Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

Colégios da elite do Enem têm poucas turmas e fazem vestibulinho 23 de novembro de 2012

Texto de Tatiana Klix, publicado no iG Último Segundo, em 23/11/2012.

A estratégia adotada pelo Objetivo Colégio Integrado de São Paulo há três anos se concretizou como uma receita de sucesso para garantir um lugar na elite das escolas de ensino médio brasileiras, segundo a nota dos alunos concluintes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Entre os 10 colégios com melhores médias nas provas objetivas em 2011 , nove são particulares, pelo menos seis promovem seleções com seus alunos e sete atendem a um grupo de menos de 100 estudantes privilegiados. No topo, a escola paulistana encabeça a lista com uma turma de 42 alunos de rendimento excepcional, escolhidos a dedo no Sistema Objetivo para entrar em escola separada, amplamente promovida em ações publicitárias.

A polêmica prática não é replicada na íntegra nos outros colégios particulares top 10 do Enem 2011 – Elite Vale do Aço (MG), Bernoulli Lourdes´(MG), Vértice (SP), Ari de Sá Cavalcante (CE), Dom Barreto (PI), Integrado de Mogi das Cruzes Objetivo, Santo Antônio (MG) e São Bento (RJ) -, mas quase. São responsáveis pelas médias acima de 700 de nove escolas apenas 795 estudantes, dos mais de 550 mil concluintes do ensino médio que representam 10.076 instituições incluídas no levantamento do Ministério da Educação divulgado nesta quinta-feira, dia 22. Entre as 10 líderes, há apenas uma escola federal, o Colégio Aplicação da Universidade Federal de Viçosa, de Minas Gerais.

A escola com a segunda melhor média aparece nessa elite pela primeira vez, por uma explicação bem simples: é também a primeira vez que forma uma turma de terceiro ano. O Colégio Elite de Ipatinga é novo, criado por três irmãos da cidade que se formaram no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e voltaram para casa com o objetivo de oferecer preparação de alto nível para os jovens da região entrarem mas melhores universidades do País. E conseguiram. A partir de experiências do sistema Elite em outras cidades e estratégias como boa formação de professores, a escola tem entre as características que garantiram seu sucesso a pré-seleção de alunos para a única turma com 30 vagas disponível para as três séries da última etapa escolar do ensino básico.

“Para entrar na escola, tem um processo seletivo, porque temos turmas reduzidas”, explica André Castro, coordenador pedagógico do Elite Vale do Aço. “A proximidade com alunos e professores possível em uma escola pequena é um diferencial”, completa.

Também fazem algum tipo de vestibulinho para escolher seus alunos o colégio Bernoulli, em Belo Horizonte, que ainda tem uma unidade separada apenas para alunos do terceiro ano do ensino médio e de cursos pré-vestibular, o Santo Antônio, da mesma cidade, o Ari de Sá Cavalcante, em Fortaleza, e o São Bento, no Rio de Janeiro.

Os dois colégios da capital mineira do grupo são os únicos que registraram no Enem no ano passado mais de 100 alunos participantes – 217 do Bernoulli e 239 do Santo Antônio. “São 6 turmas do 3º ano, um total de 283 alunos”, diz o diretor do geral e pedagógico Frei Jacir de Freitas Faria, que estranhou a divulgação do número de participantes abaixo do esperado no Santo Antonio.

Nas outras escolas particulares com médias superiores a 700, o número de alunos concluintes não passou de 89 (Instituto Dom Barreto). Além do Elite, também oferecem apenas uma turma a unidade do Objetivo de Mogi das Cruzes, no interior paulista, que teve 34 alunos no Enem 2011. O Vertice, da capital de São Paulo, tem duas turmas de terceiro ano, das quais fizeram o exame 48 alunos. No Ari de Sá, 47 estudantes são responsáveis pelo excelente resultado, e no São Bento, 52. “Estatisticamente, isso pode ser uma vantagem”, diz Adilson Garcia, diretor do Colégio Vertice, que tradicionalmente aparece entre os primeiros do ranking.

Turma dos inteligentes

O Colégio Integrado Objetivo assumiu a dianteira do ranking do Enem pela primeira vez este ano. Criado em 2009, no ranking daquele ano o colégio que abriga alunos superinteligentes, medalhistas de olimpíadas do conhecimento e até considerados superdotados, conseguiu ocupar o segundo lugar após decisão judicial . Em 2010, a escola ficou em terceiro lugar.

Ainda antes da divulgação dos dados de 2011, o Colégio Etapa, de São Paulo, acusou através de cartazes em suas unidades e pelas redes sociais o Objetivo de praticar embuste, através de ação publicitária. O concorrente questiona folhetos distribuídos pelo Objetivo, como o disponível no site http://www.portalobjetivo.com.br/noticias.asp?id=3781 , em que a frase “Sistema Objetivo 1º Lugar no Enem” é destacada no topo do anúncio. Apenas abaixo, dentro de um mapa do Brasil, aparece: “Colégio Objetivo Integrado 1º lugar no Enem; Em toda a capital de São Paulo; Em todo o estado paulista; nas provas das quatro áreas do conhecimento, em todo o Brasil”.

*Colaborou André Carvalho

 

Novos resultados do ENEM = Velhas conclusões 12 de setembro de 2011

Em outro texto já discutimos os motivos para a boa classificação das escolas no ENEM. Consideramos que o fator fundamental para o sucesso são os alunos que essas escolas abrigam e não necessariamente as suas propostas pedagógicas ou a qualidade de ensino que proporcionam.

