Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

Plano de Vida e Carreira (excerto de outra alternativa) 19 de março de 2009

 

Esta é uma amostra do trabalho desenvolvido para o Trilha Jovem. A primeira versão do Projeto Trilha Jovem derivou de uma proposta curricular desenvolvida, em 2001, pela Germinal Consultoria para o Instituto de Hospitalidade (IH), de Salvador, na Bahia. Essa primeira versão foi alterada pelo IH nas primeiras implementações. Depois, a versão original e a inicialmente implementada foram fundidas na versão atual. A Germinal também contribuiu nesse trabalho. 

 

Por fim, a partir da crítica, sistematização, reformulação e ampliação dos planos de aula utilizados nas primeiras implementações, a Germinal criou as Referências para a Ação Docente, que são manuais que apresentam sugestão, passo a passo, de desenvolvimento de todas as unidades curriculares do Projeto. Para mais informações sobre o Trilha Jovem, clique aqui.

 

O texto a seguir é a referência para a ação docente no desenvolvimento de uma das Sessões de Aprendizagem do Plano de Vida e Carreira, projeto articulador do Eixo III – Construir um Plano de Vida e Careira - do Projeto Trilha Jovem. O excerto foi retirado das Referências para a Ação Docente, desenvolvidas pela Germinal e publicadas pelo Instituto de Hospitalidade. O texto não foi originalmente editado da forma como é apresentado aqui. Ele constitui apenas uma amostra do trabalho da Germinal na formatação de programas de educação básica para o trabalho.

 

Dois textos já publicados aqui no blog fundamentam a escolha do conteúdo e e a opção metodológica utilizada na aula apresentada e na unidade didática Projeto de Vida e Carreira. Para acessar o texto Reflexões em torno de uma Oficina de Apresentação Pessoal, clique aqui. Para acesso ao texto Como trabalhar metodologias na educação profissional, clique aqui.

  

 

Plano de Vida e Carreira (pvc) 

Aula 3/7

Competências

Situações de aprendizagem

recursos

tempo

 

Reconhecer os próprios valores e/ou pontos fortes.

Traçar objetivos e metas pessoais e profissionais.

Construir um Plano de Vida e Carreira (PVC).

Promover o cuidado de si mesmo.

 

 

1. Aquecimento – Apresentação individual 8.

Som e música do jovem. Retroprojetor ou Data-Show. Som. Log Book.

5’

2. Carpe Diem.

TV e DVD.

75’

3. Apresentação individual 9.

Som e música do jovem.

5’

INTERVALO

15’

4. Apresentação individual 10.

Som e música do jovem.

5’

5. Regras estéticas para a vida.

Som, músicas, letras de música e material de colagem, desenho e pintura. Tarjetas.

 

100’

6. Atividade com os ovos.

1 ovo para cada participante.

30’

7. Apresentação individual 11.

Som e música do jovem.

5’

         

Objetivos

1.      Dar continuidade na formulação de uma proposta de construção estética da existência.

2.      Orientar a definição dos componentes estratégicos (missão, visão e valores) do Plano de Vida e Carreira.

3.      Possibilitar o envolvimento emocional com essas primeiras definições.

4.      Propiciar a elaboração e classificação de regras estéticas para a vida, como base para a construção dos planos de vida e carreira.

5.      Criar um clima de respeito pela diferença e valorização da diversidade.

6.      Mobilizar o grupo para uma reflexão posterior sobre a constituição da família, em especial, sobre os problemas da gravidez não-planejada.

 

 

Descrição das situações de aprendizagem

 

1. Aquecimento – Apresentação individual 8 

 

No início da sessão, a sala está obscurecida. Em contraste com a penumbra, o retroprojetor ilumina o poema “Sonho de Herói”, de Murilo Araújo. Ouve-se um fundo musical suave e que induz à reflexão (O Adagietto da Sinfonia Nº 5 de Mahler, por exemplo. Existem muitas gravações. Pode ser usada a gravação existente em: KARAJAN, H.V. Karajan forever. Hamburgo, Deutsche Grammophon, 2003. CD.)
 
 
        

 

Observe que foi sugerida uma repetição de parte do cenário. Recomenda-se a mesma sala obscurecida. O obscurecimento da sala é acessório. Nesse início, o importante são os poemas, que introduzem, de forma simbólica, o tema do dia. Obscurecer a sala é um recurso para destacar o poema. Se não for possível o obscurecimento da sala ou se você quiser variar o recurso, outras possibilidades de destaque do poema podem ser usadas.

 

Como sempre, receba os jovens na porta do ambiente de aprendizagem (Assim você pode dar um exemplo de pontualidade, atitude fundamental no sucesso profissional dos jovens na área de turismo). Solicite que entrem e permaneçam em silêncio para um momento de reflexão e recapitulação do dia anterior. Retorne à iluminação normal. Proceda ao sorteio do relator e solicite a leitura do Log Book.

 

 

Abra espaço para a oitava apresentação individual de qualidade, acontecimento e música feita por um dos jovens. A partir desta aula, as apresentações podem ser estimuladas a partir da seguinte provocação: alguém tem uma música que pode ser apropriada para este momento? Continue a construção do Mural das Qualidades Humanas.

 

2. Carpe Diem

 

Em painel, anuncie a exibição da seqüência inicial do filme “Sociedade dos Poetas Mortos (”SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS. Dirigido por Peter Weir. EUA, Buena Vista, 1989. 1 DVD.  A primeira seqüência termina no fim da cena que acontece fora da sala de aula, no corredor da escola, onde o professor mostra as fotografias dos ex-alunos e exorta: “Carpe Diem!”).  

 

 

Após a exibição, sem comentários, projete novamente o poema, agora com as luzes acessas. Peça que um voluntário leia o poema para a classe, em voz alta.

 

SONHO DE HERÓI

Com um galho de bambu verde

e dois ramos de palmeira

eu hei de fazer um dia o meu cavalo – com asas!

Subirei nele, com vento, lá bem alto,

de carreira,

por sobre o arvoredo e as casas.

 

Voarei, roçando o mato,

as copas em flor das árvores,

como se cruzasse o mar…

e até sobre o mar de fato

passarei nas nuvens pálidas

muito acima das montanhas, das cidades, das cachoeiras,

mais alto que a chuva, no ar!

 

E irei às estrelas,

ilhas dos rios de além,

ilhas de pedras divinas,

de ribeiras diamantinas

com palmas, conchas, coquinhos nas suas praias também…

praias de pérola e de ouro

onde nunca foi ninguém…

 

 

ARAÚJO, M. Poemas completos de Murilo Araújo. Rio de Janeiro: Pongetti. 1960, pág. 84.

 

 

Promova, a seguir, um breve debate sobre o filme, seguido da comparação entre filme, poema e atividades das sessões anteriores.

 

Missão

Em momento apropriado, solicite que os jovens, individualmente, definam uma possível missão de vida (o que fará a minha vida extraordinária / o que fará a minha vida bela / qual meu sonho de herói?) e a visão pessoal (que pretendo vir a ser como pessoa nos próximos anos. As definições devem ser curtas e claras e escritas em apenas duas tarjetas de cores diferentes.

 

Quando os jovens terminarem, em painel, solicite a apresentação, uma a uma, das missões e visões propostas. Promova uma breve discussão das missões e visões apresentadas. Faça indicações de melhoria da redação, se necessário. Possibilite um tempo aos que queiram fazer uma revisão da missão e da visão pessoal.

 

3. Apresentação individual 9

 

Antes do intervalo, solicite a nona apresentação individual.

 

4. Apresentação individual 10

 

Depois do intervalo, promova a décima apresentação individual.

