupo armado enfrenta os rivais. O chefe do bando inimigo é morto e o suprimento de água é conquistado. Na euforia da vitória, um dos homens lança para cima o osso, instrumento primeiro, que, lá no alto, se transforma em espaçonave. É uma cena brilhante. Em um segundo, toda a epopéia da evolução tecnológica e humana é insinuada.

 

 

O que é dito na seqüência do filme sobre o processo criativo? Em primeiro lugar, o foco do processo é apresentado: a defesa e a obtenção de suprimentos. Todo o processo criativo é focado e limitado por um campo de aplicação que, por motivos internos, seja necessidade, desafio, paixão ou desejo, adquire uma relevância para o sujeito. As cenas iniciais de 2001 apresentam em detalhes o cenário em que o ato criativo virá à luz e a situação de impotência do primata. Numa rede de influências recíprocas tem-se, no exterior, uma área de aplicação. E no interior do homem, uma pulsão orientada, delimitada e intensificada pelo campo, assim tornado foco, como necessidade desesperada de sobrevivência, fazendo explodir a criação.

 

No filme, o criativo emerge associado a dois símbolos: o monolito e a conjunção entre Sol e Lua. O que querem dizer aí? O monolito é um objeto estranho e inexplicável no contexto em que aparece. Sua forma perfeitamente retilínea indica que a pedra foi intencionalmente recortada e polida. Naquele estágio de desenvolvimento humano, só por isso já é um objeto misterioso. A intensa atração que ele exerce sobre os primatas e a sua presença dominante no ato da criação são outras facetas de seu mistério.

 

O monolito pode ser visto como símbolo do próprio impulso criativo. O impulso e a sua origem são misteriosos como o monolito. Está além da atual compreensão humana o conhecimento da origem e natureza da criatividade. Jung denomina-a instinto. Como tal, está além da consciência e além da psique. Brota do, pertence ao e mistura-se com o mistério da vida. Para os religiosos, a criatividade brota de e está implicada com a divindade. No filme, a música Luz eterna, que acompanha o aparecimento do monolito, parece ser uma indicação nesse sentido.

 

“O instinto criativo (…). Não é um dom ou uma graça especial, um talento ou uma artimanha. É antes uma imensa energia originada além da psique humana e que impulsiona a autodedicação via um ou outro meio específico (…). Por isso, nossa relação com a criatividade favorece a atitude religiosa e nosso modo de descrevê-la muitas vezes se serve desta linguagem” (James Hillman, O mito da análise: três ensaios sobre de psicologia arquetípica, Riode Janeiro, Paz e Terra, p.41).

 

A Lua e o Sol, aparecendo juntos sobre o monolito, simbolizam a conjugação dos opostos. No irromper do criativo há uma conjugação de inconsciente e consciente. Uma agitação toma conta do primata e ao gesto inconsciente da mão, que a anuncia, soma-se o aparecimento da idéia, que brota na consciência como imagem. Uma imagem significativa dos antecedentes, da situação atual e da potencial transformação global e não como pensamento analítico. No caso, a intuição é o canal do impulso criativo para o consciente e não o pensamento. O veículo é a imagem.

 

As referências dos grandes criadores sobre o nascimento da idéia criativa parecem reforçar a preferência do impulso pelo canal da intuição. “De repente, surgiu uma luz… Quando não estava pensando mais no assunto, a idéia toda veio de súbito.” Raramente existe uma explicação clara de como a compreensão (mais que a idéia) surgiu. Raramente, ela surge a partir de uma dedução lógica. Tem uma característica de compreensão global e súbita. Surge nos momentos em que o indivíduo nem sequer está pensando no assunto. Aparece no banho, no sonho, ao acordar… Seja por meio de uma imagem significativa, de uma iluminação instantânea ou de um sonho, o impulso criativo emerge à consciência e é acompanhado de uma emoção especial.

 

O filme também retrata todo o processo de acúmulo gradativo da tensão criativa na relação entre o criador e o campo. Mostra a intensa emoção do primata durante a passagem do impulso pela barreira que separa o inconsciente do consciente. Explicita, finalmente, as emoções que sucedem a passagem: euforia e liberação. Aspectos da função consciente sentimento parecem estar presentes na intensificação do campo, na irrupção do impulso e após sua liberação. A conjugação Sol (pensamento e percepção) e Lua (sentimento e intuição) é necessária para a irrupção do criativo.

 


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Educação Expandida e Aprendizagem Criativa 26 de junho de 2009

Festival Zemos98 - Entrevista de Clara Bog

 

Temos tratado da Aprendizagem Criativa, em um conjunto de artigos ainda não concluído, como uma forma potencialmete inovadora de abordar a educação escolar.  Podemos definir a  Aprendizagem Criativa,  como uma forma de aprender que, para além da construção do conhecimento, possibilita a sua recriação no próprio momento em que ele é aprendido.

