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Alunos e professores discutem o Ensino Médio Politécnico 1 de outubro de 2013

Filed under: Sem categoria — José Antonio Küller @ 3:05 pm

Larissa Roso
larissa.roso@zerohora.com.br

Pelos corredores das escolas e nas manifestações por melhorias na educação, o Ensino Médio Politécnico recebeu um apelido debochado: “politreco”.

O sistema em implantação na rede estadual desde o ano passado tem provocado estranheza entre alunos e professores, que tentam se adaptar a novos métodos de avaliação e organização curricular.

As opiniões de alunos e professores sobre o Ensino Médio Politécnico
Na última quinta-feira, a reforma surgiu entre as reinvindicações dos participantes do protesto que resultou na depredação da fachada do Museu Júlio de Castilhos, na Capital. As principais mudanças incluem a troca de notas por conceitos descritivos, que classificam o desempenho em provas e trabalhos como satisfatório, parcial ou restrito.

As disciplinas tradicionais foram reunidas em quatro grandes áreas do conhecimento (linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas), e os professores desses grupos precisam chegar a um consenso no momento de definir o conceito do estudante. Ao final do ano, mesmo com performance insatisfatória (restrita) em uma área, o aluno poderá passar para a série seguinte, num regime de progressão parcial. A possibilidade inflama educadores, que identificam aí uma manobra do governo para melhorar, à força, os altos índices de reprovação e evasão.

Para discutir o andamento da reforma, Zero Hora colheu impressões no Colégio Estadual Florinda Tubino Sampaio, no bairro Petrópolis, em Porto Alegre. Prevaleceram as queixas, mas uma avaliação positiva despontou com frequência, ainda que cercada por ressalvas.

– O politécnico não é ruim, mas foi mal implantado – resume a vice-diretora Élida Martini. – Deveriam ter feito um projeto piloto, aí poderíamos fazer melhorias antes de aplicar para todo mundo – sugere.

A doutora em Educação Nara Eunice Nörnberg concorda que faltou uma fase de preparação mais profunda. Um acompanhamento próximo por parte das Coordenadorias Regionais de Educação, segundo ela, também é fundamental para que todos possam dirimir dúvidas e se adaptar a uma transformação tão radical.

– Quando você quer mudar, não pode fazer essa mudança de cima para baixo. A categoria é muito resistente, muito subversiva. Você precisa conquistar o professor. O magistério é muito “ver para crer”. A proposta é muito boa, moderna, mas precisa ser instaurada com cuidado – avalia Nara.

A Secretaria Estadual da Educação celebra os primeiros resultados, referentes a 2012. Maria de Guadalupe Menezes de Lima, coordenadora de Gestão do Ensino Médio e Profissional da pasta, afirma que o número de repetências foi reduzido em 7% nas turmas do primeiro ano, de acordo com levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

– Na escola brasileira, tradicionalmente, o aluno repete o ano quando não alcança os objetivos. A reprovação gera exclusão, desestímulo para aprender, vai calcando a ideia de fracasso. O politécnico tem um currículo que dialoga com a juventude. O jovem aprende a aprender com a pesquisa. Não é passe de mágica, está em construção – diz Maria de Guadalupe.

COMO É O ENSINO MÉDIO POLITÉCNICO
As principais mudanças que vêm sendo adotadas desde o ano passado na rede estadual de ensino:

– A implantação do sistema é gradativa para as três séries: o 1º ano reformulado entrou em vigor em 2012, o 2º ano está sendo implementado em 2013 e o 3º começará em 2014.

– As disciplinas tradicionais foram agrupadas em quatro grandes áreas de conhecimento: linguagens (línguas portuguesa e estrangeira, literatura, educação física e artes), matemática, ciências da natureza (biologia, física e química) e ciências humanas (história, geografia, sociologia e filosofia).

– O novo modelo de avaliação substitui notas de zero a 10 por conceitos descritivos: Construção Satisfatória da Aprendizagem (CSA), Construção Parcial da Aprendizagem (CPA) e Construção Restrita da Aprendizagem (CRA). Os dois primeiros permitem a aprovação. Se o estudante apresentar desempenho insatisfatório (restrito) em apenas uma área do conhecimento, poderá passar de ano, num regime de progressão parcial. Os professores da série seguinte serão informados de que ele precisará melhorar o aprendizado em determinados pontos, e um plano de apoio será elaborado. Caso o aluno receba conceito restrito em pelo menos duas áreas de conhecimento, será reprovado.

– Os conceitos passam a ser atribuídos por áreas, e não mais para cada disciplina isoladamente. Cada aluno terá, portanto, quatro conceitos, estabelecidos a partir do consenso entre os professores envolvidos em cada área de conhecimento.

– A carga horária foi ampliada em 600 horas/aula (200 a mais em cada ano). O Ensino Médio Politécnico passa a ter um total de 3 mil horas/aula.

– Aproveitando a carga horária extra, os alunos conduzem projetos de pesquisa, orientados por um professor específico. Os chamados Seminários Integrados aprofundam tópicos abordados em sala de aula, em uma das quatro áreas de conhecimento. O estudante é estimulado a se aprofundar em um tema do seu interesse. A partir de uma aula de biologia, por exemplo, ele pode optar por fazer uma pesquisa sobre sustentabilidade. O professor que coordena o seminário orientará o trabalho em parceria com o titular da disciplina relacionada. O número de pesquisas que cada aluno realiza por ano varia de escola para escola.

Fonte: Secretaria Estadual da Educação

 

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