 

5. Regras estéticas para a vida

 

Proponha, inicialmente, a definição de regras estéticas para a vida. Cada jovem deve trabalhar a partir da seguinte questão: que regras de vida eu devo definir para atingir a minha visão e missão e, assim, tornar bela minha existência? As regras devem ser escritas de forma sucinta e clara e transcritas em tarjetas de cor diferente daquelas usadas para a visão e a missão. O conjunto das tarjetas de cada jovem pode inspirar mais uma página do livro “Minha Vida, Minha Carreira”.

 

Depois do trabalho individual de elaboração das regras, divida os jovens em quatro grupos. Atribua a tarefa aos grupos: criação e preparo de um videoclipe a partir de uma música determinada. Todos os grupos trabalharão sobre o mesmo tema: como fazer a vida bela ou como fazer da vida uma obra de arte.

 

O videoclipe poderá ter duração superior à da música e deve conter uma rápida verbalização de cada um dos integrantes do grupo. A verbalização deverá incluir a leitura das tarjetas que contenham as regras estéticas da existência (como tornar a vida bela) assumidas por aquele participante. Não se trata de simplesmente ler as tarjetas, mas sim, com esses elementos, embelezar a cena.

 

As músicas propostas são: Beleza Pura; Sonho Impossível; Tocando em Frente e Redescobrir. Você pode substituir as músicas por outras mais ao gosto da região ou dos jovens desde que, em suas letras, elas façam menção direta ou simbólica ao tema em pauta. Apresentam-se a seguir os vídeos e  as letras das músicas sugeridas.

 

 

Grupo A: Beleza Pura

 

Não me amarra dinheiro não

mas formosura

Dinheiro não

a pele escura

Dinheiro não

a carne dura

Dinheiro não

 

Moça preta do Curuzu

Beleza pura

Federação

Beleza pura

Boca do Rio

Beleza pura

Dinheiro não

 

Quando essa preta começa a tratar do cabelo

É de se olhar

Toda a trama da trança a transa do cabelo

Conchas do mar

Ela manda buscar pra botar no cabelo

Toda minúcia

Toda delícia

 

Não me amarra dinheiro não

mas elegância

Não me amarra dinheiro não

mas a cultura

Dinheiro não

a pele escura

Dinheiro não

a carne dura

Dinheiro

não

 

Moço lindo do Badauê

Beleza Pura

Do Ilê aiyê

Beleza Pura

Dinheiro Yeah

Beleza Pura

Dinheiro não

 

Dentro daquele turbante dos filhos de Gandhi

É o que há

Tudo é chique demais, tudo é muito elegante

Manda botar

Fina palha da corte e que tudo se trance

todos os búzios

todos os ócios

Não me amarra dinheiro não.

Mas os mistérios.

 

VELOSO, C. Beleza Pura. In: Cinema transcendental: a outra banda da terra. Polygram, 1999, 1 CD.

 

 

Grupo B: Sonho Impossível

 

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

 

DARION, J. e LEIGH, M. Versão Chico Buarque e Ruy Guerra. Sonho Impossível. In: Sonho impossível. Maria Bethânia, EMI, 2003, 1 CD

 

 

Grupo C: Tocando Em Frente

 

Ando devagar

Porque já tive pressa

Levo esse sorriso

Porque já chorei demais

 

Hoje me sinto mais forte

Mais feliz quem sabe

Só levo a certeza

De que muito pouco eu sei

Eu nada sei

 

Conhecer as manhas e as manhãs

O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar

É preciso paz pra poder sorrir

É preciso a chuva para florir

 

Penso que cumprir a vida

Seja simplesmente

Compreender a marcha

Ir tocando em frente

 

Como um velho boiadeiro

Levando a boiada

Eu vou tocando os dias

Pela longa estrada

Eu vou

Estrada eu sou

 

Conhecer as manhas e as manhãs

O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar

É preciso paz pra poder sorrir

É preciso a chuva para florir

 

Todo mundo ama um dia

Todo mundo chora um dia

A gente chega

E o outro vai embora

Cada um de nós

Compõe a sua história

Cada ser em si carrega o dom de ser capaz

De ser feliz.

 

SATER, A., TEIXEIRA, R. Tocando em frente. In: Um Violeiro Toca. Som Livre, 2006, 1 CD.

 

 

Grupo D: REDESCOBRIR

 

Como se fora brincadeira de roda

                     Memória

Jogo do trabalho na dança das mãos

                     Macias

O suor dos corpos na canção da vida

                     História

O suor da vida no calor de irmãos

                     Magia

Como um animal que sabe da floresta

                     Memória

Redescobrir o sal que está na própria pele

                     Macia

Redescobrir o doce no lamber das línguas

                     Macias

Redescobrir o gosto e o sabor da festa

                     Magia

Vai o bicho homem fruto da semente

                     Memória

Renascer da própria força a própria luz e fé

                     Memória

Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós

                     História

Somos a semente, ato, mente e voz

                     Magia

Não tenha medo meu menino povo

                     Memória

Tudo principia na própria pessoa

                     Beleza

Vai como a criança que não teme o tempo

                     Mistério

Amor se fazer é tão prazer que é como fosse dor

                     Magia

 

GONZAGA JR, L. Redescobrir. In: Elis: saudades do Brasil, Warner, 2001, CD duplo.

 

 

Apresentação dos grupos

Em painel, coordene a apresentação dos videoclipes. A apresentação de cada videoclipe (incluindo a cena com as tarjetas) deverá ter, no mínimo, a duração da música e, no máximo, cinco (5) minutos.

 

Após a apresentação, organize a formação de um grande quadro com as regras estéticas para a vida, integrando as tarjetas de todos os jovens. As tarjetas são colocadas no chão e, sem falar ou usar mímica, a classe organiza as tarjetas por tema ou âmbito de aplicação das regras: trabalho, cuidados pessoais, relações familiares etc.

 

Promova uma discussão aberta sobre a vivência. Depois, oriente a numeração das tarjetas para facilitar recomposições posteriores do quadro. O quadro pode ser individualmente recriado e ser uma outra página do livro “Minha Vida, Minha Carreira”. Outra possibilidade é a recriação do quadro para o evento de inserção profissional previsto para o final do Trilha Jovem.

 

 

6. Atividade com os ovos

 

Faça a distribuição de um ovo por participante. Os jovens devem cuidar dos ovos como se fossem filhos, relatando a experiência no Log Book. Ao cuidar dos “filhos”, os jovens devem obedecer às seguintes regras:

 

·         trazer seus “filhos” para as atividades do Trilha Jovem, todos os dias até a aula 6/7 de PVC;

·         quando um “filho” for quebrado, o jovem deverá pagar uma prenda, acordada previamente pelo grupo e o educador;

·         quando um jovem deixar de trazer seu “filho” para as atividades do Trilha Jovem, também deverá pagar uma prenda (uma prenda para cada dia de ausência do “filho”).

 

Oriente um trabalho individual de arte plástica com os ovos. Os ovos devem ganhar uma identidade, permitindo a identificação dos “filhos”. Solicite também que os jovens definam os nomes dos “filhos”. Por fim, defina, junto com os jovens, as prendas a serem pagas.

 

 

7. Apresentação individual 11

Em painel, localize um voluntário que tenha a música apropriada para o momento, para fazer a última apresentação individual de qualidade, acontecimento e música, encerrando o dia.

 

 

Instrumentos e critérios de avaliação

§    Apresentações individuais de músicas.

§    Discussão a partir do poema e do filme.

§    Definições de missão e visão.

§    Regras estéticas para a vida definidas.

§    Concepção e apresentação dos videoclipes.

§    Painel de regras estéticas para a vida.

§    Reação à proposta da atividade com os ovos.

 

 

Esboçando um Plano de Desenvolvimento Pessoal e Profissional 12 de março de 2009

  

  

I. Objetivos:

 

1. Aprofundar a apresentação individual, a integração e o vínculo grupal.

 

2. Propiciar o estabelecimento de laços de confiança e respeito entre os participantes.

 

3. Criar condições para que cada um perceba-se como sujeito histórico.

 

4. Estimular uma atitude pró-ativa e de apropriação dos rumos da própria vida, por meio da percepção das dimensões histórica, sócio-política e psicológica da questão do “destino”.

