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Um novo Ensino Médio para romper as desigualdades 3 de março de 2011

Artigo de Mozart Neves Ramos, conselheiro do Todos Pela Educação, comenta os problemas do Ensino Médio brasileiro

* MOZART NEVES RAMOS, ESPECIAL PARA A FOLHA

A desigualdade e sua face educacional são fatos, infelizmente, tolerados no Brasil. No ensino médio, ela toma proporções acentuadas, como pode ser observado pela análise de resultados de avaliações de desempenho dos estudantes.
De acordo com o relatório “De Olho nas Metas”, do movimento Todos Pela Educação, apenas metade dos jovens de 19 anos têm o ensino médio concluído.

Deles, somente 11% conseguiram aprender o conteúdo mínimo em matemática, e 29%, em português. Por ser a etapa final da Educação básica, o ensino médio carrega as carências e as ineficiências das etapas anteriores. Falhas na alfabetização, no acesso à escola, no aprendizado durante o ensino fundamental e na conclusão das séries têm impactos preocupantes sobre as estatísticas. Sem enfrentar essas questões não é possível esperar que os brasileiros tenham acesso a Educação de qualidade.

Além disso, o ensino médio sofre com um excesso de disciplinas e há pouca clareza sobre o que o país espera dos alunos nesse nível. Existem algumas iniciativas para dar outro rumo à etapa final da Educação básica, como o Ensino Médio Inovador.

Proposto pelo MEC (Ministério da Educação), em consonância com o CNE (Conselho Nacional de Educação), ele pretende proporcionar ao estudante uma melhor articulação entre os diferentes saberes, alinhar a teoria à prática e promover atividades que estimulem o espírito empreendedor dos jovens.

É uma tentativa de instigar os alunos a desenvolver gosto pelos estudos e, ao mesmo tempo, de serem respeitados em sua diversidade cultural. Nesse cenário, a escola deve prepará-los para a vida e para que possam romper com as desigualdades sociais, por meio de oportunidades educacionais, culturais e profissionais.

O ensino médio demanda nova organização das disciplinas e dos conteúdos e requer que eles estejam articulados com o trabalho, a ciência, a tecnologia e a cultura. Só assim a Educação poderá cumprir o papel de ser uma política compensatória para as disparidades do Brasil.

* MOZART NEVES RAMOS é conselheiro do Todos Pela Educação e membro do Conselho Nacional de Educação.

Fonte: Folha de São Paulo (SP), 28 de fevereiro de 2011.

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