Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

Apresentação de um projeto para a formação continuada de docentes 22 de outubro de 2010

O presente projeto é destinado à formação de Coordenadores Docentes e Assistentes de Coordenadores Docentes do Programa “Jovem Aprendiz Rural”, desenvolvido pelo SENAR-SP.

A estrutura básica do Programa “Jovem Aprendiz Rural” compreende três Eixos com a duração de 600 horas de trabalho educativo. O Eixo I, com duração de 208 horas, destina-se ao desenvolvimento de competências básicas para o trabalho em geral. O Eixo II, com duração de 300 horas, destina-se ao desenvolvimento das competências gerais para o trabalho rural. O Eixo III, com duração de 92 horas, destina-se ao desenvolvimento de competências para o empreendedorismo. O Programa tem uma carga horária total 600 horas e abrange seis dimensões educativas: ser pessoa, ser profissional, ser cidadão, ser um profissional da pecuária, ser um profissional da agricultura, ser um empreendedor rural.

Os Eixos estão organizados em projetos e oficinas. Uma referência básica para o desenvolvimento dos projetos e oficinas está inscrita em Manuais do Instrutor, que orientam a ação dos educadores responsáveis pelo desenvolvimento do Programa.

Os Eixos compreendem 19 componentes curriculares (oficinas ou projetos). O desenho global do Programa, então, está compreendido em um conjunto de dezenove (19) Manuais. Tais Manuais deveriam, em princípio, possibilitar aos orientadores e animadores do Programa um acesso pleno aos seus objetivos, conteúdos e metodologia. Assim, educadores que tivessem um perfil adequado poderiam reproduzir o Programa a partir das indicações contidas nos seus Manuais.

O Programa “Jovem Aprendiz Rural” tem, no entanto, como objetivos, entre outros:

  1. O impulso a um permanente questionamento sobre si mesmo, seus relacionamentos e suas circunstâncias, especialmente as do universo do trabalho, que resulte em uma visão cada vez mais ampla, flexível, crítica e criativa, que possa ser focada na perspectiva de uma construção estética de si mesmo, de um engajamento criativo no trabalho e de participação na construção do mundo em que habita;
  2. O aprimoramento do domínio de competências humanas básicas, tais como: comunicação oral e escrita, leitura e interpretação de textos, operação de cálculos básicos, capacidade de trabalho em equipe, capacidade de aprender de forma autônoma, promoção da saúde, iniciativa e criatividade (….);
  3. As condições para tornar-se um profissional apto a desenvolver de forma plena e inovadora atividades na agropecuária e com competências gerais para:
  • Aplicação, inovação, difusão e desenvolvimento tecnológicos;
  • Gestão de processos de produção agropecuária;
  • Desenvolvimento da capacidade empreendedora;
  • Desenvolvimento profissional permanente.

Para ser coerente com tais objetivos, a capacitação dos Coordenadores Docentes do Programa e de seus Assistentes deve superar a simples reprodução do já pensado. Esses educadores, para que possam facilitar a consecução de objetivos como os citados, não podem ser capacitados na perspectiva de uma reprodução passiva de procedimentos contidos no manual. É necessário que, tal como os participantes, sejam preparados para:

  1. Desenvolver uma “visão cada vez mais ampla, flexível, crítica e criativa, que possa ser focada na perspectiva (…..) de um engajamento criativo no trabalho”;
  2. O exercício das competências humanas básicas, tais como a “iniciativa e criatividade”.
  3. A “aplicação, inovação, difusão e desenvolvimento tecnológicos” no exercício do papel de educador.

É importante manter na capacitação dos educadores a mesma concepção geral contida nos objetivos e na perspectiva metodológica, que caracteriza o Programa “Jovem Aprendiz Rural” como um produto educacional específico. É preciso exercitar a crítica e a criatividade do animador, tanto na sua ação educativa concreta como em seu processo de capacitação. Os Manuais, então, devem ser encarados como uma referência básica tanto para o desenvolvimento do Programa como para a formação dos educadores responsáveis pelo seu desenvolvimento.

O desenho de um processo de formação de educadores diferenciado da simples leitura e reprodução acrítica dos conteúdos dos Manuais é, ainda, justificado pelas características metodológicas do Programa. A metodologia escolhida para o desenvolvimento do Programa “Jovem Aprendiz Rural”, entre outras características, propõe que:

  1. Sempre será valorizada a perspectiva de construção e reconstrução do conhecimento pelos participantes (individualmente ou em grupo).
  2. Em todas as situações serão estimulados a ação autônoma dos educandos e o aprender a aprender, em detrimento de outras possibilidades centradas na transmissão e absorção de informações.
  3. As estratégias de ensino-aprendizagem serão organizadas em torno da atividade dos participantes, da reflexão crítica sobre a atividade e sobre os resultados alcançados. Quando não funcionarem, a revisão das atividades deve ser feita pelos próprios participantes.

É de suma importância, por coerência, que a capacitação dos educadores também seja feita a partir de uma perspectiva metodológica similar. Além da leitura crítica dos Manuais, a vivência de situações neles previstas possibilitará ao educador em processo de capacitação uma inversão de papel com seu futuro educando. Ao fazê-lo, poderá melhor propor formas alternativas de desenvolvimento da competência e melhor vislumbrar o potencial pedagógico e as possibilidades educacionais das estratégias propostas nos Manuais.

O uso da vivência para a capacitação de educadores supre, ainda, a necessidade de abordar a postura pedagógica requerida pela metodologia. Partir da atividade, em busca de uma construção conjunta do conhecimento, exige do educador uma postura diferente da tradicional. Requer um conhecimento mais profundo do campo de conhecimento abordado, de forma a possibilitar a exploração e a articulação das inúmeras e inesperadas possibilidades que emergem da ação. Solicita também o abandono desse conhecimento “superior” em prol do conhecimento prévio dos educandos e das suas múltiplas formas de olhar o acontecido. Exige de ambos, educador e educando, abertura ao acontecimento e para as possibilidades de revisão, recriação e ampliação do já conhecido.

Essa postura pedagógica é difícil de ser assumida. Para o docente, é mais confortável o refúgio no saber. Então, é necessário vivenciar a possibilidade alternativa e descobrir as suas dificuldades e seus encantos. Mesmo para educadores que já estão no caminho de uma radical mudança de postura, a vivência pode ser útil. O exercício e a crítica de um papel em transformação são sempre ricos em descoberta.

O roteiro de capacitação dos educadores do Programa “Jovem Aprendiz Rural”, apresentado a seguir, é apoiado, pelos motivos apresentados, em dois eixos fundamentais: (1) uma aproximação individual crítica e criativa dos conteúdos dos Manuais e (2) vivência grupal e análise de determinadas estratégias do Programa, como forma de apropriação da metodologia e exercício da postura pedagógica requerida.

 

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