 

5. Estimular a predisposição para o autoconhecimento.

 

6. Possibilitar um exercício de identificação e avaliação de aspectos da própria personalidade especialmente relevantes para a vida socioprofissional.

 

7.  Propiciar o desenvolvimento de atitudes compatíveis e propícias ao amadurecimento e à mudança.

 

8. Esboçar um plano de auto desenvolvimento pessoal e profissional a ser continuado e aprimorado durante todo o Programa.

 

 

II. Descrição/Caracterização

 

A atividade é iniciada com um primeiro deslocamento do grupo para um ambiente externo ao da sala de aula, seguindo a diretriz metodológica de ênfase no uso da realidade externa e de suas entidades como “salas de aula”, “laboratórios” ou ambientes de aprendizagem. O local escolhido será um museu, prédio ou monumento histórico, cujo acervo ou arquitetura remeta à história da cidade ou bairro em que os participantes residem.Visita ao museu, prédio ou monumento histórico

 

Visita ao museu

A primeira visita não será previamente preparada. Os participantes deslocam-se para o local com a orientação de explorar, ao máximo, as possibilidades de aprender sobre a história da cidade e do bairro ali existentes. Nenhuma orientação é dada sobre o procedimento de pesquisa ou sobre a forma de registro de dados e informações relevantes. Observa-se, no entanto, que, na visita, o contrato coletivo antes elaborado já está em vigor. A visita ocupará toda a primeira das 7 sessões destinadas à atividade 3.

 

Ao final da visita, os participantes são orientados para que, entre essa sessão e a próxima, entrevistem os pais e, se possível, tios e avós para elaborar uma “história oral da família”, a ser apresentada na próxima sessão. A história deverá, sempre que possível, ser documentada com fotos, objetos e outros elementos de época.

 
 
 

História e sujeito histórico

 

Os participantes, divididos em pequenos grupos, apresentam uns aos outros a “história oral da família”. Durante as apresentações e ao final delas, identificam os elementos comuns às várias histórias. Relacionam, ao cabo, as características comuns das várias histórias com a História (do bairro ou cidade) que pode ser apreendida na visita anterior.

 

As conclusões dos pequenos grupos são registradas em folhas de flip chart e apresentadas em painel. O conceito de História, enquanto construção humana coletiva e no tempo, e a noção de sujeito histórico devem emergir e serem explorados a partir dos relatos das conclusões. As dificuldades na realização da atividade anterior, em especial na apreensão da História do bairro a partir da visita realizada, podem suscitar reflexões sobre a importância do planejamento.

 
 

A construção da linha do tempo

 

A continuidade da atividade se dá com a abordagem da história individual. Inicialmente os participantes farão uma leitura individual e silenciosa do texto de apoio.

 

 
Nostalgia

 

Houve um tempo em que havia uma andar de cima e um porão. Houve um tempo em que o som de um amolador entorpecia a tarde. Havia uma moringa na janela refrescando a água. Sempre, a qualquer momento, alguém dormia, nas desencontradas horas da família. Na tarde estorricante do verão uma cachorra chamada Teteca levantava a cabeça de vez em quando, num piso de cimento embaixo da mangueira, na única sombra do quintal ensolarado, e dava para o alto três lancinantes latidos de protesto. Acho que para Deus. Acho que havia Deus.

 

Millor Fernandes. In: O Estado de São Paulo, Edição de Domingo, 19 de dezembro de 1999, Caderno 2, p. D20.

 

 

 A seguir, os jovens irão elaborar, individualmente, em folha(s) de flip chart, a própria “linha do tempo” ou “caminho da vida”, contendo os fatos mais representativos e significativos da vida passada e recente, bem como os acontecimentos ou elementos que esperam ou pretendem registrar no futuro. Os fatos e acontecimentos devem prioritariamente ser expressos através do desenho. No verso da folha de flip chart, os participantes são convidados a escrever um poema de versos livres, mesmo que composto de um único verso, sobre o caminho de sua própria vida.

 

Os participantes são convidados a expor/apresentar suas respectivas “linhas do tempo”. Ao final de cada apresentação, o poema deve ser lido. Ao término de todas as apresentações os participantes são estimulados a analisá-las em seus aspectos individuais e coletivos, possibilitando, dessa forma, a abordagem psicológica e sociopolítica dos conteúdos envolvidos.

 

Poema coletivo

 

Museu de história do Pantanal, Estúdio de Arte Votupoca
Museu de história do Pantanal, Estúdio de Arte Votupoca

 

Como movimento final dessa etapa, é proposta a construção de um poema coletivo. A partir de um exercício de relaxamento prévio, estando os participantes em absoluto silêncio, concentrados e de olhos fechados, qualquer um deles, que julgue seu poema apropriado para o início, abre os olhos e efetua a sua leitura de seu texto da forma mais inteira, verdadeira e bela que puder. Volta a fechar os olhos.  Outro, que entenda que seu poema é apropriado para entrar em seqüência, procede da mesma forma. E assim vai, sucessivamente, até a leitura do último poema. 

 

A cena, se bem executada, suscita um envolvimento emocional intenso e contém um forte poder de integração do grupo. Durante o processo, dois ou mais participantes podem iniciar a leitura ao mesmo tempo ou períodos de silêncio prolongado podem acontecer. O coordenador não deve intervir. Muitas vezes, as sobreposições e as pausas enriquecem o poema coletivo. O coordenador também deve permanecer de olhos fechados.

 

ATENÇÃO: Certamente, essa primeira etapa da atividade oferecerá situações que possibilitarão um trabalho com atributos desejáveis nas relações interpessoais, tais como o respeito à privacidade, aos sentimentos e às crenças pessoais na análise de temas polêmicos. Assim, o orientador deve estar atento a esse componente curricular implícito, permanente e contínuo.

 

Definindo metas de vida

Raoul Dufy, Fenêtre ouverte à Saint-Jeannet - c. 1926/1927

Na etapa anterior, a “linha do tempo” já ensejou uma projeção para o futuro. Devido às características da técnica utilizada, é provável que os aspectos históricos tenham prevalecido sobre os de projeto.  A fábula do “cavalo marinho”, tradicionalmente utilizada em treinamentos dirigidos a educadores com o intuito de sensibilizá-los para a importância da clara definição de objetivos de ensino-aprendizagem, é aqui proposta para estimular a discussão de metas de vida. A leitura da fábula, seguida de discussão, deve explicitar os elementos iniciais para reflexões sobre o conteúdo em paut

 

 

Fábula do Cavalo-Marinho

 

Era uma vez uma cavalo-marinho que juntou suas economias (7 moedas) e saiu em busca da fortuna. Ainda não havia andado muito quando encontrou uma enguia, que lhe disse:

 

Psiu… Eh! Amigo. Onde vai você?

 

_ Estou indo procurar minha fortuna – respondeu o cavalo-marinho orgulhosamente.

 

 _ Você está com sorte! – disse a enguia. Por quatro moedas pode adquirir essas velozes nadadeiras, e assim será capaz de chegar lá mais rápido!

 

- Oba, isto é ótimo! – disse o cavalo-marinho, e pagou o dinheiro, colocou as nadadeiras e saiu deslizando, numa velocidade duas vezes maior. Em seguida, encontrou uma esponja, que lhe disse:

 

_ Psiu… Eh! Amigo. Onde vai você?

 

_ Estou indo procurar minha fortuna – respondeu o cavalo-marinho.

 

 _ Você está com sorte! Disse a esponja. Por uma pequena recompensa deixarei você ficar com esta tábua de propulsão a jato, para que possa viajar muito mais rápido.