 

Em post anterior, já tínhamos constatado a necessidade de explicitar as conexões da Aprendizagem Criativa com o construtivismo e com uma determinada perspectiva escolar orientada pela construção de competências para a vida e para o trabalho. Mas, parece que isso não é o bastante.

 

Recentemente, tomamos contato com o Festival Zemos98, que aconteceu de 23 a 28 de março de 2009, em Sevilla (Espanha) e que promoveu o Simposio Educación Expandida. O Simpósio define Educação Expandida como aquela que pode acontecer em qaulquer momento e qualquer lugar. O contato com o tema do Simpósio lembrou-nos de uma outra conexão com a Aprendizagem Criativa, que hoje é necessária.

 

O termo Educação Expandida, se novo, não indica uma realidade nova. Sempre se aprendeu em todo o tempo e lugar. Mas o que sempre aconteceu adquire uma tonalidade diferente com o crescimento exponencial dos meios e das tecnologias de informação e comunicação atualmente disponíveis. Hoje, praticamente todo o conhecimento do mundo está imediatamente disponível para quem puder e souber acessá-lo.

 

No Simpósio, constatou-se que as pessoas estão inventando as metodologias necessárias para o acesso a esse conhecimento. É um processo vivo que pode ser observado mesmo nos lugares mais pobres e carentes do planeta. As pessoas não estão apenas recriando o conhecimento e apropriando-se dele. Estão também criando seus próprios mecanismos de aprender.

 
Festival Zemos98 - Oficina de Introdução ao Teatro do Oprimido

Festival Zemos98 - Oficina de Introdução ao Teatro do Oprimido

 
O mais interessante é que esta criação ocorre ao largo da escola. Esse processo implica em um crescente anacronismo da escola, não apenas em relação à transmissão da informação. Essa é apenas a face mais visível do atraso. As escolas e os professores estão ficando atrasados também em relação às formas de aprender de seus alunos, que as desenvolvem (muitas vezes em solidão) em suas casas, nas ruas (telemóveis), nas lan-houses, nos cibers-café…
 
 
Esse desenvolvimento solitário, essa auto-aprendizagem está se transformando em algo tão importante que Ronaldo Lemos, um brasileiro que participou do Simpósio, acredita que o papel da escola, hoje, nem seja o de favorecer a construção do conhecimento. Ele diz que os estudantes devem ser atraidos para compartilhar seus saberes com os professores.
 
 
Ronaldo Lemos afirma que o papel da escola deveria ser o de compartilhar: compartilhar conhecimentos, compartilhar ferramentas, compartilhar metodologias de aprender…
 
 
Fazendo uma conexão com a Aprendizagem Criativa, que julgamos necessária, diríamos que o papel da escola pode ser esse, sim. É preciso compartilhar conhecimentos, ferramentas e metodologias de aprender. Mas, é necessário que tal compartilhar aconteça em uma atmosfera que incentive, favoreça e possibilite a criação e a recriação dos saberes.
 
 
A intensificação da aprendizagem em espaços não-escolares, por outro lado, obriga pensar a educação em um contexto mais ampliado que o da escola. Esse contexto pode ser o da cidade educativa ou educadora. Mas isso já é tema para outra conversa.
 
 
Festival Zemos98 - Oficina de Fábrica Expandida
 
 
Para os interessados em aprofundar a discussão, incluímos a seguir o link para o vídeo que deu origem às reflexões anteriores.
 

Balzac.tv: Educación expandida

La educación expandida es aquella que puede suceder en cualquier momento y en cualquier lugar. Estuvimos en el ZEMOS98, en Sevilla, con Ronaldo Lemos, Jesús Martín Barbero, Brian Lamb, y Juan Freire, para que nos explicaran cómo veían la educación en la era de Internet. Y te preguntamos: ¿cómo se expande para tí la educación?

 

Criando um blog 21 de maio de 2009

Jovem Aprendiz Rual de Santa Albetina (SP)

 

O texto apresentado a seguir é um excerto do Manaul do Instrutor da Oficina de Tecnologia da Informação, do Programa Jovem Aprendiz Rural.

 

O programa foi totalmente desenvolvido pela Germinal Consultoria para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Administração Regional de São Paulo.

 

Todos os Manuais do Instrutor e as Cartilhas dos Alunos forma desenvolvidos pela Germinal. Deles já postamos alguns excertos que podem ser acessados clicando-se aqui.

 

 

Excerto: Criando um blog

santa albetina3

Pergunte se todos sabem o que é um Blog. Explique rapidamente o que é e como funciona . Oriente-os para que entrem em dois ou três Blogs para conhecerem suas possibilidades e funcionamento. Se quiserem, podem interagir (fazer comentários) com alguns deles.

 

 

Observação importante
Observe que será feito o primeiro acesso orientado do grupo à Internet. É possível que durante a exploração livre da sessão anterior, outros acessos a blogs tenham acontecido. É importante então que você tenha programado, desde o início da Oficina, restrições ao acesso a sites não desejados.