As escolas são melhor classificadas no Enem porque são freqüentadas pelos alunos com melhor formação inicial. As escolas particulares selecionam os melhores alunos especialmente através de critérios sócioeconômicos. Os alunos que conseguem pagar o valor de suas mensalidades são aqueles que também têm mais acesso aos bens socioculturais e uma formação  de base que facilita percorrer os áridos caminhos de aprendizagem do ensino médio. Os alunos das escolas públicas melhor classificadas passam por uma seleção concorrida (vestibulinho) antes do início do ensino médio.

Em, ENEM 2010: ESCOLAS EM DESTAQUE,   uma série de comentários sobre os resultados por escolas no Enem 2010, o UOL Educação, reúne um conjunto de comentários sobre as médias obtidas pelas escolas a partir dos resultados de seus alunos. Dessa série de artigos destacamos alguns excertos. Eles revelam que as melhores escolas de ensino médio são aquelas que conseguem recrutar os melhores alunos. Não são necessariamente aquelas que ofertam ou proporcionam o melhor ensino.

Melhor nota no Enem 2010, colégio carioca investe em “fundamental forte e com disciplina”

Como outras escolas que figuram entre as melhores, segundo a média total do Enem por escola, o público é seleto — há exame para admissão na instituição. Existe, ainda, outra peneira: a mensalidade varia de R$1.900 a R$2.100 e não há programas de bolsa de estudos para ingressantes.

Melhor escola pública do país tem vestibulinho, professores com mestrado e funciona na UFV

Os alunos do Coluni-UFV passam por uma seleção em que a concorrência se aproxima de dez interessados por vaga. Assim, os escolhidos já chegam com melhor “bagagem inicial”. As instalações, como laboratórios, são boas e 80% dos professores são contratados em regime de dedicação exclusiva (e são pagos acima da média das escolas públcias por isso).

Segunda melhor no país no Enem por escola, particular do Piauí tem 30 alunos para cada vaga

Com mensalidade de R$ 695 para o ensino médio, a concorrência no Dom Barreto chega a 30 candidatos para cada vaga — processo que é realizado anualmente por meio de provas e entrevista.

O valor mensal desembolsado pelos responsáveis é baixo, se comparado com os quase R$ 3.000 da escola com maior nota no Enem, o Colégio Vértice de São Paulo. No entanto, o investimento supera bastante o que o governo considerou o mínimo a ser investido por aluno — em 2011, um aluno do ensino médio no Estado do Piauí será de R$ 2.066,46 durante o ano todo.

Melhor colégio de SP no Enem por escola “estuda” o aluno antes de aceitar matrícula

 Mesmo sem vestibular, não é tão fácil estudar no colégio. As vagas para a educação infantil (a partir de três anos) e para o fundamental 1 são preenchidas por ordem de chegada, após reuniões com os diretores e visitas monitoradas pela escola. Para ingressar no fundamental 2 ou no ensino médio, as exigências aumentam: “Damos prioridade para famílias que já tenham outras crianças na escola e para pais ou mães que já foram nossos alunos”, explica Garcia. Alunos que não preencham essas condições são convidados a passar um dia no colégio, quando serão avaliadas as formas como eles registram as aulas e fazem os exercícios, além dos materiais que utilizam nas outras escolas.

De acordo com Garcia, se mesmo após estas etapas a dúvida sobre a aceitação do aluno persistir, é pedido que o interessado faça uma redação e exercícios de matemática. Se for aceito, o aluno ainda terá que pagar a quantia de R$ 2.998 por mês.

Melhor pública de São Paulo no Enem por escola, Etec é “escolha do aluno”

A Etec São Paulo seleciona seus alunos por meio de um vestibulinho aplicado pelo Centro Paula Souza. São oferecidas 200 vagas para o ensino médio. Na última seleção, foram recebidas 1.506 inscrições – uma relação de 7,53 candidatos para cada vaga. “Termina sendo um privilégio estudar aqui, você acaba fazendo uma seleção meritória dos alunos com o vestibulinho”, disse Araújo.

 

O ENEM e a classificação das escolas públicas 20 de julho de 2010

 

A imprensa tem divulgado várias relações de melhores escolas de ensino Médio do país, tendo como referência o ENEM de 2009. Uma delas é o ranking das “melhores” escolas públicas do país ou, melhor dizendo, das melhores classificadas no dito exame. A relação a seguir apresenta as 50 escolas públicas melhor classificadas no ENEM:

P EST. CIDADE                                                 INSTITUIÇÃO REDE ENEM
1 MG Viçosa COLÉGIO DE APLICACAO DA UFV – COLUNI Federal 734,66
2 RJ Rio de Janeiro INSTITUTO DE APLICAÇÃO FERNANDO R DA SILVEIRA CAP-UERJ Estadual 722,58
3 PR Curitiba UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ Federal 717,79
4 RJ Rio de Janeiro ESCOLA POLITÉCNICA DE SAÚDE JOAQUIM VENÂNCIO Federal 715,35
5 SP São Paulo INSTITUTO FEDERAL DE EDUCACAO CIÊNCIA E TECNÓLOGIA DE SAO PAULO Federal 707,22
6 PE Recife COLÉGIO DE APLICACAO DO CE DA UFPE Federal 706,34
7 MS Campo Grande COLÉGIO MILITAR DE CAMPO GRANDE Federal 704,30
8 RS Santa Maria COLÉGIO POLITÉCNICO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE STA MARIA Federal 697,16
9 MG Barbacena ESCOLA PREPARATÓRIA DE CADETES DO AR Federal 692,24
10 BA Salvador COLÉGIO MILITAR DE SALVADOR Federal 692,09
11 BA Simões Filho INSTITUTO FEDERAL DE EDUCACAO CIENCIA E TECNÓLOGIA DA BAHIA Federal 690,08
12 MG Juiz de Fora COLEGIO TÉCNICO UNIVERSITÁRIO Federal 688,95
 13 RJ Rio de Janeiro COLÉGIO PEDRO II Federal 688,69
14 MG Belo Horizonte CENTRO FEDERAL DE EDUCACÃO TECNOLÓGICA DE MINAS GERAIS – BH Federal 686,84
15 SP São Paulo ESCOLA TÉCNICA DE SÃO PAULO Estadual 686,18
16 MG Juiz de Fora COLÉGIO MILITAR DE JUIZ DE FORA Federal 686,07
17 MG Belo Horizonte COLÉGIO MILITAR DE BELO HORIZONTE Federal 685,92
18 RJ Rio de Janeiro INSTITUTO FEDERAL DE EDUCACÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RIO DE JANEIRO CAMPUS MARACANA Federal 685,67
19 RJ Rio de Janeiro COLÉGIO DE APLICAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO Federal 685,53
20 RN Mossoró INSTITUTO FEDERAL DE EDUCACÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO RN CAMPUS MOSSORO Federal 684,67
21 SP Cubatão INSTITUTO FEDERAL DE EDUCACÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SAO PAULO – CAMPUS CUBATAO Federal 683,46
22 BA Salvador INSTITUTO FEDERAL DE EDUCACÃO CIENCIA E TECNOLOGIA DA BAHIA Federal 682,55
23 CE Fortaleza CENTRO FEDERAL TECNOLÓGICO DO CEARA CEFET Federal 681,55
24 RJ Rio de Janeiro CEFET CELSO SUCKOW DA FONSECA Federal 680,94
25 CE Juazeiro do Norte CENTRO FEDERAL DE EDUCACÃO TECNOLÓGICA DO CEARÁ Federal 680,79
26 RJ Rio de Janeiro COLÉGIO PEDRO II UNIDADE HUMAITÁ II Federal 680,19
27 SP Guaratinguetá COLÉGIO TÉCNICO E INDUSTRIAL DA UNESP Estadual 679,64
28 SP Mogi das Cruzes ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL PRESIDENTE VARGAS Estadual 679,64
29 MA São Luís INSTITUTO FEDERAL DE EDUCACAO CIENCIA E TECNOLOGIA DO MARANHAO CAMPUS SAO LUIS-MONTE CASTELO Federal 677,47
30 RJ Rio de Janeiro COLÉGIO MILITAR DO RIO DE JANEIRO Federal 675,72
31 ES Vitória IFES-CAMPUS DE VITÓRIA Federal 675,43
32 RJ Niterói COLÉGIO PEDRO II UNIDADE ESCOLAR DESCENTRALIZADA DE NITEROI Federal 674,83
33 SP Osvaldo Cruz ESCOLA TÉCNICA ESTADUAL AMIM JUNDI Estadual 674,06
34 DF Brasília COLÉGIO  MILITAR DE BRASILIA Federal 673,73
35 RN Natal INSTUTO FEDERAL DE EDUCACAO CIENCIA E TECNOLOGIA DO RN – CAMPUS NATAL-CENTRAL Federal 672,91
36 MG Belo Horizonte COLTEC-COLÉGIO TÉCNICO DO CENTRO PEDAGÓGICO DA UFMG Federal 672,50
37 SP Lorena COLÉGIO TÉCNICO DE LORENA Estadual 672,39
38 SP Paulínia ESCOLA TÉCNICA DE PAULINIA Municipal 671,18
39 PR Curitiba COLÉGIO MILITAR DE CURITIBA Federal 668,99
40 RJ Rio de Janeiro COLÉGIO PEDRO II – UNID REALENGO Federal 668,52
41 PR Pato Branco UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANA Federal 667,74
42 BA Barreiras CEFET BA UNED BARREIRAS Federal 667,25
43 MG Divinópolis CEFET-MG-UNED DIVINOPOLIS Federal 667,20
44 RS Porto Alegre COLÉGIO MILITAR DE PORTO ALEGRE Federal 667,06
45 SP Bauru COLÉGIO TÉCNICO INDUSTRIAL PROF ISAAC PORTAL ROLDAN UNESP Estadual 665,67
46 SP Campinas COLÉGIO TÉCNICO DA UNICAMP Estadual 665,55
47 SP Rio Claro ESCOLA TÈCNICA ESTADUAL ARMANDO BAYEUX DA SILVA Estadual 665,51
48 RJ Nova Iguaçu CEFET – RJ UNED – NOVA IGUACU Federal 664,38
49 SP São Paulo ESCOLA TÈCNICA ESTADUAL PROFESSOR BASILIDES DE GODOY Estadual 664,11
50 RJ Rio de Janeiro COLEGIO PEDRO II-UNIDADE ESCOLAR SAO CRISTOVAO III Federal 663,99

A esmagadora maioria das escolas da relação é técnica. O Colégio Pedro II, tradicional escola secundária do Rio de Janeiro, e os colégios de aplicação vinculados a universidades públicas são as exceções.

Em outro texto já discutimos os motivos para a boa classificação das escolas no ENEM. Consideramos que o fator fundamental para o sucesso são os alunos que essas escolas abrigam e não necessariamente as suas propostas pedagógicas ou a qualidade de ensino que proporcionam.