 

Então o cavalo-marinho comprou a tábua com o restante de suas moedas e foi zunindo pelo mar, com uma velocidade cinco vezes maior. Logo, logo, encontrou um tubarão, que disse:

 

_Psiu…Eh! amigo. Onde vai você?

 

_ Estou indo buscar minha fortuna, respondeu o cavalo-marinho.

 

_ Você está com sorte. Se tomar esse atalho e o tubarão apontou para sua bocarra vai economizar muito tempo.

 

_ Oba, obrigado, disse o cavalo-marinho, e saiu zunindo para dentro do tubarão, e nunca mais se ouviu falar nele.

 

 

 

MAGER, R.F. A formulação de objetivos de Ensino. Rio de Janeiro; Globo; 1983; prefácio.

 

 

Ao final da discussão do texto, individualmente, a partir da “linha do tempo’ e do poema, cada participante redige uma proposta inicial de metas de vida, envolvendo tanto aspectos pessoais como profissionais. Neste momento, a definição de metas não deve partir de considerações relacionadas com a o realismo e a viabilidade da proposta. Devem capturar o desejo, o sonho…

 

Os participantes formam duplas ou trios em função da confiança depositada no outro e da busca e possibilidade de apoio. A s versões iniciais das metas são discutidas pelas duplas ou trios. Posteriormente, em função dessa conversa, as metas são revisadas, individualmente, pelos participantes. Essa redação, já revisada, é arquivada na pasta de cada participante como primeira parte do esboço de plano.

 

 Um primeiro diagnóstico das competências pessoais e profissionais

Roberto Matta, Larchitêtre, 1979

Roberto Matta, L'architêtre, 1979

Os participantes são estimulados a montar um auto-retrato, em linguagem visual (com recortes de revistas, por exemplo), identificando os atributos (ou competências) que já possui para o alcance das metas e os atributos ou competências que julga necessitar desenvolver para atingir as metas por ele definidas. Em painel, os auto-retratos são apresentados, analisados e confrontados com a heteropercepção (percepção dos demais participantes). A cada apresentação e análise, o orientador estimula uma reflexão sobre as propostas de mudança que os participantes se colocam.

 

A seguir, em trios inicialmente e depois em painel, o conceito de competência é construído pelos participantes a partir do conhecimento já existente, definições de dicionário e, eventualmente e se possível, pesquisa na Internet. A partir dos auto-retratos, os participantes, divididos nos mesmos trios ou duplas de revisão das metas, identificam as competências já existentes e as a desenvolver.

 

 

Esboço de plano de autodesenvolvimento pessoal e profissional

 

O orientador solicita que os participantes construam um esboço inicial de plano individual de desenvolvimento a partir de uma adaptação do esquema “FOFA”. Os participantes anexam à folha de sulfite em que definiram suas metas uma outra. Nessa nova folha estão delimitados quatro espaços iguais, tendo como títulos: Fortaleza, Oportunidades, Fraquezas, Ameaças.

 

No espaço superior esquerdo, cada participante registra as competências que já possui e que foram identificadas a partir da análise do autoretrato. O conjunto das competências já existentes compõe o quadrante Fortaleza inscrito na folha. No espaço superior direito, são registradas as facilidades ou os facilitadores externos para a consecução das metas, compondo o conjunto de Oportunidades. O espaço esquerdo inferior é reservado às competências ainda não desenvolvidas, compondo o campo das Fraquezas. Finalmente, no campo inferior direito, são registradas as dificuldades ou dificultadores para a obtenção das metas, compondo o conjunto das Ameaças.

 

Os esquemas são apresentados e discutidos, configurando-se um esboço de plano de desenvolvimento pessoal e profissional, com as seguintes diretrizes ou “palavras de ordem”:

  • Fortaleza: use-a!
  • Oportunidades: aproveite-as!
  • Fraquezas: elimine-as!
  • Ameaças: evite-as ou afaste-as!

 

Em painel, uma avaliação individual do plano elaborado encerra a atividade.

  

ATENÇÃO: O objetivo final da atividade é a elaboração de um esboço inicial de plano e não doplano final. É um ponto de partida e não de chegada. Portanto, a atividade não deve ser formalizada. Os erros formais devem ser desconsiderados. É importante que para o participante a atividade seja lúdica e agradável. O esboço de plano pretende também registrar o estágio inicial de sonho, expectativa, ambição e autocrítica do participante. O material é básico para as atividades subsequentes e deve ser arquivado na pasta individual de cada participante. Será também suporte para o trabalho de orientação do coordenador e pode ser visto como um pré-teste, dentro de uma estratégia de avaliação.

 

III. Conteúdos a serem trabalhados:

  • Conceito de história
  • A construção histórica do homem e da sociedade humana,
  • Conceito de sujeito histórico,
  • Conceito de planejamento. Planejamento de vida.
  • Conceito de meta. Metas e expectativas em relação à vida pessoal e profissional.
  • Realidade e sonho nas metas e expectativas. Acomodação e ousadia; concessões e avanços. A crença no determinismo do “destino”. A importância do autoconhecimento, da iniciativa, do autodesenvolvimento, da cidadania, da apropriação do próprio destino.
  • A auto e a heteropercepção de características pessoais. A formação da auto-imagem e da auto-estima.A importância e a relação da auto-estima com a capacidade de estabelecimento de relações equilibradas e maduras com as pessoas.
  • A importância da consciência das próprias qualidades e limitações e da iniciativa para a mudança e o autodesenvolvimento. A necessidade de busca de apoio e orientação no processo de autopercepção e de mudança.
  • A competência como resultante da autocrítica, da vontade, do conhecimento, da apropriação e da prática.
  • Competências de relacionamento: saber ouvir, respeito pelo outro, respeitar as diferenças, companheirismo.

 

IV. Recursos necessários

 

Folhas de papel sulfite, folhas de flip chart, revistas para serem recortadas, cola, pincéis atômicos.

 

V. Duração prevista: 21 horas

 

ATENÇÃO: As estratégias de sensibilização previstas na atividade só têm sentido se devidamente explorados. Assim, os objetivos e os conteúdos envolvidos em cada uma delas  devem estar muito claros parao coordenador . Espera-se que o orientador substitua ou implemente as atividades aqui propostas, desde que preserve seu conteúdo e lógica de desenvolvimento, e evite uma abordagem puramente afetiva.

 

 

Texto de apoio para o coordenador: Competência

 

Competência é um conjunto de aptidões, habilidades e conhecimentos que orientam a resolução de problemas e a tomada de decisões. Quando a realização de uma tarefa envolve fundamentalmente destreza técnica ou mecânica, fala-se em competência técnico-operacional. Quando o desempenho profissional exige um conjunto de conhecimentos, conceitos e princípios técnico-científicos articulados a habilidades de caráter genérico necessárias, tais como capacidade de abstração, de análise e de síntese, é porque está fundamentado em competências cognitivas. Já se a ênfase está em valores e atitudes que interferem no relacionamento do indivíduo em seu ambiente de trabalho, a competência sociocomunicativa está em primeiro plano.

 

(SENAC Nacional, Formação e Trabalho – Uma viagem pela história do trabalho, edição multimídia, Rio de Janeiro, Editora SENAC Nacional, 1997.)

 

 

 

 

O material apresentado neste post refere-se um excerto retirado do Manual do Instrutor do Núcleo Central, um dos componentes curriculares de uma versão alternativa ao Programa de Educação para o Trabalho (PET), do Senac/SP.

 

O Programa de Educação para o Trabalho (PET) foi desenvolvido pelo SENAC/SP e implementado, na sua forma atual, em 1996. É “voltado ao desenvolvimento de jovens, especialmente daqueles com limitadas oportunidades de acesso aos bens tecnológicos que possibilitam a apropriação do conhecimento, o domínio de competências, bem como de contato e convívio com padrões estéticos requisitados por um mercado de trabalho exigente e seletivo, inflexível a justificativas de natureza sociopolítica” (José Luiz Gaeta Paixão. Introdução do Programa de Educação para o Trabalho. São Paulo, SENAC, 1996).

