Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

Em Torno do Conceito de Cidade Educativa 1 de agosto de 2008

Alfred Otto Walfang Shulze, It’s All Over – The City (1945-47)

 

Sobre o Mudar

 

O que caracteriza a sociedade atual e o atual mercado de trabalho é a mudança e o incremento da velocidade dela.

 

Formar cidadãos para essa sociedade e profissionais para esse mercado significa torná-los aptos para acompanhar o ritmo das mudanças.

 

Formar profissionais, e ao mesmo tempo cidadãos, exige prepará-los para serem agentes e partícipes interessados nessas mudanças.

 

Isso exige capacidade de criticar a situação atual do espaço comunitário e do campo profissional, projetar e implementar mudanças.

 

Trata-se de apropriar-se do saber no movimento mesmo de sua construção, que é também uma permanente destruição e um permanente refazer (Tudo o que é sólido desmancha no ar…).

 

 

Sobre o Aprender a Mudar

 

 

Baltazar Torres - Harmful Weeds Series  Beehive Like Brothers, 2004 - instalação

Baltazar Torres - Harmful Weeds Series ' Beehive Like Brothers", 2004 - instalação

 Contextualizar o aprender é construí-lo sobre a mudança. É inseri-lo no movimento. Saber on line. A escola deixa de ser transmissora de visões do real. Participa da construção do mundo.

 

 

Para aprender a mudar, é preciso pensar em preparar profissionais capazes de provocar mudanças organizacionais e tecnológicas já no seu processo de formação. 

 

 Profissionais e cidadãos agentes de mudanças em direção a uma melhor qualidade de vida dentro e fora do ambiente de trabalho.

 

Aprender a produzir a mudança, produzindo-a. Inserir o atual estudante e o futuro profissional na condução de efetivos processos de mudanças como parte fundamental da sua trajetória educacional.

 

Experimentar produzir mudanças para aprender a ser agente de transformação.

 

Assim, a escola e, principalmente, o contexto em que ela se insere passam a ser vistos como campos de experimentação de mudanças.

 

 

Sobre a Ampliação do Espaço de Aprendizagem

 

 

Grey Tree by Mondrian - kateduffyartpaintings.wordpress.com

Grey Tree by Mondrian - kateduffyartpaintings.wordpress.com

 

 

 Em cursos de Educação Profissional e na perspectiva de formação do agente de mudança, a escola é um espaço insuficiente para a mudança proposta e para a conseqüente produção de conhecimento dela derivada.

 

O espaço de aprendizagem precisa abranger as atividades produtivas e sociais reais onde as funções profissionais ganhem sentido e o profissional a ser formado enfrente os desafios capazes de desenvolver as competências necessárias à tarefa de transformação.

 

Isso transcende, em muito, a noção de estágio ou prática supervisionada. No estágio e na prática supervisionada, trata-se, no máximo, de aprender o trabalho tal como ele já está posto.

 

A nova proposta exige, no mínimo, colocar o aprendiz na perspectiva do consultor.

 

Exige, também, das empresas e outras organizações envolvidas uma disposição para a mudança.

 

Exige, ainda, das escolas e das instituições sociais e econômicas envolvidas no espaço educativo ampliado um trabalho em parceria. Uma parceria centrada na firme disposição de formar agentes empreendedores, dotados de uma visão transformadora, e uma disposição para engajarem-se, em articulação, em um simultâneo processo de mudança.

 

Tais mudanças não podem ficar restritas àquelas que produzam ganhos econômicos. Mudanças relacionadas com a melhoria da qualidade de vida devem enfeixar a formação do profissional, também assumido como cidadão.

 

 Sobre a Cidade Educativa

 

 

Broadway Boogie-Woogie, Piet Mondrian, www.unicamp.br/~hans/mh/arquitet.html

Broadway Boogie-Woogie, Piet Mondrian, http://www.unicamp.br/~hans/mh/arquitet.html

 Espalhar a perspectiva antes esboçada para várias unidades educacionais significa entrelaçar e adensar o espaço educativo.

 

Múltiplas formações exigem múltiplos campos de aprendizagem da mudança.

 

O aumento do número e a diversidade das formações podem exigir que todo um bairro ou uma cidade (com suas múltiplas funções econômicas, culturais e sociais), venha a compor o espaço educativo.

 

A mudança quantitativa leva à mudança qualitativa. A cidade passa a ser a seara do aprender.

 

Neste caso, a cidade passa a assumir um projeto educativo associado a um projeto coletivo de mudança econômica e social. Uma mudança em direção à sua vocação econômica, na perspectiva de um cluster, por exemplo. Uma mudança econômica associada a uma mudança da qualidade de vida de sua população. Uma cidade que aprende.

 

As múltiplas organizações econômicas e sociais da cidade abrem suas portas para funcionarem como espaços educativos e recebem o influxo de perspectivas de mudanças.

 

O governo municipal articula os múltiplos interesses envolvidos no Mega-Projeto.

 

  

Sobre a Inovação Curricular

É fundamental, no caso das instituições de educação profissional, que seus currículos sejam revolucionados.

 

Os currículos passam a ser desenhados a partir de um amplo diálogo entre educadores e demais atores sociais envolvidos no Projeto, com plena articulação com as instituições públicas, sociais, trabalhistas e empresariais da cidade.

 

Nesse desenho, os currículos precisam ser articulados pelos desafios, problemas e projetos de mudanças sociais e econômicas a serem produzidas na cidade.

 

Um ou vários projetos de mudança do entorno escolar devem articular os componentes curriculares de cada curso e serem alavancas do desenvolvimento das competências desse novo profissional a ser formado.

 

Instâncias intercurriculares, intercursos, interinstitucionais de articulação dos projetos precisam ser estabelecidas e mantidas, alongando o perfil das competências a serem desenvolvidas.

 

Os currículos devem ser desenhados a partir de um amplo diálogo entre educadores e demais atores sociais envolvidos no Projeto, com plena articulação com as instituições públicas, sociais, trabalhistas e empresariais da cidade.

                                                                                              

 

 José Antonio Küller – Agosto de 2000

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