Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

PRECE 13 de agosto de 2012

Reproduzimos hoje um posta já publicado no Blog Aprender com Poesia. O texto trata do uso do poema Prece, de Fernando Pessoa, em situações de aprendizagem criativa.

O poema Prece foi musicado por André Luiz Oliveira, juntamente com alguns dos outros poemas do livro Mensagem, de Fernando Pessoa, incluindo Padrão, já publicado neste blog.

Em situações ou dinâmicas de aprendizagem na empresa ou na escola, pode-se  optar por usar a música na interpretação de Gilberto Gil, disponível no CD Mensagem.

O poema Prece fala da possibilidade humana de renascimento, sempre presente, ainda que a situação esteja distante dos tempos áureos. Aponta a chama da vida como a condição única para novas viagens, novos projetos, novas distâncias a percorrer.

Uma leitura ou a audição da música com o acompanhamento do texto do poema é bastante pertinente nas situações de aprendizagem em que é necessário um estímulo para a mudança. Quando a descrença, ou desesperança, ameaça comprometer o desenvolvimento de uma proposta de trabalho, o poema Prece dá o toque certo e aponta o caminho para a conquista da distância possível: a que seja nossa!

O poema tem sido inserido em  dinâmicas de aprendizagem criadas pela Germinal Consultoria, para uso em empresas, escolas e órgãos públicos.

    PRECE                                       

  Fernando Pessoa

Senhor, a noite veio e a alma é vil.

Tanta foi a tormenta e a vontade!

Restam-nos hoje, no silêncio hostil,

O mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,

Se ainda há vida ainda não é finda.

O frio morto em cinzas a ocultou:

A mão do vento pode ergue-la ainda.

Dá o sopro, a aragem, – ou desgraça ou ânsia -

Com que a chama do esforço se remoça,

E outra vez conquistemos a Distância -

Do mar ou outra, mas que seja nossa!

Ouça o poema musicado e interpretado por André Luiz Oliveira.

Se preferir ouvir Prece na voz de Gilberto Gil, clique no link abaixo:

http://leaoramos.blogspot.com/2007/01/fernando-pessoa-gilberto-gil-em-prece.html

 

A Nova Flauta 23 de agosto de 2011

 

Gostei desde sempre do texto reproduzido a seguir. Considerando o tema central (ensinar e aprender) esse gostar é facilmente explicado. Esse é o tema que mais interessa a todo educador. Considerada a forma de aprender e ensinar mostrada no texto, esse gostar é menos explicável. Por que essa forma de ensinar me agrada? Por que essa forma de aprender me parece razoável?

 

Um deus pode fazê-lo. Mas como um homem pode penetrar as cordas da lira?(RILKE)

Uma nova flauta foi inventada na China. Descobrindo a sutil beleza de sua sonoridade, um professor de música japonês levou-a para o seu país, onde dava concertos por toda parte. Uma noite, tocou com uma comunidade de músicos e amantes da música que viviam numa certa cidade. No final do concerto, seu nome foi anunciado. Ele pegou a nova flauta e tocou uma peça. Quando terminou, fez-se silêncio na sala por um longo momento. Então, a voz do homem mais velho da comunidade se fez ouvir do fundo da sala: “Como um deus!”

No dia seguinte, quando o mestre se preparava para partir, os músicos o procuraram e lhe perguntaram quanto tempo um músico habilidoso levaria para aprender a tocar a nova flauta. “Anos”, ele respondeu. Eles lhe perguntaram se aceitaria um aluno, ele concordou. Depois que o mestre partiu, os homens se reuniram e decidiram enviar-lhe um jovem e talentoso flautista, um rapaz sensível à beleza, dedicado e digno de confiança. Deram-lhe dinheiro para custear suas despesas e as lições de música, e o enviaram à capital, onde o mestre vivia.