 

O SENAC desenvolve o Programa de Educação para o Trabalho há cerca de 10 anos. O projeto teve origem após a constatação das dificuldades que jovens tinham em ingressar e permanecer no mundo do trabalho. Até agora, o Programa atendeu mais de 100 mil garotas e rapazes.

 

A GERMINAL participou da concepção do Núcleo Central do PET e da capacitação de todos os docentes (cerca de 1.000) envolvidos na implementação inicial do Programa. Desenvolveu também uma versão alternativa ao Plano de Curso original do Programa, o manual do Núcleo Central e todos os manuais das Estações de Trabalho dessa versão alternativa. Tal versão, por um conjunto de circunstâncias, acabou não sendo implementada, pelo menos em sua totalidade.

 

Em outros posts, pubicamos excertos dessa versão alternativa. Os excertos devem ser encarados como amostras do trabalho que pode ser desenvolvido pela Germinal.  A versão alternativa é composta por um Núcleo Central e por Estações de Trabalho destinadas ao tratamento de áreas específicas do Setor de Comércio e Serviços. Dela já publicamos os seguintes excertos:

  • Estrutura e Objetivos para a Versão Alternativa (extraída do Manual do Núcleo Central)
  • Amostra I: Exemplo de uma Sessão de Aprendizagem (extraído do Manual da Estação de Trabalho de Organização e Administração
  • Amostra  II: Exemplo de mais uma Sessão de Aprendizagem (extraído do Manual da Estação de Trabalho de Organização e Estética de Ambientes)
  • Amostra III: Exemplo de outra Sessão de Aprendizagem (extraído do Manual da Estação de Trabalho de Saúde) 

  

 

Portal do Futuro 16 de outubro de 2008

 

Portal do Futuro é um projeto destinado para jovens em situação de risco de exclusão social, desenvolvido pelo Senac Rio, com consultoria da Germinal. O projeto destina-se à capacitação básica de jovens para atuação no Setor de Comércio e Serviços. Para tanto, está organizado em torno de competências básicas e gerais requeridas por toda ocupação de comércio ou de serviços.

 

A Germinal participou ativamente no desenho do Programa e prestou consultoria na elaboração dos manuais dos docentes das oficinas que constituem os três módulos fundamentais do programa: Ser Pessoa, Ser Cidadão e Ser Profissional.

 

O programa foi desenhado e implementado no ano de 2.000. Desde o seu lançamento, já foi desenvolvido em 45 municípios do Estado do Rio de Janeiro e atendeu um número superior a 6.000 jovens. Muitas páginas da internet falam do Portal do Futuro.

 

O site do Senac Rio, informa:

 

 O programa Portal do Futuro insere, no mercado de trabalho, jovens com idades entre 16 e 21 anos em situação de risco social, tendo como base métodos pedagógicos modernos, sintonizados com as tendências socioambientais do novo milênio.

 

Organizado por projetos: Ser Pessoa, Ser Cidadão e Ser Profissional, propõe desafios que levam o participante à produção de trabalhos relevantes para seu amadurecimento pessoal e profissional. O programa  já passou por 45 municípios, capacitando mais de seis mil jovens.

Muitas empresas são parceiras desse projeto, que demonstra  resultados de impacto para o participante, sua família, para as comunidades e para os mercados.

 

Mais informações:
Centro de Educação para o Trabalho e a Cidadania do Senac Rio
Tel.: 21 2473-8671

 

 

O Correio do Senac, publicação do SENAC Nacional, complementa:

 

Em seu quarto ano de realização, o Portal do Futuro mostra-se como um programa de sucesso na preparação de jovens para o Primeiro Emprego. Ao longo desse período, o programa atendeu 3.500 adolescentes, tendo encaminhado 68% ao mercado de trabalho.


Coordenado pelo Centro de Educação para o Trabalho e Cidadania, o programa é resultado de um convênio firmado entre o Ministério do Trabalho e Emprego, a Confederação Nacional do Comércio, com a interveniência do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador – CODEFAT, visando o desenvolvimento de ações de educação profissional a serem executadas pelo
Senac Rio.

 

 

A Agência Brasil cita o Programa:

 

Rio de Janeiro – Cerca de 150 jovens de baixa renda, com idades entre 16 e 24 anos, moradores de Irajá, zona norte do Rio de Janeiro, vão receber até o fim do ano qualificação para o mercado de trabalho. Eles participam do Portal do Futuro, uma iniciativa do Senac.

 

O ministro Paulo Vannuchi, da SEDH, em visita hoje (17) às instalações do Portal do Futuro, afirmou que se trata de uma experiência importante porque é capaz “dar uma virada” na vida de jovens que poderiam se envolver com o crime organizado ou daqueles que já tiveram algum tipo de problema com a lei. Além de qualificar jovens da comunidade, o programa também recebe adolescentes que cumprem medidas socioeducativas de liberdade assisitida.

 

 

 

A publicação Desafios do Desenvolvimento, a revista mensal de informações e debates do IPEA e do PNUD, também fala do Portal do Futuro:

 

Emprego
Caminhando contra o vento
Como na canção de Caetano Veloso, os jovens brasileiros enfrentam momentos difíceis. Pesquisa do Ipea mostra que 48% dos desempregados têm entre 15 e 24 anos. Sociedade e governo buscam soluções para a crise dos jovens
Walter Clemente

 

(…) merece atenção o Portal do Futuro, programa de inclusão social para jovens de baixa renda do Centro de Educação para o Trabalho e Cidadania do Senac do Rio de Janeiro. Tarcísio de Carvalho, de 18 anos, procurou o Portal do Futuro para fazer um estágio. Filho de um frentista de posto de gasolina em São João do Meriti, na Baixada Fluminense, encontrou emprego como auxiliar de escritório numa escola em Duque de Caxias, também na Baixada, e escolheu sua carreira:”Vou ser psicólogo”. O Portal do Futuro atua em Irajá, no subúrbio carioca, e há cinco anos prepara jovens de baixa renda para o mundo do trabalho.” Meninos e meninas saem daqui com um plano de vida”, diz Mônica Volpato, gerente do projeto.

 

 

 

O blog FOCO DESIGN divulga o trabalho realizado na edição dos manuais que referenciam a ação dos docentes do Portal:

 

 

 

 

 

 

 

 

Esses são os livros do Portal do Futuro, um projeto maravilhoso e importantíssimo do Centro de Educação para o Trabalho e a Cidadania do Senac Rio. Já tinha feito uma versão desses livros com o Marcos Castilho, meu sócio na época; alguns anos depois o CET encomendou um novo projeto, totalmente diferente do anterior. Foram desenvolvidos pictogramas baseados na marca Portal do Futuro (que não é minha) para ilustrar as três fases do programa (“ser pessoa”, “ser profissional” e “ser cidadão”), e mais uma família da mais de 16 pictogramas para as oficinas (“conhecendo meu bairro”, “toque a tecla”, “escrever é fácil” e “aprendendo a aprender”).

 

 

A matéria publicada no site da São Rafael, Sociedade de Previdência Privada, ajuda a apresentar a estrutura básica do Programa:

 

Teoria aprendida na prática

As oficinas do Portal do Futuro desenvolvem competências específicas, que possibilitam a entrada do jovem no mercado. Mas além da manipulação da Internet e do aprendizado do idioma inglês, o programa se preocupa em formar um cidadão responsável, capaz de dirigir seu futuro com liberdade e responsabilidade.

 

Para isso, os jovens começam no programa com as oficinas do projeto “Ser Pessoa”, onde o produto final é a redação de um livro sobre sua vida. Para que o aluno cumpra bem esta tarefa, ele passa por aulas práticas de redação e técnicas de expressão, formas literárias e de edição de texto no computador, por exemplo.