As escolas são melhor classificadas no Enem porque são freqüentadas pelos alunos com melhor formação inicial. As escolas particulares selecionam os melhores alunos especialmente através de critérios sócioeconômicos. Os alunos que conseguem pagar o valor de suas mensalidades são aqueles que também têm mais acesso aos bens socioculturais e uma formação  de base que facilita percorrer os áridos caminhos de aprendizagem do ensino médio. Os alunos das escolas públicas melhor classificadas passam por uma seleção concorrida (vestibulinho) antes do início do ensino médio. Isso é especialmente verdadeiro para as escolas técnicas federais.

Mas a relação anterior inclui escolas cuja classificação não é necessariamente explicada pela seleção prévia de seus alunos. Não temos informações sobre a concorrência inicial para ingresso nos colégios militares e nas escolas técnicas estaduais situadas em cidades médias, especialmente as do Estado de São Paulo. Mas imaginamos que ela não é tão grande a ponto de explicar a classificação dessas escolas entre as “50 mais”.

A partir desses casos, é interessante propor e pesquisar outra variável explicativa: essas escolas são bem classificadas porque são técnicas. Ou seja, o conteúdo do ensino médio, que é comumente alheio ao cotidiano dos jovens, passa a fazer sentido na medida em que, nessas escolas, se associa a um saber prático e a um fazer correspondente. O interesse despertado por esse fazer se amplia de forma abranger os conteúdos disciplinares de educação geral, que, de outra forma, são abstratos e sem interesse porque apartados das questões concretas da vida, do trabalho e do exercício da cidadania.

 

O que faz um colégio ser bom no ENEM? 12 de novembro de 2009

 

Em post anterior, discutindo uma tabela publicada no jornal Folha de São Paulo em: Melhores colégios tem até 50 candidatos por vaga, concluímos  que os colégios são bem colocados porque selecionam os melhores alunos já no início do Ensino Médio. A seleção se faz por meio de exames de admissão e/ou através da condição sócio-econômica dos candidatos. Os colégios são tão bons quanto os alunos que os frequentam.

 

Em outro post, Resultados do ENEM e Mudanças no Ensino Médio , perseguindo a relação entre a inovação na arquitetura escolar e os resultados do ENEM, fizemos uma busca no google/imagens e nos sites dos 10 colégios mais bem classificados no Brasil, tendo como referência o ENEM de 2008. Constatamos que eles não inovam na arquitetura escolar e que provavelmente também não são inovadores na metodologia de ensino que adotam.

 

Usando os mesmos recursos de pesquisa vamos investigar os 10 “melhores” colégios paulistas. Nesta busca, estamos tentendo responder à seguinte pergunta: os colégios paulistas mais bem classificados no ENEM inovam na arquitetura escolar ou na metodologia que adotam,

 

Inicialmente, estudamos os dois primeiros colocados: Vértice e Bandeirantes. Neste post vamos investigar os colégios classificados em terceiro e quarto lugares: O Colégio Móbile e o CEFET/SP, hoje IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia).

 

Colégio Móbile

Apresentamos abaixo o que de mais significativo encontramos no Colégio Móbile sobre arquitetura escolar e e metodologia de ensino.

 

Externamente, o prédio do Colégio Móbile é  muito bonito. O prédio do Ensino Médio foi projetado pelo arquiteto Paulo Sofhia e premiado na III Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.

 

O projeto pedagógico é tratado de forma mais extensiva do que o comum dos projetos de escolas particulares. Entretanto, sobre metodologia ele é meio evasivo. O textos citados abaixo, retirados do site do colégio, são os mais representativos que encontramos sobre metodologia e sobre a arquitetura esolar interna.

 

“Crianças e adolescentes se convertem em sujeitos ativos do processo de aprendizagem quando despertados para o prazer e a responsabilidade de aprender. Essa atitude participativa é o ponto de partida indispensável para desenvolver a capacidade de pensar, de discriminar valores, de cooperar, de ter a habilidade de se adaptar às novas exigências do grupo e do meio.”

 

“O conceito básico das salas de aula é o de sala-ambiente. Os alunos – e não os professores – mudam de espaço, conforme o horário de cada série. Isso possibilitará que cada sala tenha a melhor estrutura para o ensino das disciplinas. Da mesma forma, as disciplinas de Química, Física e Biologia têm seus próprios laboratórios, com aproximadamente 100 metros quadrados de área cada um. A sala de Informática com equipamentos modernos, uma sala de artes, um teatro, uma biblioteca multimídia e uma quadra poliesportiva completam os recursos disponíveis para o aluno do Ensino Médio.”

 

As fotos a seguir mostram dois desses ambientes.

 

Observe que este primeiro, na foto ao lado, não está organizado de forma a estimular a referida atitude participativa.

 

 

 

 

 

Uma  segunda foto de uma  dessas salas ambientes mostra um arranjo físico mais compatível com a atitude participativa prevista na proposta pedagógica do Colégio.

Não vimos fotos de salas convencionais ou pelo menos fotos de salas denominadas assim.

 

No entanto, a foto com o professor conversando com o aluno, também extraída do site, mostra um arranjo (em auditório) convencional e deixa uma dúvida. Não seriam todas as salas de aula convencionais organizadas dessa maneira.

 

 

IFSP (unidade da capital)

Ao contrário das escolas privadas, a única escola pública na lista dos dez colégios mais bem classificados no ENEM, em seu site, não dá muita importância às fotos. Assim, não temos foto de sala de aula a mostrar. A pequisa de imagens no Google também não permitiu identificar fotos que fossem de salas de aula da antiga Escola Técnica Federal de São Paulo.