O aluno chegou e foi aceito pelo professor, que lhe ensinou uma única e simples melodia. No início, recebeu uma instrução sistemática, mas logo dominava todos os problemas técnicos. Agora, chegava para a sua aula diária, sentava-se e tocava a sua melodia – e tudo o que o professor lhe dizia era: “Falta alguma coisa”. O aluno se esforçava o mais que podia, praticava horas a fio, dia após dia, semana após semana, e tudo o que o mestre dizia era: “Falta alguma coisa”. Implorava ao mestre que escolhesse outra música, mas a resposta era sempre “não”. Durante meses e meses, todos os dias ele tocava e ouvia “Falta alguma coisa”. A esperança de sucesso e o medo do fracasso foram se tornando cada vez maiores, e o aluno oscilava entre a agitação e o desânimo.

Finalmente, a frustração o venceu. Ele fez as malas e partiu furtivamente. Continuou a viver na capital por mais algum tempo, até que seu dinheiro acabou. Passou a beber. Finalmente, empobrecido, voltou à sua província natal. Com vergonha de mostrar-se a seus antigos colegas, foi viver numa cabana fora da cidade. Ainda mantinha sua flauta, ainda tocava, mas já não encontrava nenhuma nova inspiração na música. Camponeses que por ali passavam ouviam-no tocar e enviavam-lhe seus filhos para que ele lhes desse lições de música. E assim ele viveu durante anos.

Uma manhã, bateram à sua porta. Era o mais antigo mestre da cidade, acompanhado de seu mais jovem aluno. Eles lhe contaram que naquela noite haveria um concerto e que todos haviam decidido que não tocariam sem ele. Depois de muito esforço para vencer seu medo e sua vergonha, conseguiram convencê-lo, e foi quase num transe que ele pegou uma flauta e os acompanhou. O concerto começou. Enquanto esperava atrás do palco, no final do concerto, seu nome foi anunciado. Ele subiu ao palco com fúria. Olhou para as mãos e percebeu que havia escolhido a nova flauta.

Agora ele sabia que não tinha nada a ganhar e nada a perder. Sentou-se e tocou a mesma melodia que tinha tocado tantas vezes para o mestre no passado. Quando terminou, fez-se silêncio por um longo momento. Então, a voz do homem mais velho se fez ouvir, soando suavemente do fundo da sala: “Como um deus[1]!”


[1]Nachmanovitch, Stephen. Ser Criativo. São Paulo, Summus Editorial, pág. 13 à 15.

 

Escravos de Jó 6 de abril de 2011

Convide os alunos para participarem de um jogo chamado Escravos de Jó, onde os jogadores, sentados no chão, cantam a seguinte canção[1]:

Escravos de Jó

Jogavam caxangá,

Tira, bota,

Deixa ficar!

Guerreiros com guerreiros

Fazem zigue, zigue, zá.

Guerreiros com guerreiros

Fazem zigue, zigue, zá.

Ao mesmo tempo em que cantam, os participantes movem objetos[2] seguindo um ritmo determinado. Cada participante tem um objeto. Durante cada rodada de canto, o objeto que está na mão de cada participante deverá ser passado para o participante à sua direita, com movimentos e sequência ditados pelos versos da canção.

Você perceberá que o jogo admite dois resultados. Se todos jogam corretamente, o movimento grupal é harmonioso e constante e os objetos fluem ritmicamente entre os participantes. Se alguém erra, os objetos se acumulam em pontos específicos da roda de participantes. A probabilidade de erro será muito grande nas rodadas iniciais devido à falta de coordenação do grupo.

A cada erro, você deverá suspender a atividade e solicitar uma avaliação da situação pelos participantes. A causa do erro deve ser identificada e sugestões de mudanças serem formuladas pelos próprios aprendizes. Os participantes, em nova rodada do jogo, tentam implementar as mudanças. Novo erro, nova parada, nova avaliação, nova mudança. Depois do acerto do grupo, as rodadas em ritmo crescente são repetidas. Em qualquer momento do jogo, na ocorrência de erros, você deve repetir as paradas, as avaliações e as mudanças.

Dominadas as competências necessárias ao jogo (cantar a música, fazer os movimentos adequados, ajustar seu ritmo ao ritmo dos companheiros e da música, manter a concentração…), convide os alunos a experimentarem variações do mesmo. A música pode deixar de ser cantada e passar a ser murmurada ou assoviada. Por fim, todos jogam silenciosamente, cantando mentalmente a música e o som dos objetos tocando ritmicamente o chão domina o ambiente.

