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Boyhood: um grande filme para trabalhar com adolescentes 23 de fevereiro de 2015

Filed under: Sem categoria — José Antonio Küller @ 1:05 pm

Clipping Educacional – 23.02.2015

Porvir – 23/02/2015 – São Paulo, SP – Mark Phillips, do Edutopia

Boyhood é um filme excelente e também é um dos favoritos para o Oscar de melhor filme, na premiação que acontece no próximo domingo. Seguindo a vida de um menino e sua família ao longo de 12 anos, nos proporciona uma viagem íntima pelo desenvolvimento do menino ao longo do tempo, os efeitos do divórcio, dos pais solteiros, as relações com colegas de sua idade e os desafios enfrentados por crianças e adolescentes.

Apesar de não ser um documentário, Boyhood muitas vezes parece um. O diretor Richard Linklater fez um trabalho notável de usar os mesmos atores em um período de 12 anos, fazendo uma transição quase perfeita através dos estágios da família. É um excelente filme para usar no ensino, pois se relaciona com a vida de muitas crianças hoje e levanta questões importantes que podem provocar grandes discussões em sala de aula.

Trabalhando com as restrições

No entanto, existem alguns obstáculos ao uso do filme. A Motion Picture Association of America (MPAA) deu Boyhood uma classificação restrita a menores de 17 anos, que precisam de companhia dos pais ou de um responsável adulto para assisti-lo. Além disso, sua duração de 2h30 representa um desafio em termos de tempo de aula. Mas eu acho que ambos os obstáculos podem ser superados.

Dada a natureza episódica do filme, seria fácil de mostrar, ao longo de uma semana com debates e exercícios ligados a cada porção. Outra opção seria a de organizar uma exibição completa na escola, que poderia ser usada por mais de uma disciplina, como estudos sociais e inglês, por exemplo. Eu não acho que mostrar cenas selecionadas do filme é uma boa opção. Seria como fazer os alunos lerem apenas trechos de O Grande Gatsby ou O Apanhador no Campo de Centeio.

A classificação do filme representa um tipo diferente de desafio, como é para muitos outros filmes que seriam perfeitos para uso com adolescentes. A MPAA baseou a sua classificação em “linguagem, incluindo referências sexuais, e por drogas na adolescência e uso de álcool.” Um único episódio de muitos programas de televisão populares vistos por adolescentes podem ter muito disso, o que mostra o absurdo deste sistema de avaliação desatualizado.

Se a classificação é justificada ou não, um filme com essa classificação pode ser mostrado na maioria das escolas apenas com autorização dos pais e aprovação do diretor. Para contornar a classificação, os professores devem obter permissão dos pais – a menos que os pais já deram os professores um cheque em branco sobre o currículo. Mesmo quando não é exigido pela escola, é sábio que os professores tenham a autorização dos pais, tanto por razões éticas e quanto para manter um relacionamento respeitoso com os pais.

Sugiro escrever uma carta pedindo a permissão para os pais que mostre porque você está mostrando o filme, como ele se relaciona com o conteúdo do seu curso, a base da classificação etária, e sua crença de que os alunos serão impactados positivamente pelo filme. Você também deve fornecer a opção de não dar permissão. A esses alunos deve ser dada uma outra tarefa relacionada aos temas do filme. A minha experiência é que os pais raramente se recusam a dar permissão.

Ensinando com um filme

Em introdução ao Boyhood, conte que foi filmado ao longo de 12 anos, usando os mesmos atores, que isso em si é revolucionário no cinema. Mas não lhes diga nada sobre o que procurar ou o sobre o que é o filme, seus principais temas, etc. De forma alguma pré-programe a experiência deles.

1. Entrando no personagem

Peça aos alunos para sombrear um personagem e tentar se identificar com ele conforme eles vão vendo o filme. Então, depois de assistido, os alunos podem compartilhar o que sentiram ao ser esse personagem e o quanto eles se identificaram ou não com ele. Os personagens que eles podem selecionar são: o menino, sua irmã, sua mãe ou seu pai.

2. Pontos de vista

Ver-se através de diferentes “óculos” e em papéis diferentes. Os estudantes assumem diferentes papeis e debatem o filme como se fossem essa pessoa. (A seguir, são apenas sugestões.) Gostaria de atribuir essas funções, em vez de permitir que os alunos as escolham, eles podem ser:

– Um dos seus próprios pais

– Um adolescente negro ou latino, como há quase nenhum no filme (ou você pode pedir aos alunos negros em sua classe para ser eles mesmos e ficarem atentos se isso afeta a sua resposta)

– Um crítico de cinema que é muito positivo sobre o filme

– Um crítico de cinema que é altamente crítico ao filme

– Uma feminista (como indicado abaixo, houve questionamentos sobre o papel das mulheres no filme)

– Uma dona de casa

– Um aspirante a cineasta

Quando o filme acabar, a proposta é que os alunos discutam seus pontos de vista com colegas que tiveram o mesmo papel. Em seguida, eles passariam a conversar em grupos com um aluno de cada papel, partilhando as suas diferentes perspectivas. Isto poderia levar a uma discussão em classe de como cada um vê um filme muito diferente do outro e a importância de ouvir outros pontos de vista.

3. Autobiografias

O exercício que me anima mais é pedir para cada aluno escrever em duas ou três páginas um roteiro contando a história de sua vida a partir dos seis anos de idade até o presente. Você pode dar para eles lerem antes dessa atividade dicas sobre como escrever um roteiro. É importante ressaltar que é para eles incluírem apenas as cenas ou momentos que se sintam confortáveis em compartilhar publicamente. Isso é sempre um desafio para filmes baseados em histórias reais.

Ler esses roteiros vai lhe proporcionar uma oportunidade de conhecer melhor seus alunos e se conectar com eles através de suas visões. Mas, antes, os divida em pequenos grupos de três ou quatro, para lerem seus escritos.

4. Extendendo a discussão

Esses exercícios podem ser o suficiente para uma pequena discussão sobre o filme. Mas se você tiver tempo, considere os seguintes temas para debate: a descrição do papel das mulheres: Quanto equilibrada é a perspectiva do diretor? Quão próxima é da realidade? E sobre a ausência de crianças não-brancas: É irrealista? É racialmente tendenciosa?

Finalmente, perguntaria aos alunos se eles recomendariam o filme para os amigos e para os seus pais. Eu também gostaria de pedir-lhes que considerassem debater o filme com seus pais, uma vez que fornece um excelente oportunidade para comunicação e conexão entre pais e adolescentes.

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