 

Também ao contrário das escolas particulares, o site dedica 15 páginas de texto à proposta pedagógica da instituição de ensino. É a primeira vez que vemos textos claros e detalhados sobre a metodologia de ensino proposta. Como exemplo:

“Assim, o estudante é estimulado, via rotineiras e diversificadas metodologias problematizadoras, mediadas pelo outro e pela cultura, aprende a ser, aprende a conviver, aprende a fazer e aprende a aprender.

Esse paradigma de aprendizagem se ancora também nos pressupostos vygotskyanos, quer por considerar o aprendizado como um processo eminentemente social, quer por ressaltar a influência da cultura e das relações sociais na formação dos processos mentais superiores.

Opondo-se às teorias inatistas e ambientalistas, crê num sujeito histórico interferente e produtivo, onde:
- A consciência nasce da atividade prática e é construída pela interação homem-mundo, mudando de acordo com as mudanças sociais.
- A interação sujeito-objeto é mediada pelo uso de signos.
- A internalização dos signos desenvolve as funções mentais superiores.
- A apropriação do conhecimento se dá por um processo ativo do indivíduo em suas relações de trocas com o meio e o outro.
- A aprendizagem é processo social, caracterizada pelas multi inter-relações entre o sujeito e o meio.
- A linguagem no interior dos grupos é básica por exercer a função mediadora, ampliando as relações sociais e da apreensão da experiência humano- social.”

 

Na ausência de fotos, postamos uma tabela que resume a infra-estrutura do IFSP (unidade da capital):

NFRA-ESTRUTURA FÍSICA – UNIDADE SÃO PAULO
Ambientes Didáticos Quantidade
Salas de Aula Tradicionais 59
Auditório 03
Salas de Projeção 05
Biblioteca Multi-Área 01
Laboratórios de Informática Integrados em Rede Internet 16
Salas de Desenho 07
Laboratórios de Física, Química e Biologia 06
Laboratórios de Geografia e Redação 06
Laboratórios de Construção Civil 08
Laboratórios de Eletrotécnica 07
Laboratórios de Eletrônica e Telecomunicações 07
Laboratórios de Mecânica: 10
Laboratórios de Automação 04
Célula de Manufatura 01
Oficinas de Praticas Profissionais de Eletrônica, Eletrotécnica e Telecomunicações. 03
Oficinas de Produção Mecânica de Tornearia, Frenagem, Retificadora e Maquinas Especiais 04
Oficinas de Produção Mecânica de Soldas Elétricas e Oxiacetileno 02
Laboratórios de Turismo 01
Laboratório de Educação Musical 01
Ateliê de Artes 01
Estúdio de Rádio e TV 01
Pista de Atletismo 01
Campo de Futebol 01
Quadras Poli – Esportivas  

 

Observe-se que a tabela informa a existência de 59 salas tradicionais. Quase apostamos que elas estão, na maior parte do tempo, no formato de auditório. Somadas ao auditório propriamente dito e às 5 salas de projeção temos  um total de 65 salas em formato de auditório. As demais, ao todo 88, certamente não estão organizadas assim.

 

Pela primeira vez encontramos um colégio, dentre os que vão bem no ENEM, que valoriza a metodologia ativa e que tem a maioria das salas de aula organizadas em formatos não-tradicionais.

 

Poderíamos concluir que metodologias e espaços mais modernos de ensino não são incompatíveis com o sucesso no ENEM. Infelizmente nos lembramos a tempo que, nos exames seletivos para o ingresso IFSP, concorrem 50 candidatos por uma vaga. Também nos recordamos que a mensalidade no Ensino Médio do Móbile supera os R$ 1.700,00. Isso repesenta muito mais que o salário médio no Brasil.

 

De fato o ENEM não discrimina nem seleciona. Quanto ele acontece na vida escolar da população estudantil brasileira a seleção já foi feita.

 

O que faz um colégio ser melhor no ENEM? 30 de setembro de 2009

 

 

Em post anterior, discutindo uma tabela publicada Folha de São Paulo em: Melhores colégios tem até 50 candidatos por vaga, concluímos  que os colégios são bem colocados porque selecionam os melhores alunos já no início do Ensino Médio. A seleção se faz por meio de exames de admissão e/ou através da condição sócio-econômica dos candidatos. Os colégios são tão bons quanto os alunos que os frequentam.

 

Em outro post, Resultados do ENEM e Mudanças no Ensino Médio, perseguindo a relação entre a inovação na arquitetura escolar e os resultados do ENEM, fizemos uma busca no google/imagens e nos sites dos 10 colégios melhor classificados no Brasil, tendo como referência o ENEM de 2008. Constatamos que eles não inovam na arquitetura escolar e que provavelmente também não são inovadores na metodologia de ensino que adotam.

 

Usando os mesmos recursos de pesquisa vamos investigar os 10 “melhores” colégios paulistas. Nesta busca, vamos procurar responder à seguinte pergunta: os colégios paulistas melhores classificados no ENEM inovam na arquitetura escolar ou na metodologia que adotam?

 

Inicialmente, vamos estudar os dois primeiros colocados: Vértice e Bandeirantes.

 

  1. VÉRTICE

No site do Vértice e nas imagens disponíveis na Internet, consta-se que o colégio adota o usual arranjo em auditório em suas salas de aula. Não inova na arquitetura, nem nos dispositivos arquitetônicos.

 

 

 O site do colégio não veicula muita informação sobre a metodologia adotada no Ensino Médio. Há uma referência sobre um currículo interdisciplinar e uma clara orientação propedêutica: os alunos são preparados para o vestibular. A ausência de informações, a disposição das salas de aula e a orientação geral levam a supor a adoção de uma metodologia tradicional.