 

 

 Tão logo esteja o Blog da turma criado (isso acontecerá muito rapidamente, no máximo em 10 ou 15minutos), todas as duplas poderão entrar e começar a primeira participação. Comece escrevendo algo sobre a visita do dia anterior.

 

 

 A partir de sua postagem, peça para que cada dupla escreva sobre algum fato ou incidente interessante que aconteceu durante a visita e publique no blog. Também são bem-vindos os comentários, as dicas e as opiniões. Deve também haver espaço para brincadeiras. Uma categoria destinada a isso poderá ser criada. Enfim, o Blog deverá ir se construindode acordo com o interesse de cada turma. Estimule continuamente a alimentação do Blog. Deixe bastante livre a forma de expressão e os assuntos veiculados.

 

Ao encerrar a atividade com o Blog, peça que saiam dele e avise que todos os dias poderão entrar para ler e escrever no Blog. Se houver participantes que tenham acesso à Internet fora do Programa de Aprendizagem, eles poderão entrar e escrever no Blog, em qualquer dia ou horário. Estimule essa prática. Estimule, especialmente, que os participantes usem o Blog para trocar informações sobre o grande desafio da Oficina, apresentado a seguir.

 

 

Lançando o grande desafio da Oficina
Faça uma apresentação solene do grande desafio da Oficina de Tecnologia da Informação: o projeto de criação e realização de uma revista eletrônica. O tema básico da revista eletrônica será o desenvolvimento sustentado e a agropecuária. Colocado como questão, o tema pode ser assim enunciado: Qual o papel da agropecuária no desenvolvimento sustentado?

   

Santa albetina2Em função dessa forma de funcionamento da oficina, todos os anos, são criados muitos blogs de turmas do Jovem Aprendiz Rural .

 

Colocamos, na coluna à direita, muitos links para os blogs criados até o ano de 2008.

 

Neste mês, começaram a aparecer na blogosfera os primeiros blogs das turmas de 2009. O primeiro que encontrei foi o da turma de Santa Albertina (SP). Para acessá-lo, clique aqui.

 

Escola do futuro? 30 de março de 2009

 

Quem vai ensinar – e o quê – aos alunos do século XXI?

 

Pedro Silveira
LINKS RELACIONADOS

Por Caio Barreto Briso, Kleyson Barbosa, Luís Guilherme Barrucho e Sofia Krause

 

“Uma sala de aula com carteiras enfileiradas diante de um quadro negro. Os alunos, calados, prestam atenção no professor. Memorize esta cena: ela está com os dias contados. A entrada das novas tecnologias digitais na sala de aula criou um paradigma na educação: como tais ferramentas, que os alunos, não raro, já dominam, podem ser aproveitadas por professores que, frequentemente, mal as conhecem? As escolas têm, pela frente, um desafio e uma oportunidade. O desafio: formular um projeto pedagógico que contemple as inovações tecnológicas e promova a interatividade dos alunos. A oportunidade: deixar para trás um modelo de ensino que se tornou obsoleto no século XXI” (clique no título acima da foto para ver a matéria completa).

 

Com o título, a ilustração e o parágrafo acima incluídos, a Revista Veja, edição de 25 de março de 2009, inicia um artigo sobre a escola do futuro.

 

O que chama atenção, neste início de artigo, é a contradição entre foto e texto. A foto contradiz, ponto a ponto, o texto.

 

A sala com carteiras enfileiradas, onde alunos, calados, prestam atenção no professor, não está com os dias contados. A foto mostra que a tecnologia não muda o paradigma tradicional. O professor continua no centro da cena.

 

É verdade que os alunos podem, em suas carteiras digitais, acompanhar de perto o que está sendo apresentado na lousa digital. Podem não olhar para o professor, mas todos olham para o que ele está apresentando. No essencial, a foto mostra que nada muda. Mais que isso. A tecnologia é usada para fixar o paradigma tradicional.

 

O dispositivo arquitetônico instalado para dar suporte às telas dos computadores reforça e fixa o arranjo em auditório. As enormes bancadas fixas, criando dois níveis, impedem outros arranjos da sala. Isso dificulta o desenvolvimento de um conjunto de atividades pertinentes à uma Aprendizagem Criativa.

 

Parece que não será a tecnologia da informação que mudará um modelo pedagógico que está profundamente incrustado no “inconsciente coletivo” de nossa sociedade e de nossos educadores. A fixação em um dispositivo arquitetônico é apenas um exemplo.

 

Para aprofundar a discussão em relação à fixação dos modelos arquitetônicos, veja o artigo de meu amigo Jarbas Novelino  Barato “Prédios e equipamentos escolares ensinam”, no blog Boteco Escola.  Leiam também o post deste blog: Arquitetura escolar e Aprendizagem Criativa.

 

 
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