 

Passado este estágio, o aluno ingressa nas aulas do “Ser Cidadão”, que incentiva os jovens a identificarem as necessidades e possibilidades de melhoria na rua, no bairro ou cidade onde mora. Assuntos como qualidade de vida e respeito ao meio ambiente são debatidos para a realização da tarefa estabelecida: um pedido formal para a intervenção de órgãos competentes nos problemas socioculturais identificados pelos próprios alunos.

 

O projeto “Ser Profissional” está subdivido em duas áreas que atendem as expectativas do aluno, que poderá escolher pelo grupo interessado em trabalhar em uma empresa ou pelo grupo que pretende abrir seu primeiro negócio. As aulas práticas abordam temas como as relações interpessoais, análise de oportunidades, noções básicas de inglês e Internet e legislação trabalhista.

 

Para completar o ciclo do programa Portal do Futuro, o jovem vai a campo, ver como funciona o dia-a-dia de uma empresa. “As parcerias comerciais do Senac Rio estão sempre de portas abertas para os nossos alunos e aproveitamos este relacionamento para ampliar os conhecimentos dos jovens participantes do programa. Acreditamos que com estes três projetos, aumentamos as chances de uma inclusão no mercado de trabalho”, conclui Giselle.

 

 

O JB ONLINE Mostra uma das possibilidades de desdobramento do Portal do Futuro:

 

Em Irajá, a escola do samba

Compositor Ney Lopes comanda projeto que ensina música a jovens carentes

Waleska Borges

Gabriel Jauregui

Ney e a turma do Portal do Futuro

Ney e a turma do Portal do Futuro: aulas resgatam auto-estima dos jovens de Irajá e bairros vizinhos

Eles são jovens, moram em comunidades carentes do subúrbio carioca e gostam de samba. Cheios de sonhos e com um objetivo em comum: fazer da arte a fonte de renda. Nas aulas de canto e dramaturgia, eles descobrem profissões como de contra-regra, noções de figurino, cenário e iluminação. Para 30 jovens do Rio, com idades entre 16 e 21 anos, o programa O Samba e o Irajá, do projeto Portal do Futuro, desenvolvido pelo Senac, representa a oportunidade do primeiro emprego.

 

 

 

 

O site PetBr mostra uma outra possibilidade de desdobramento:

 

Portal do Futuro Forma a Primeira Turma de Profissionais para Pet Shop Através da Parceria da Iams do Brasil e o Senac Rio.

No final do mês de maio forma-se a primeira turma do curso de “Formação de Mão de Obra ao Mercado Pet”, promovido, gratuitamente, pela Iams do Brasil (fabricante dos alimentos Iams e Eukanuba para cães e gatos) e o Senac Rio, para jovens de baixa renda entre 16 a 21 anos.

 

 

 

  1. clip_image001

Clique aqui (p. 205) ou aqui se quiser informações mais detalhadas sobre o plano de curso do projeto ou então consulte: Küller, J.A. e Freitas, W.B. (org.) Construindo a Proposta Pedagógica do Senac Rio. Rio de Janeiro, Editora Senac Rio, 2000.

 

Plano de Vida e carreira 26 de setembro de 2008

 

Esta é uma amostra do trabalho desenvolvido para o Trilha Jovem. A primeira versão do Projeto Trilha Jovem derivou de uma proposta curricular desenvolvida, em 2001, pela Germinal Consultoria para o Instituto de Hospitalidade (IH), de Salvador, na Bahia. Essa primeira versão foi alterada pelo IH nas primeiras implementações. Depois, a versão original e a inicialmente implementada foram fundidas na versão atual. A Germinal também contribuiu nesse trabalho. Por fim, a partir da crítica, sistematização, reformulação e ampliação dos planos de aula utilizados nas primeiras implementações, a Germinal criou as Referências para a Ação Docente, que são manuais que apresentam sugestão, passo a passo, de desenvolvimento de todas as unidades curriculares do Projeto. Para mais informações sobre o Trilha Jovem, clique aqui.

 

O texto a seguir é a referência para a ação docente no desenvolvimento de uma das Sessões de Aprendizagem do Plano de Vida e Carreira, projeto articulador do Eixo III – Construir um Plano de Vida e Careira - do Projeto Trilha Jovem. O excerto foi retirado das Referências para a Ação Docente, desenvolvidas pela Germinal e publicadas pelo Instituto de Hospitalidade. O texto não foi originalmente editado da forma como é apresentado aqui. Ele constitui apenas uma amostra do trabalho da Germinal na formatação de programas de educação básica para o trabalho.

 

Dois textos já publicados aqui no blog fundamentam a escolha do conteúdo e e a opção metodológica utilizada na aula apresentada e na unidade didática Projeto de Vida e Carreira. Para acessar o texto Reflexões em torno de uma Oficina de Apresentação Pessoal, clique aqui. Para acesso ao texto Como trabalhar metodologias na educação profissional, clique aqui.

 

 

Plano de Vida e Carreira

Sessão 1/7

Competências

Situação de Aprendizagem

Recursos

Tempo

 

Reconhecer os próprios valores e/ou pontos fortes.

 

Manter a auto-estima, ampliando continuamente qualidades e potencialidades.

 

1. Cenário e aquecimento.

TV, vídeo, câmera. Retroprojetor e transparência. Espelhos, caixa de papelão e cartazes. Som e música suave.

 

5’

2. A estética de si.

Texto de apoio. Câmera, vídeo e TV.

70’

3. Definindo estilo.

 

30’

4. Apresentação individual 1.

Som e música do jovem.

5’

INTERVALO

15’

5. Apresentação individual 2.

Som e música do jovem.

5’

6. Qual é o meu estilo de vida?

DVD, vídeo e Câmera de vídeo.

60’

 

7. Plano de Vida e Carreira.

Folhas de papel colorido A4. Capas de acetato transparente.

45’

8. Apresentação individual 3.

Som e música do jovem.

5’

         

 

Objetivos

1.      Promover a integração do grupo sob o tema Plano de Vida e Carreira.

2.      Mobilizar o grupo para a elaboração de um Plano de Vida e Carreira.

3.      Estabelecer a referência básica sobre a qual os planos serão construídos (estética de si).

4.      Iniciar o processo de autoconhecimento dos participantes.

5.      Apresentar uma proposta de projeto e aprimorá-la com a contribuição dos jovens.

 

 

 Descrição das situações de aprendizagem

 

1. Cenário e aquecimento

Antes do início e da entrada dos participantes, reduza a luz da sala, se possível. Coloque um fundo musical suave e que induza à reflexão (Adágio, de Abinoni, por exemplo. Ver uma gravação disponível em: KARAJAM, V.H. Karajan Forever. Hamburgo, Deutsche Grammophon, 2003.) Projete numa das paredes da sala o poema “Traduzir-se”, de Ferreira Gullar.

 

Free pictures - fog, trees, nature picture, by coba
Free pictures – fog, trees, nature picture, by coba

Texto de Apoio: Traduzir-se

 Uma parte de mim
 é todo mundo:
 outra parte é ninguém:
 fundo sem fundo.

 Uma parte de mim
 é multidão:
 outra parte estranheza
 e solidão.

 Uma parte de mim
 pesa, pondera:
 outra parte
 delira.

 Uma parte de mim
 almoça e janta:
 outra parte
 se espanta.

 Uma parte de mim
 é permanente:
 outra parte
 se sabe de repente.

 Uma parte de mim
 é só vertigem:
 outra parte,
 linguagem.

 Traduzir uma parte
 na outra parte
 - que é uma questão
 de vida ou morte -
 será arte?

Ferreira Gullar

 

 

 

Nas demais paredes, fixe espelhos de diversos tamanhos e em diferentes alturas, na maior quantidade possível.