 

 

 

 

2. BANDEIRANTES

 

No site, o Colégio Bandeirantes fala mais de suas intenções. Veja no texto a seguir:

“Com a intenção de facilitar a aquisição de conhecimentos, de exercitar a pesquisa, a habilidade de discriminar informações e, assim, fazer com que o aluno gradativamente conquiste sua autonomia intelectual, o Colégio utiliza variadas estratégias. Discussão contínua sobre a eficácia dos processos pedagógicos adotados, participação de profissionais especializados em diferentes áreas da Educação, constante preocupação com a difusão cultural e emprego de modernos recursos tecnológicos capacitam o nosso aluno não só para uma vivência escolar atuante  e produtiva, mas também ampliam o seu universo de conhecimento e influenciam significativamente na constituição de um cidadão sintonizado com a sociedade atual.”

 

 

É interesante que quando se menciona “variadas estratégias”, que é o que nos interessa aqui, o texto muda de assunto. O que se vê no após não é uma descrição das citadas variadas estratégias. É uma digressão.

 

 

A impressão que sobra, ao final da leitura, é que o Colégio Bandeirantes, tem uma série de atividades circundando o núcleo duro de sua prática cotidiana: a aula expositiva. A figura a seguir mostra o habitual tradicionalismo do arranjo físico.

 

 

 Um texto da “Cultura e Filosofia” (ver site) reafirma a impressão geral:

“Segue a metodologia clássica (centrada no professor e na avaliação por meio de provas), com aulas e atividades diferenciadas (uso de tecnologia, dinâmicas de construção de conhecimento, projetos  de protagonismo juvenil, os quais desenvolvem inúmeras habilidades  além da aquisição do conhecimento).”

 

 

Na nossa busca, os dois primeiros colégios não apresentam inovações na arquitetura escolar ou na metodologia adotada. Nos dois, o centro das preocupações é o preparo para os exames vestibulares. Mesmo assim, são os melhores no ENEM. Uma questão volta a incomodar: a mudança na forma de seleção para a universidade (vestibular X ENEM) produzirá alguma mudança no Ensino Médio brasileiro? Parece que não.

 

Melhores colégios tem até 50 candidatos por vaga 21 de setembro de 2009

 

 

Em post anterior: Resultados do ENEM e Mudanças no Ensino Médio, constatamos que as escolas melhores situadas no ENEM não apresentavam inovações em sua concepção arquitetônica e no arranjo de suas salas de aula.


 

Por indícios recolhidos no levantamento sobre a relação entre arquitetura escolar e resultados do ENEM, levantamos a hipótese de que as melhores do ENEM também não se distinguem pela inovação metodológica. Chegamos a supor que as melhores do ENEM são escolas tradicionais e/ou fortemente orientadas para a transmissão e memorização dos conteúdos curriculares.


 

Prometemos um aprofundamento do estudo de forma a explicar as razões dos melhores resultados. No meio tempo, a Folha de São Paulo publicou uma matéria sobre os colégios de São Paulo que foram os melhores colocados no ENEM de 2008. Usou o seguinte título: Melhores colégios tem até 50 candidatos por vaga.


 

Uma das tabelas publicadas no artigo, chamou-nos a atenção. A tabela relaciona variáveis relacionadas à seleção e os preços cobrados pelos colégios que se classificaram nos primeiros 20 lugares. Reproduzimos a tabela a seguir:


 

image

 

A tabela permite uma conclusão fundamental. Os colégios são bem colocados porque selecionam os melhores alunos já no início do Ensino Médio. A seleção se faz por meio de exames de admissão e/ou através da condição sócio-econômica dos candidatos. Não são os colégios que são os melhores. São os alunos que os frequentam que o são.


 

Em post posterior, voltaremos às questões arquitetônicas e metodológicas. Será uma volta temperada pela constatação de que a metodologia pode ser irrelevante quando se dispõe  de tantas vantagens já no início da corrida. Uma retomada com o molho de uma interrogação: o que faz um colégio ser tão demandado ou poder cobrar mensalidades tão altas?

 

 

Resultados do ENEM e Mudanças no Ensino Médio 16 de setembro de 2009

 

 

Em dois posts anteriores (Resultados do Enem e Arquitetura Escolar  e Resultados do Enem e Arquitetura Escolar II), procuramos verificar se há alguma relação entre inovações na arquitetura escolar, especialmente no espaço e no arranjo da sala de aula, e os resultados do ENEM, versão de 2008.

 

 

Um estudo a partir do sites dos colégios e de um levantamento nos registros fotográficos disponíveis na Internet revelou que os 10 colégios melhores classificados, em função dos resultados de seus alunos, não apresentam mudança significativa no espaço e no arranjo das salas de aula.

 

 

Os sites e as propostas pedagógicas dos colégios nem arranham essa questão e as fotos disponíveis mostram sempre um espaço e um arranjo convencional (salas retangulares, cadeiras dispostas em filas). Mesmo onde o tamanho do espaço físico e o mobiliário permitem outros arranjos, as fotos mostram o indefectível arranjo em auditório. Um ambiente propício para a fala de um e para a audição de muitos.

 

 

A constatação nos leva a crer que as inovações metodológicas também sejam poucas entre as 10 mais, embora sobre tais inovações as propostas pedagógicas dos colégios (quando disponíveis nos sites) falem um pouco mais.

 

 

Mesmo necessitando de mais informações para confirmar a hipótese, ousaríamos afirmar que os colégios mais bem situados na classificação são tradicionais e/ou fortemente centrados na transmissão e memorização dos conteúdos curriculares, com o olho voltado para o bom desempenho de seus alunos nos vestibulares para o ensino superior.