Terminado o jogo promova uma discussão sobre a experiência vivida. Na discussão deve ficar claro que os participantes viveram uma experiência de aprender a fazer associada à de aprender a conviver. A questões fundamentais que devem orientar a discussão são: como aprenderam a fazer (a cantar a música, as técnicas do jogo) e como aprenderam a conviver (a coordenar seus movimentos com os demais e cooperar com os outros na realização da tarefa comum).


[1] A canção tem variações na letra. Alguns dos participantes podem conhecer outra versão. Um dos desafios do jogo é chegar a um consenso unânime sobre a letra da canção.

[2] Podem ser latinhas de balas, caixas de fósforo, pedras de dominó… O importante é que o objeto produza ruído quando movimentado e, principalmente, quando toca o chão.

 

Ao mestre com carinho 15 de outubro de 2010

Filed under: Eventos,Sem Categoria — José Antonio Küller @ 3:53 pm
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Em homenagem ao dia do professor:

 

 

Dinâmica: usando a comunicação não-verbal no trabalho 6 de outubro de 2010

Organize pequenos grupos e faça a eles uma proposta de trabalho: montar um videoclipe em que as três possibilidades de comunicação não-verbal no trabalho (equipe/equipe, cliente/cliente, cliente/equipe)  estejam integradas. Ao som de uma música previamente escolhida, cada grupo deverá criar uma cena em que uma comunicação empática, tranqüila e multi-expressiva é estabelecida entre a equipe de trabalho e os clientes. O videoclipe deve envolver:

  • a escolha da música[1];
  • apresentação do cenário;
  • a equipe se comunica de forma-não verbal;
  • o cliente expressa suas necessidades de forma não-verbal;
  • a equipe entende e atende às necessidades do cliente e comunica-se com ele de forma não-verbal.

Faça sugestões aos grupos de utilizar, na criação dos videoclipes, diferentes gêneros teatrais: drama, comédia, suspense, etc.

 

 

Refletindo sobre a comunicação não-verbal

Em painel, coordene a apresentação dos videoclipes. Combine com os grupos apresentações sucessivas, sem intervalo ou dispersão. Consiga o compromisso do público (grupos que não se apresentam no momento) em assistir atentamente todos os trabalhos e registrar tudo o que parecer significativo.

Após a apresentação dos videoclipes, proponha a análise dos trabalhos, referenciada nos objstivos educacionais previstos. Faça perguntas aos observadores, em relação a cada trabalho em foco. Faça também os seus comentários e sintetize a contribuição de cada trabalho apresentado. Não se esqueça de valorizar a criatividade e o empenho de fazer bem feito.


[1] Leve para a sala de aula, neste dia, uma série de CDs contendo um repertório musical diversificado e, se possível, relacionado ao tema.

 

Plano de Vida e Carreira (excerto de outra alternativa) 19 de março de 2009

 

Esta é uma amostra do trabalho desenvolvido para o Trilha Jovem. A primeira versão do Projeto Trilha Jovem derivou de uma proposta curricular desenvolvida, em 2001, pela Germinal Consultoria para o Instituto de Hospitalidade (IH), de Salvador, na Bahia. Essa primeira versão foi alterada pelo IH nas primeiras implementações. Depois, a versão original e a inicialmente implementada foram fundidas na versão atual. A Germinal também contribuiu nesse trabalho. 

 

Por fim, a partir da crítica, sistematização, reformulação e ampliação dos planos de aula utilizados nas primeiras implementações, a Germinal criou as Referências para a Ação Docente, que são manuais que apresentam sugestão, passo a passo, de desenvolvimento de todas as unidades curriculares do Projeto. Para mais informações sobre o Trilha Jovem, clique aqui.

 

O texto a seguir é a referência para a ação docente no desenvolvimento de uma das Sessões de Aprendizagem do Plano de Vida e Carreira, projeto articulador do Eixo III – Construir um Plano de Vida e Careira – do Projeto Trilha Jovem. O excerto foi retirado das Referências para a Ação Docente, desenvolvidas pela Germinal e publicadas pelo Instituto de Hospitalidade. O texto não foi originalmente editado da forma como é apresentado aqui. Ele constitui apenas uma amostra do trabalho da Germinal na formatação de programas de educação básica para o trabalho.