Tiny Blue Opening in White Wall, Kazuya Akimoto Art Museum

 

Se não for possível conseguir espelhos de outra forma, pode-se solicitar aos jovens, também na aula 6/7 da oficina de Empreendedorismo (Eixo II), que tragam um espelho de suas casas, neste dia.  Se for difícil fixar os espelhos na parede, outras alternativas de distribuição dos espelhos pela sala podem ser experimentadas.    

 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

Se possível, coloque uma câmara de vídeo, ligada e bem visível, repousando sobre uma mesa. O uso da câmera de vídeo enriquece a dinâmica e a discussão posterior, entretanto não é essencial para esta atividade.

 

Ponha, no centro da sala, uma caixa de papelão com a tampa aberta. A caixa deve ter, no fundo, um espelho. Fixe um cartaz na caixa ou ao lado dela. No cartaz deverá estar escrito: “Aqui está a melhor solução para os desafios da sua vida e para o seu sucesso profissional”.

 

Em uma parede da sala fixe um cartaz com os dizeres: Mural das Qualidades Humanas. Por fim, arrume as cadeiras em semicírculo, em torno da caixa.

 

Com a sala pronta, 5 minutos antes do horário previsto para o início da aula, coloque-se perto da porta para receber os participantes. Peça que os jovens entrem e tomem seus lugares. Informe que a aula logo vai começar. Passados cinco minutos da hora prevista, faça a luz retornar à sua intensidade normal.

santosdecasa.blogspot.pt

santosdecasa.blogspot.com

Apresente-se rapidamente à classe. Em pé, na frente da sala, diga que você também fez o exercício solicitado a todos. Revele aquela que você considera a sua qualidade humana fundamental. De forma bem sintética, descreva o acontecimento que, durante a sua vida, mais contribuiu para o desenvolvimento dessa qualidade. Por fim, coloque para tocar a música escolhida por você.

 

 

 

 

 

 2. A estética de si

Em painel, faça a distribuição do texto de apoio “Estética de Si”. Solicite uma leitura individual do texto.

 

 

O termo “em painel” indica a situação didática em que todos estão reunidos, preferencialmente em semicírculo e acontece uma atividade ou debate aberto coordenado pelo educador.

 

 Camille Claudel, A Valsa

 

 

 

 

Texto de apoio: ESTÉTICA DE SI

Muitas vezes nos pegamos pensando no que fazer com nossas vidas, Jaime, um garoto de 15 anos, estava num desses dias. Certa vez, passeando num shopping com os amigos, ganhou um folheto que dava direito a participar de uma promoção: uma leitura de mão inteiramente gratuita por uma cigana! Na brincadeira, Jaime foi até a tenda da cigana e ouviu tudo o que ela tinha a lhe dizer sobre sua vida. Depois daquilo, de vez em quando, pegava-se pensando na história: Será que existe mesmo um destino já traçado? Se existir, isso será bom ou ruim? E se não existir, o que será que me acontecerá? O que farei com a minha vida?

Na Antigüidade Clássica, os gregos usavam uma bela imagem para dizer o ser humano: cada um de nós é semelhante a um pequeno barco que deve atravessar um oceano. Devemos realizar nossa travessia no tempo. Somos seres temporais: nascemos e vamos morrer. A consciência da morte nos remete a nossa condição temporal. A vida se constitui nesse movimento incessante que nos atravessa desde o nascimento e continuará após nossa morte. Assim, a morte deve ser entendida como um acontecimento a mais nesse movimento que é a vida.

[....] Agimos no mundo movidos pelos desejos. Nossas atividades, racionais e físicas, estão sustentadas pelo desejo de nos tornarmos seres humanos. Apropriarmos do leme de nossas vidas e realizar a travessia é realizar uma ética fundada na estética: fazer da própria vida uma obra de arte.

A nós compete a tarefa artística de instaurar na vida a beleza. Para fazer da vida uma obra de arte, é necessário assumir a mesma posição do artista: ser criador. Mas as condições existentes em nossa sociedade se impõem como adversas à criatividade. [...]

 

 

 

 

 

A ética como uma estética da existência

Uma ação ética fundada na produção da beleza não pode simplesmente deixar de lado essas condições adversas. Mas também não pode e não deve sucumbir a elas. Trata-se de encarar a vida como uma matéria-prima na qual vamos imprimindo as formas, esculpindo os contornos, tal como o escultor Michelangelo em sua pedra de mármore. A vida é nosso mármore, devemos esculpi-lo, criar um estilo, uma forma de viver, um jeito de ser feliz e, assim, afirmar a beleza. Dar forma à vida é a tarefa ética que nos compete como seres humanos. Nisso exercemos nossa condição de liberdade. Somos livres para fazer de nossas vidas uma obra de arte. Instaurar a beleza com todas as suas múltiplas formas. [...]

 

O estilo e a singularidade de cada um

Dar forma à vida é criar um estilo. A origem etimológica da palavra estilo atesta essa dimensão artística que estamos querendo imprimir à ética. No latim, o termo stilu designa um instrumento com ponteira de osso, de chifre, de madeira ou de metal, usado para escrever sobre a camada de cera das tábuas, e com uma extremidade em forma de espátula para anular os erros gráficos. [...]

O estilo é, então, um compromisso entre as duas práticas possíveis: o uso da ponta para escrever e o uso da espátula para apagar. Um instrumento que nos possibilita escrever nossos desejos sobre a tábua áspera do mundo e também esquecer os erros e seguir adiante nessa travessia temporal. Nietzsche dizia que só o esquecimento pode nos aproximar da felicidade. Escrever é aqui entendido como a capacidade de abandonar os ressentimentos e projetar-se em direção ao desconhecido, criando o futuro com as próprias mãos.

Para transformar a vida em obra de arte é necessário agir como o artista: apoderar-se do estilo e inscrever seu desejo na matéria do mundo. Neste ponto, podemos identificar o sentido da palavra estilo, tal como é utilizada nas artes plásticas: o conjunto de elementos capazes de imprimir graus de valor às criações artísticas pelo emprego de meios apropriados de expressão, tendo em vista a produção estética. [...]

Fernando Pessoa, o grande poeta da língua portuguesa, escreveu: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Não há precisão nesta vida. Nada é certo, tudo é incerto. Então, navegar é preciso. Se as contingências desta vida se impõem como limite de nossas vontades, então, é preciso navegar. Se a vida deveria ser bem melhor do que é, então, é preciso navegar. Fazer da vida uma obra de arte é nossa direção. Alçar âncoras e navegar é a exigência ética fundamental.

 

Excertos retirados de Gallo, S. (coordenador). Ética e cidadania – Caminhos da filosofia. Campinas, Papirus Editora, 1998, p.95.

 

 
 
 
Quando cerca de 50% dos participantes já tiverem terminado, interrompa a leitura. Neste momento, a maioria dos jovens já deve estar próxima do fim do texto. Informe aos que não terminaram a leitura que não serão prejudicados. A leitura da última parte do texto vai ser retomada logo a seguir.
 
 
 

 

Dance of Life, Kazuya Akimoto Art Museum

 

 

Aumente o volume do aparelho de som. Solicite que os jovens façam uma exploração silenciosa do cenário. Peça que circulem pela sala e observem tudo. Fale para dar uma atenção especial ao poema projetado, aos espelhos e à caixa no centro do círculo de cadeiras.  Grave em vídeo a movimentação e reação dos participantes, se possível.

 

Interrompa a cena quando a concentração diminuir e as primeiras manifestações de crítica e análise da ação começarem. Estando todos novamente sentados, incentive os comentários sobre a vivência. Cada jovem deve manifestar as suas sensações ao enfrentar a experiência, especialmente em relação ao espelho no fundo da caixa. Depois deixe livre a conversa. Quando ela começar a concentrar-se em apenas alguns participantes, projete a gravação da cena.