 

 

A afirmação, se verídica, implica em constatar que a mudança da forma de seleção dos alunos para a universidade (Vestibulares X Enem) será inócua em induzir mudanças significativas na atual realidade do Ensino Médio brasileiro.

 

 

Dada a importância da afirmação, voltaremos, em posts posteriores, a abordar o assunto. Nessa volta, vamos investigar as variáveis que determinam o bom desempenho dos colégios melhor colocados no Enem de 2008. A partir daí, tentaremos mostrar que essas variáveis não são influenciadas pelo tipo de exame que se adota na seleção para o ensino superior.

 

Resultados do ENEM e Arquitetura escolar II 9 de setembro de 2009

 

Neste post damos sequência a outro, de nome similar, que denunciam a nossa intenção de buscar eventuais relações entre inovações na arquitetura escolar e os resultados do ENEM de 2008.

 

 No primeiro post investigamos as 5 primeiras escolas. Neste, vamos pesquisar as outras cinco que, com as anteriores,  compõem o grupo das dez mais.

 

 

 

6. Colégio WR , Goiânia, Particular

 

As informações sobre a proposta pedagógica do Colégio WR não vão muito além da frase que está anexa à foto da fachada e que ilustra a página principal do site. A página promete um tour virtual, que não estava acessível.

 

Procurando na Internet encontramos a foto ao lado, publicada pela Revista Veja. A foto permite constatar que o arranjo fisico das salas de aula é tão tradicional quanto o resumo da proposta, que grita seu conservadorismo na porta de entrada do site.

 

 

 

 

7. Colégio Santo Inácio, Rio de Janeiro, Particular

 

A proposta pedagógica do Colégio Santo Inácio, escola colocada em sétimo lugar no Enem de 2008, pode ser encontrada em seu site. Não faz referência sobre o arranjo físico das salas, mas diz:

 

O bom trabalho educativo é muito mais do que o espaço da sala de aula, devendo incluir o conhecimento de diferentes aspectos da realidade. Passeios e visitas didáticas a museus, centros culturais, sítios ambientais, empresas, são algumas das atividades que se integram ao trabalho de classe nas diferentes séries no CSI. São essenciais nos projetos voltados para a educação ambiental, artística e cultural.

 

Nossos alunos também têm contato freqüente com espetáculos teatrais e musicais que são trazidos à escola. O cinema está sempre presente nas aulas por meio do vídeo e do DVD. Além de mais de 4.000 vídeos didáticos, a escola dispõe de farto acervo audiovisual, incluindo filmes clássicos de diversos gêneros, acervo infantil específico, além das mais importantes obras do cinema nacional.

 

Não encontramos imagem alguma de sala de aula do Colégio Santo Inácio, em nossa pesquisa. Não sabemos porque, mas a foto da fachada do Colégio somada aos dizeres acima nos levam a concluir que o arranjo físico das salas de aula do Santo Inácio é tradicional. Esperamos fotos que nos contradigam.

 

 

8. Colégio Eng. Juarez de Siqueira Britto Wanderley, São José dos Campos, Particular

O site da Embraer veicula a seguinte informação:

 

“O Colégio Eng. Juarez Wanderley, concebido e materializado em pouco mais de um semestre, é a expressão concreta da ação do Instituto Embraer de Educação e Pesquisa.

 

Inaugurado em 4 de fevereiro de 2002, proporciona Ensino Médio de alta qualidade a alunos egressos da rede pública da região de São José dos Campos (incluindo Taubaté, Caçapava e Jacareí). A gestão escolar está sob responsabilidade do Sistema Pitágoras.”

 

Na página  sobre infraestrutura, informa-se: “com 15 salas de aula amplas e arejadas, dotadas de recursos multimídia e layout privilegiado com flexibilidade para diferentes arranjos.”  É a primeira referência sobre arranjos de sala de aula que encontramos. Infelizmente, não encontramos nenhuma foto das salas de aula do Colégio. Também não sabemos qual arranjo de sala é o mais comum no Colégio.

 

 

9. Vértice Colégio Unidade II – São Paulo -Particular

A fotografia da sala de aula do Colégio Vértice também mostra cadeiras individuais que, como no Colégio Eng. Juarez (assim como em todos os outros) podem ser organizadas de várias maneiras. Mas o site apresenta um arranjo convencional das cadeiras. A escolha desta foto e das demais fotos encontráveis no site nos leva a crer que este é o arranjo usual. 

 

 

!0. Colégio Santo Agostinho, Rio de Janeiro, Particular

Sobre a estrutura física,  o site do Colégio Santo Agostinho do Lebron, Rio de Janeiro, informa:

 

“A estrutura física e didático-pedagógica do colégio Santo Agostinho é determinante de sua qualidade de ensino e de integração e interação dos alunos com o conteúdo ministrado. O Colégio coloca à disposição de seus alunos, para apoio às atividades educacionais: biblioteca, laboratórios, centro de ensino de informática, sala de estudos com computadores ligados à Internet, auditórios. Os alunos desfrutam dessas instalações para atividades em grupo ou individuais, sempre orientados pelo professor da disciplina, responsável pelo trabalho em pauta.”

 

Nenhuma refrência à sala de aula comum e também não encontramos fotografia de sala de aula que pudesse ser atribuída, sem erro, à unidade do Leblon, visto serem muitos os Colégios Santo Agostinho no Brasil. A ausência de informação leva a supor um arranjo convencional das salas de aula.

 

 

Em próximo post,  vamos discutir os resultados dessa busca pela relação entre arquitetura escolar e os resultados do Enem de 2008.