 

Dois textos já publicados aqui no blog fundamentam a escolha do conteúdo e e a opção metodológica utilizada na aula apresentada e na unidade didática Projeto de Vida e Carreira. Para acessar o texto Reflexões em torno de uma Oficina de Apresentação Pessoal, clique aqui. Para acesso ao texto Como trabalhar metodologias na educação profissional, clique aqui.

  

 

Plano de Vida e Carreira (pvc) 

Aula 3/7

Competências

Situações de aprendizagem

recursos

tempo

 

Reconhecer os próprios valores e/ou pontos fortes.

Traçar objetivos e metas pessoais e profissionais.

Construir um Plano de Vida e Carreira (PVC).

Promover o cuidado de si mesmo.

 

 

1. Aquecimento – Apresentação individual 8.

Som e música do jovem. Retroprojetor ou Data-Show. Som. Log Book.

5’

2. Carpe Diem.

TV e DVD.

75’

3. Apresentação individual 9.

Som e música do jovem.

5’

INTERVALO

15’

4. Apresentação individual 10.

Som e música do jovem.

5’

5. Regras estéticas para a vida.

Som, músicas, letras de música e material de colagem, desenho e pintura. Tarjetas.

 

100’

6. Atividade com os ovos.

1 ovo para cada participante.

30’

7. Apresentação individual 11.

Som e música do jovem.

5’

         

Objetivos

1.      Dar continuidade na formulação de uma proposta de construção estética da existência.

2.      Orientar a definição dos componentes estratégicos (missão, visão e valores) do Plano de Vida e Carreira.

3.      Possibilitar o envolvimento emocional com essas primeiras definições.

4.      Propiciar a elaboração e classificação de regras estéticas para a vida, como base para a construção dos planos de vida e carreira.

5.      Criar um clima de respeito pela diferença e valorização da diversidade.

6.      Mobilizar o grupo para uma reflexão posterior sobre a constituição da família, em especial, sobre os problemas da gravidez não-planejada.

 

 

Descrição das situações de aprendizagem

 

1. Aquecimento – Apresentação individual 8 

 

No início da sessão, a sala está obscurecida. Em contraste com a penumbra, o retroprojetor ilumina o poema “Sonho de Herói”, de Murilo Araújo. Ouve-se um fundo musical suave e que induz à reflexão (O Adagietto da Sinfonia Nº 5 de Mahler, por exemplo. Existem muitas gravações. Pode ser usada a gravação existente em: KARAJAN, H.V. Karajan forever. Hamburgo, Deutsche Grammophon, 2003. CD.)
 
 
        

 

Observe que foi sugerida uma repetição de parte do cenário. Recomenda-se a mesma sala obscurecida. O obscurecimento da sala é acessório. Nesse início, o importante são os poemas, que introduzem, de forma simbólica, o tema do dia. Obscurecer a sala é um recurso para destacar o poema. Se não for possível o obscurecimento da sala ou se você quiser variar o recurso, outras possibilidades de destaque do poema podem ser usadas.

 

Como sempre, receba os jovens na porta do ambiente de aprendizagem (Assim você pode dar um exemplo de pontualidade, atitude fundamental no sucesso profissional dos jovens na área de turismo). Solicite que entrem e permaneçam em silêncio para um momento de reflexão e recapitulação do dia anterior. Retorne à iluminação normal. Proceda ao sorteio do relator e solicite a leitura do Log Book.

 

 

Abra espaço para a oitava apresentação individual de qualidade, acontecimento e música feita por um dos jovens. A partir desta aula, as apresentações podem ser estimuladas a partir da seguinte provocação: alguém tem uma música que pode ser apropriada para este momento? Continue a construção do Mural das Qualidades Humanas.

 

2. Carpe Diem

 

Em painel, anuncie a exibição da seqüência inicial do filme “Sociedade dos Poetas Mortos (”SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS. Dirigido por Peter Weir. EUA, Buena Vista, 1989. 1 DVD.  A primeira seqüência termina no fim da cena que acontece fora da sala de aula, no corredor da escola, onde o professor mostra as fotografias dos ex-alunos e exorta: “Carpe Diem!”).  

