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Fernando Haddad: Cidade Educadora depende de políticas que enxerguem educação para além dos muros da escola 22 de outubro de 2016

Filed under: Sem categoria — José Antonio Küller @ 2:29 pm

Danilo Mekari – Portal Aprendiz – 20/10/2016 – São Paulo, SP

“A realidade é desafiadora e se transforma diariamente.” A constatação do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, serviu de introdução para uma complexa questão que perpassou a sua gestão a frente da capital paulista: o uso da cidade como território educativo.

“Tal realidade permite considerar hipóteses que até outro dia eram negligenciadas pelo poder público. Hoje, educação e cidade podem ser observadas como conceitos irmãos – é impossível pensar um sem pensar o outro”, afirmou o ex-ministro da Educação em sua participação no 2º Seminário Internacional de Educação Integral, realizado entre os dias 19 e 20/10, no centro de São Paulo.

Sob o tema “Reflexões sobre a cidade como território educativo”, Haddad e Maria Alice Setubal, presidente do Conselho de Administração do Cenpec e da Fundação Tide Setubal, teceram considerações sobre o potencial educativo do ambiente urbano, quando se apresenta como espaço de aprendizagem permanente.

“Muitas vezes, sobretudo nas metrópoles, deixa-se de perceber que crianças e jovens têm que estar em uma cidade que funcione, mas negligenciamos que uma cidade educa e deseduca”, apontou Haddad. “O tempo que crianças e jovens estão vivendo a cidade é relativamente grande, e ela pode ser organizada de forma a educar as pessoas. Isso depende de políticas públicas que enxerguem a educação para além dos muros da escola.”

Para isso acontecer, é preciso levar em conta uma ação intersetorial dos programas e políticas que incidem sobre o território, argumentou o prefeito da maior cidade do país. “A escola não pode ser sobrecarregada com tarefas que não são dela. É fundamental que seu entorno também seja um espaço educador.”

Segundo Haddad, cujo mandato termina no final do ano, há muitas maneiras de atingir este objetivo, e as ações desses quatro anos de gestão municipal sinalizavam para a ampliação deste conceito. “O gestor público municipal tem o poder de transformar a cidade e agir sob esse contexto. É muito importante que pessoas diferentes convivam no mesmo lugar: que a Avenida Paulista aberta para as pessoas receba tanto aquelas que vestem terno como as que vão de biquíni tomar sol.”

Fernando Haddad e Maria Alice Setubal discutem a necessidade de se criar políticas públicas intersetoriais em busca de uma Cidade Educadora.

Para Maria Alice, é necessário apontar que a educação integral é, em sua essência, uma política que busca a equidade ao colocar-se como estratégia de enfrentamento das desigualdades sociais. Ela defende que a experiência levada a cabo pela Fundação Tide Setubal no bairro de São Miguel Paulista, na zona leste paulistana, reforça o conceito de Cidade Educadora.

“Através de uma rede de proteção social, ativamos uma teia de articulações que se dá no território.” Ela propõe que as políticas públicas do território tenham como ponto de convergência a educação. “Em um país diverso como o nosso, o território importa, com suas histórias, culturas, diferentes níveis de educação. Levar em conta as especificidades de cada local é fundamental para pensarmos as políticas públicas e a universalização dos direitos.”

Maria Alice enxerga como fundamental que as políticas de educação prevejam integração com o espaço público urbano. “Ocupar os espaços com festas, festivais, teatros de rua e música os torna mais seguros e saudáveis. Mas isso exige parcerias entre a escola e outros equipamentos, para ganhar mais escala, impacto e ampliar as possibilidades de conhecimento.”

Ela elogiou a criação de um ciclo autoral no Ensino Fundamental da cidade, criado pela gestão petista. “Podemos ver que essa política tem uma efetividade concreta lá em São Miguel. Alunos se mobilizam e professores criam outro olhar para o território, vendo sentido na possibilidade de fazer um projeto de intervenção em sua comunidade”, ressalta.

Para Haddad, o conceito de educação integral deve buscar uma dimensão intersetorial de abrangência do conhecimento para capacitar a juventude para os desafios do dia a dia, não apenas do mercado de trabalho, mas principalmente no âmbito da cidadania. “Precisamos dotar a juventude de um aparato necessário para ela incindir, inovar, se reinventar. Quem vai responder à crise atual é essa nova geração”, aposta o prefeito, que finaliza: “Devemos liberar tempo para criar afeto e interação. Humanizar a cidade é um toque educacional.”

 

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