 

Depois da projeção, promova uma rodada de falas onde a palavra é passada apenas aos que ainda não se manifestaram. Na ausência de gravação, passe diretamente para a rodada de falas. Ao término dela, inicie uma discussão orientada para uma comparação entre o poema (“Traduzir-se”) e a vivência.

 

 3. Definindo Estilo

Em painel, solicite um voluntário para fazer, em voz alta, uma leitura do primeiro parágrafo da última parte do texto “Estética de Si” (A ética como uma estética da existência). Promova uma discussão para uma exploração coletiva da compreensão desse parágrafo. Oriente a discussão não deixando que ela se desvie do tema.

 

Quando esgotada a compreensão do primeiro parágrafo, passe para a leitura do segundo, que inicia o sub-tópico: O estilo e a singularidade de cada um. Repita a solicitação de um voluntário para fazer a leitura em voz alta. Incentive a interpretação do grupo, intervindo na discussão com intensidade menor que a usada no primeiro parágrafo.

 

Repita o mesmo procedimento para o terceiro, quarto e quinto parágrafos. Ao fim da discussão, registre a definição de estilo na lousa.

 

 

Estilo = conjunto de elementos capazes de imprimir graus de valor às criações artísticas pelo emprego de meios apropriados de expressão, tendo em vista a produção estética.

 

 

 

Anime uma discussão sobre o conceito proposto e análise da sua aplicação ao estilo de vida, usando as seguintes igualdades, também registradas na lousa, em que os termos marcados com o ponto de interrogação são preenchidos mediante contribuições dos jovens.

 

Criações estéticas = vidas

Elementos capazes de imprimir valor à vida =  ?

Ou elementos capazes de transformar a vida em uma obra de arte =

·         ?

·         ?

·         ?

·         ?

 

 

 4. Apresentação individual 1

 

PEMBA - noite de luar na praia do Wimbe - Moçambique

PEMBA - noite de luar na praia do Wimbe - Moçambique

 

 

Em painel, antes do intervalo, promova a apresentação da primeira música escolhida por um dos jovens (dinâmica da música do participante). Os jovens, a cada oportunidade, por iniciativa individual, definem a ordem de apresentação. Antes de colocar sua música para tocar, o jovem revela o que considera a sua melhor qualidade e fala sobre o acontecimento da sua vida que foi fundamental no desenvolvimento dessa qualidade.

 
 

 

 

 

 

 

 

Como já foi observado na orientação para essa atividade, a fala pode ser eventualmente suprimida por opção do jovem. Mantida a versão mais dramática, a fala e a audição da própria música deverá ser em pé e na frente de todo o grupo.  Depois da audição da música, fixe duas tarjetas, uma com o nome do participante e outra com sua principal qualidade, lado a lado, abaixo do cartaz fixado na parede, iniciando o Mural das Qualidades Humanas daquela classe.

 

 

5. Apresentação individual 2

 Depois do intervalo, solicite a apresentação por um segundo jovem da sua música e de seu episódio de desenvolvimento da qualidade pessoal. Repita, nessa e nas demais apresentações individuais, o procedimento da primeira apresentação.

 

 

6. Qual é o meu estilo de vida?

 Inicie a situação de aprendizagem projetando o vídeo Por Acaso Gullar (Direção de Rodrigo Bittencourt e Marta Resende. Rio de Janeiro: Atitudes Produções, 2006. 1 vídeo (10 min), son., color. Disponível em: http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=4849 ).

 

Promova, depois, uma breve discussão do filme e dos atributos que conferem valor à vida de Gullar. Interrompa a discussão em um momento apropriado e solicite que, em cerca de 5 minutos, cada um se prepare para uma fala de 1 minuto (no máximo), sobre o seu estilo de vida ou sobre o que confere valor à sua vida, hoje.

 

Terminado o preparo, defina uma ordem para uma rodada de apresentações individuais: cada jovem diz o seu nome e verbaliza a fala preparada. Grave em vídeo a apresentação de cada jovem, se possível. No caso da gravação ser possível, o vídeo resultante pode ser editado e, eventualmente, usado na programação do evento de inserção profissional previsto para o final do programa Trilha Jovem.

 

7. Plano de vida e carreira 

 Ainda em painel, apresente as competências a serem desenvolvidas pela atividade de projeto.

Blossoming Almond Branch in a Glass with a Book - Van Gogh

 

Anuncie que, para o desenvolvimento das competências, será desenvolvido um projeto. Apresente a proposta do projeto a ser desenvolvido: cada jovem irá produzir um livro de arte, denominado: “Minha Vida, Minha Carreira”.

 

O livro será construído a partir do registro e da ilustração das atividades realizadas em sala de aula ou desenvolvidas autonomamente pelo jovem. O livro terá como função didática: o registro do Plano de Vida e Carreira; o registro dos exercícios desenvolvidos em sala (relacionados com a elaboração do Plano de Vida e Carreira) e constituir-se como objeto de identificação e apresentação de cada jovem.

 

 Cada livro deve ser uma obra de arte que apresenta e ilustra a construção de uma proposta de transformação da vida do autor em outra obra de arte. Para o trabalho, cada jovem contará com 30 folhas de papel A4 colorido e duas capas de acetato transparente. As capas poderão ser ilustradas e outros materiais poderão ser utilizados para compor a capa. O livro deverá ter um mínimo de 25 páginas. Os livros serão expostos no evento de inserção profissional, no encerramento do Trilha Jovem.

 

 Promova a discussão, adaptação e aprimoramento da proposta do projeto pela classe. Registre a versão final do projeto que será executado. Finalize a discussão da proposta de projeto, distribuindo o material necessário (folhas e capas) para os jovens.

 

Primeiras folhas do livro: Faça a sugestão para a(s) página(s) do livro que pode(m) representar a Aula 1/7: uma folha ilustrada que contenha o nome do jovem, a sua principal qualidade, uma breve descrição do acontecimento vital que a impulsionou e a letra da música escolhida. Ao final do programa, o Mural das Qualidades Humanas poderá ser o conteúdo de outra página.Observe, por fim, que as páginas não precisam ser organizadas na mesma seqüência das aulas, não precisam registrar passo a passo as suas atividades e nem ficar restritas ao conteúdo delas.

 

 Atenção: na seqüência dos planos, em vários momentos, sugere-se a inclusão de conteúdos no livro “Minha Vida, Minha carreira” e a utilização de suas páginas como recurso. Observe-se em geral, porém, que a decisão sobre a inclusão de conteúdos e sobre a utilização de suas páginas é, em última instância, do jovem.

Log Book: Apresente a proposta do Log Book para o Eixo III. Diferentemente dos outros Eixos, todos os participantes deverão registrar as atividades e redigir o Log Book, todos os dias. Para tanto, cada jovem receberá 30 folhas de papel sulfite para redigir o seu Log Book. A cada dia, um dos jovens será sorteado para fazer a leitura do seu relato da aula anterior.

  

 8. Apresentação individual 3 

 Solicite a apresentação, pelo terceiro jovem, de sua música, sua qualidade e seu acontecimento. Dê continuidade à construção do Mural das Qualidades Humanas.

 

Observações:

1.      Solicite que os jovens tragam, para a próxima aula, fotos e outras recordações que possam ilustrar uma linha do tempo da vida de cada um.

2.      Solicite aos jovens que ainda não fizeram a apresentação de sua música, que deixem a gravação da música na sala de aula ou a tragam em todas as aulas posteriores de PVC. 

 

 

Instrumentos e critérios de avaliação

§     Apresentações individuais de músicas.

§     Observações, sensações e relações estabelecidas a partir da atividade Estética de si.

§     Relação de atributos que conferem valor à vida.

§     Estilos de vida apresentados pelos jovens.

§     Melhorias efetuadas na proposta do Plano de Vida e Carreira.

 

 
 
 
 

 

 

 

 
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