 

 

Após a exibição, sem comentários, projete novamente o poema, agora com as luzes acessas. Peça que um voluntário leia o poema para a classe, em voz alta.

 

SONHO DE HERÓI

Com um galho de bambu verde

e dois ramos de palmeira

eu hei de fazer um dia o meu cavalo – com asas!

Subirei nele, com vento, lá bem alto,

de carreira,

por sobre o arvoredo e as casas.

 

Voarei, roçando o mato,

as copas em flor das árvores,

como se cruzasse o mar…

e até sobre o mar de fato

passarei nas nuvens pálidas

muito acima das montanhas, das cidades, das cachoeiras,

mais alto que a chuva, no ar!

 

E irei às estrelas,

ilhas dos rios de além,

ilhas de pedras divinas,

de ribeiras diamantinas

com palmas, conchas, coquinhos nas suas praias também…

praias de pérola e de ouro

onde nunca foi ninguém…

 

 

ARAÚJO, M. Poemas completos de Murilo Araújo. Rio de Janeiro: Pongetti. 1960, pág. 84.

 

 

Promova, a seguir, um breve debate sobre o filme, seguido da comparação entre filme, poema e atividades das sessões anteriores.

 

Missão

Em momento apropriado, solicite que os jovens, individualmente, definam uma possível missão de vida (o que fará a minha vida extraordinária / o que fará a minha vida bela / qual meu sonho de herói?) e a visão pessoal (que pretendo vir a ser como pessoa nos próximos anos. As definições devem ser curtas e claras e escritas em apenas duas tarjetas de cores diferentes.

 

Quando os jovens terminarem, em painel, solicite a apresentação, uma a uma, das missões e visões propostas. Promova uma breve discussão das missões e visões apresentadas. Faça indicações de melhoria da redação, se necessário. Possibilite um tempo aos que queiram fazer uma revisão da missão e da visão pessoal.

 

3. Apresentação individual 9

 

Antes do intervalo, solicite a nona apresentação individual.

 

4. Apresentação individual 10

 

Depois do intervalo, promova a décima apresentação individual.

 

5. Regras estéticas para a vida

 

Proponha, inicialmente, a definição de regras estéticas para a vida. Cada jovem deve trabalhar a partir da seguinte questão: que regras de vida eu devo definir para atingir a minha visão e missão e, assim, tornar bela minha existência? As regras devem ser escritas de forma sucinta e clara e transcritas em tarjetas de cor diferente daquelas usadas para a visão e a missão. O conjunto das tarjetas de cada jovem pode inspirar mais uma página do livro “Minha Vida, Minha Carreira”.

 

Depois do trabalho individual de elaboração das regras, divida os jovens em quatro grupos. Atribua a tarefa aos grupos: criação e preparo de um videoclipe a partir de uma música determinada. Todos os grupos trabalharão sobre o mesmo tema: como fazer a vida bela ou como fazer da vida uma obra de arte.

 

O videoclipe poderá ter duração superior à da música e deve conter uma rápida verbalização de cada um dos integrantes do grupo. A verbalização deverá incluir a leitura das tarjetas que contenham as regras estéticas da existência (como tornar a vida bela) assumidas por aquele participante. Não se trata de simplesmente ler as tarjetas, mas sim, com esses elementos, embelezar a cena.

 

As músicas propostas são: Beleza Pura; Sonho Impossível; Tocando em Frente e Redescobrir. Você pode substituir as músicas por outras mais ao gosto da região ou dos jovens desde que, em suas letras, elas façam menção direta ou simbólica ao tema em pauta. Apresentam-se a seguir os vídeos e  as letras das músicas sugeridas.

 

 

Grupo A: Beleza Pura

 

Não me amarra dinheiro não

mas formosura

Dinheiro não

a pele escura

Dinheiro não

a carne dura

Dinheiro não

 

Moça preta do Curuzu

Beleza pura

Federação

Beleza pura

Boca do Rio

Beleza pura

Dinheiro não

 

Quando essa preta começa a tratar do cabelo

É de se olhar

Toda a trama da trança a transa do cabelo

Conchas do mar

Ela manda buscar pra botar no cabelo

Toda minúcia

Toda delícia

 

Não me amarra dinheiro não

mas elegância

Não me amarra dinheiro não

mas a cultura

Dinheiro não

a pele escura

Dinheiro não

a carne dura

Dinheiro

não

 

Moço lindo do Badauê

Beleza Pura

Do Ilê aiyê

Beleza Pura

Dinheiro Yeah

Beleza Pura

Dinheiro não

 

Dentro daquele turbante dos filhos de Gandhi

É o que há

Tudo é chique demais, tudo é muito elegante

Manda botar

Fina palha da corte e que tudo se trance

todos os búzios

todos os ócios

Não me amarra dinheiro não.

Mas os mistérios.

 

VELOSO, C. Beleza Pura. In: Cinema transcendental: a outra banda da terra. Polygram, 1999, 1 CD.

 

 

Grupo B: Sonho Impossível

 

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

 

DARION, J. e LEIGH, M. Versão Chico Buarque e Ruy Guerra. Sonho Impossível. In: Sonho impossível. Maria Bethânia, EMI, 2003, 1 CD

 

 

Grupo C: Tocando Em Frente

 

Ando devagar

Porque já tive pressa

Levo esse sorriso

Porque já chorei demais

 

Hoje me sinto mais forte

Mais feliz quem sabe

Só levo a certeza

De que muito pouco eu sei

Eu nada sei

 

Conhecer as manhas e as manhãs

O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar

É preciso paz pra poder sorrir

É preciso a chuva para florir

 

Penso que cumprir a vida

Seja simplesmente

Compreender a marcha

Ir tocando em frente

 

Como um velho boiadeiro

Levando a boiada

Eu vou tocando os dias

Pela longa estrada

Eu vou

Estrada eu sou

 

Conhecer as manhas e as manhãs

O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar

É preciso paz pra poder sorrir

É preciso a chuva para florir

 

Todo mundo ama um dia

Todo mundo chora um dia

A gente chega

E o outro vai embora

Cada um de nós

Compõe a sua história

Cada ser em si carrega o dom de ser capaz

De ser feliz.

 

SATER, A., TEIXEIRA, R. Tocando em frente. In: Um Violeiro Toca. Som Livre, 2006, 1 CD.

 

 

Grupo D: REDESCOBRIR

 

Como se fora brincadeira de roda

                     Memória

Jogo do trabalho na dança das mãos

                     Macias

O suor dos corpos na canção da vida

                     História

O suor da vida no calor de irmãos

                     Magia

Como um animal que sabe da floresta

                     Memória

Redescobrir o sal que está na própria pele

                     Macia

Redescobrir o doce no lamber das línguas

                     Macias

Redescobrir o gosto e o sabor da festa

                     Magia

Vai o bicho homem fruto da semente

                     Memória

Renascer da própria força a própria luz e fé

                     Memória

Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós

                     História

Somos a semente, ato, mente e voz

                     Magia

Não tenha medo meu menino povo

                     Memória

Tudo principia na própria pessoa

                     Beleza

Vai como a criança que não teme o tempo

                     Mistério

Amor se fazer é tão prazer que é como fosse dor

                     Magia

 

GONZAGA JR, L. Redescobrir. In: Elis: saudades do Brasil, Warner, 2001, CD duplo.

 

 

Apresentação dos grupos

Em painel, coordene a apresentação dos videoclipes. A apresentação de cada videoclipe (incluindo a cena com as tarjetas) deverá ter, no mínimo, a duração da música e, no máximo, cinco (5) minutos.

 

Após a apresentação, organize a formação de um grande quadro com as regras estéticas para a vida, integrando as tarjetas de todos os jovens. As tarjetas são colocadas no chão e, sem falar ou usar mímica, a classe organiza as tarjetas por tema ou âmbito de aplicação das regras: trabalho, cuidados pessoais, relações familiares etc.

 

Promova uma discussão aberta sobre a vivência. Depois, oriente a numeração das tarjetas para facilitar recomposições posteriores do quadro. O quadro pode ser individualmente recriado e ser uma outra página do livro “Minha Vida, Minha Carreira”. Outra possibilidade é a recriação do quadro para o evento de inserção profissional previsto para o final do Trilha Jovem.

 

 

6. Atividade com os ovos

 

Faça a distribuição de um ovo por participante. Os jovens devem cuidar dos ovos como se fossem filhos, relatando a experiência no Log Book. Ao cuidar dos “filhos”, os jovens devem obedecer às seguintes regras:

 

·         trazer seus “filhos” para as atividades do Trilha Jovem, todos os dias até a aula 6/7 de PVC;

·         quando um “filho” for quebrado, o jovem deverá pagar uma prenda, acordada previamente pelo grupo e o educador;

·         quando um jovem deixar de trazer seu “filho” para as atividades do Trilha Jovem, também deverá pagar uma prenda (uma prenda para cada dia de ausência do “filho”).

 

Oriente um trabalho individual de arte plástica com os ovos. Os ovos devem ganhar uma identidade, permitindo a identificação dos “filhos”. Solicite também que os jovens definam os nomes dos “filhos”. Por fim, defina, junto com os jovens, as prendas a serem pagas.

 

 

7. Apresentação individual 11

Em painel, localize um voluntário que tenha a música apropriada para o momento, para fazer a última apresentação individual de qualidade, acontecimento e música, encerrando o dia.

 

 

Instrumentos e critérios de avaliação

§    Apresentações individuais de músicas.

§    Discussão a partir do poema e do filme.

§    Definições de missão e visão.

§    Regras estéticas para a vida definidas.

§    Concepção e apresentação dos videoclipes.

§    Painel de regras estéticas para a vida.

§    Reação à proposta da atividade com os ovos.

 

 

Ninguém aprende samba no colégio, infelizmente 8 de março de 2009

Caricatura de Noel Rosa

 

Uma das preocupações fundamentais no desenho das soluções educacionais da Germinal Consultoria é o uso intensivo da arte. Já discutimos as razões disso em Aprendizagem Criativa.

 

 Ao usar  a arte como recurso pedagógico, acrescenta-se outra precupação: escolher o que é “clássico” na cultura brasileira. A escolha dos excertos de literatura, das poesias (veja em Aprender com Poesia) e, principalmente, das músicas segue essa orientação.

 

Depoimentos de professores que tem utilizado o material da Germinal indicam que ele ajuda na melhoria do gosto musical dos jovens e na valorização do que temos produzido de bom na música popular brasileira.

 

Por isso, chamou-nos a atenção o artigo  “Ninguém aprende samba no colégio infelizmente”, que assim é iniciado:

 

“A alusão ao samba de Noel Rosa, no título deste artigo, não é sem propósito. Sendo o samba, e o futebol, um dos componentes do DNA da identidade brasileira, a ironia do poeta da Vila é de deixar triste e cabisbaixo qualquer um que ame a cultura popular. Noel não se fez de rogado ao expor ao ridículo a tendência das elites culturais tupiniquins da época em afrancesar-se ou americanizar-se para se parecerem sofisticadas. Dizia ele num de seus sambas, eternizado na voz de Aracy de Almeida:

 

Amor lá no morro é amor pra chuchu

As rimas do samba não são I love you

E esse negócio de alô,

Alô boy, alô Johny

 

Só pode ser conversa de telefone. Ao mesmo tempo que faz galhofa do vazio moral dessas elites, acusa também a cultura oficial escolar, preocupada em macaquear uma tradição que pouco lhe diz respeito e que, em contato com a realidade social brasileira, figura-se ridícula, porque postiça: não se aprende samba no colégio porque não seja legítimo, mas porque o colégio está atolado no pedantismo que rejeita o Brasil real, com sua originalidade, em favor de um “glacê” simbólico que, deslocado do país de origem, não significa nada, ou antes, indica uma moléstia congênita e atroz, que Nelson Rodrigues definiu agudamente como “complexo de cachorro vira-lata”.”

(…)

 

O texto completo  foi originalmente publicado em Amplexos do Jeosafá. Para quem quiser ler o artigo inteiro, clique em Ninguém aprende samba no colégio, infelizmente. Boa leitura.

 

Para ouvir, postamos Feitio de Oração, música de Noel, de cuja letra foi retirado o verso que faz parte do título deste post.

 

 

 

 
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