 

Resultados do ENEM e Arquitetura escolar 3 de setembro de 2009

 

  Percebi que, no processo de construção deste blog, temos deixado muitas trilhas e atalhos incompletos.

  

 

Quem me alertou para o fato, foi uma leitora: Isabella Chaves Carvalho, que comentou em relação ao post Arquitetura Escolar e Resultados do ENEM: “Acredito sim na relação da arquitetura escolar com o Enem. Isso porque o espaço, quando bem elaborado, é capaz de exercer influência positiva no aluno, gerando seu bom desempenho nas atividades, o que leva a resultados satisfatórios na avaliação do ENEM”.

  

 A busca de uma possível relação entre a arquitetura escolar inovadora (especialmente a da sala de aula) e os resultados do ENEM é um dos atalhos que iniciei e não completei. Vou tentar fazê-lo, neste e num próximo post.

 

 Vamos começar apresentando as escolas melhor classificadas no ENEM, em 2008. Depois, vamos pesquisar como são organizados os ambientes de aprendizagem de tais escolas.

  

As campeãs do Enem de 2008, e como elas se saíram nos três anos anteriores (ver mais na Revista Época).
 Reprodução

 

 

Neste post vamos pesquisar como são organizados os ambientes escolares das cinco primeiras escolas na classificação do ENEM de 2008, dando ênfase e foco às salas de aula.

   

 

1. Colégio de São Bento, Rio de Janeiro, Particular

  

 

Observem que as mesinhas móveis possibilitam a reorganização da sala. Mas, o que aparece na foto divulgada pela Revista Época é o arranjo tradicional e a tradicional relação entre professor e aluno. No site do Colégio, encontramos a seguinte descrição: 

Laboratório de informática Todas as salas de aula têm acesso à Internet através do “kit multimídia” – datashow + notebook + microsystem. O CSB oferece acesso à rede Wireless no pátio da cantina no 5º andar, na recepção do 4º andar e no hall do 3º andar, aos alunos, pais e responsáveis que desejarem conectar seus notebooks, sem nenhum custo. Para isso, basta solicitar o registro na recepção do 4º andar”.

 

 Pelo que observamos, não é possível afirmar que a arquitetura escolar do Colégio São Bento é inovadora e, muito menos, que é revolucionária. Muito pelo contrário.

  

A proposta político-pedagógica do colégio não veicula nenhuma consideração sobre os espaços e ambientes de aprendizagem.

  

 

2. Colégio Bernoulli, Belo Horizonte, Particular

 

O Colégio Bernoulli facilita muito nosso trabalho de pesquisa. Seu site veicula fotos dos ambientes de aprendizagem do colégio. Uma delas reproduzimos ao lado. Há pouco a comentar. Nada mais tradicional do que isso.

 

No entanto a Proposta Pedagógica do Colégio diz:Acreditamos que a Educação é um processo dinâmico e que a sala de aula é um centro de debates, discussões, diferenças e questionamentos. É lugar onde se compartilha conhecimentos abrindo espaço para erros, contradições, criatividade e, fundamentalmente, colaboração mútua na relação aluno-aluno e aluno-professor. Essa é a Escola de nossos sonhos e que,  juntamente com os nossos alunos e seus familiares, estamos construindo”.

 

No entanto, as salas de aula retratadas no site do colégio apresentam dispositivos arquitetônicos contrários à proposta pedagógica enunciada. Então…

 

 

3. Colégio de Aplicação da UFV – Coluni, Viçosa(MG), Federal

 

No colégio de aplicação da UFV a pesquisa via imagens, no Google, foi mais alentadora. Não apareceu uma única foto de ambientes escolares convencionais. Das fotos que retratam situações de aprendizagem, selecionei duas. São exemplos promissores de superação do ambiente tradicional. Serão exceções ou a norma?

 

Além disso o site afirma:

 “As atividades de ensino do COLUNI desenvolvem-se em modernas instalações no campus da UFV que, além de salas de aula, dispõe de salas de projeção, laboratórios de química, física, biologia e humanidades, bem como de informática, que possibilita acesso a uma rede de computadores conectada à internet. Os alunos utilizam, ainda, a Biblioteca Central, a Praça de Esportes, o Restaurante Universitário e a Divisão de Saúde da UFV.”

  

 Mas, nenhuma informação sobre a Proposta Pedagógica, sobre as salas de aula ou sobre a configuração física delas. Como será o arranjo cotidiano das salas de aula do Colégio de Aplicação da UFV? Quem souber e puder, mande-me fotos.

 

  

4. Colégio Santo Antônio, Belo Horizonte, Particular

 

No site do Colégio Santo Antônio e no Google-imagens não conseguimos nenhuma foto dos ambientes de aprendizagem.

 

  A foto da fachada externa do colégio não promete muita inovação no interior do edifício.

   

A proposta pedagógica do colégio está em um promissor processo participativo de reconstrução. Mas, não sabemos se a questão do arranjo ambiental das salas de aula é um dos temas em discussão.

 

Não sabemos se a foto da sala com computadores, ao lado, encontrada na pesquisa de imagens, pertence de fato ao colégio. Se, sim, é mais um exemplo de modernização conservadora.

 

 

 

 

 

 

5.  Colégio Helyos – Feira de Santana (BA) – Particular

 

 

Por  fim, apresentamos fotos dos ambientes de aprendizagem do Colégio Helyos, quinto colocado no ENEM 2008.

 

A primeira imagem ilustra o texto da Proposta Pedagógica do Colégio. Não é preciso dizer muito mais.

 

A segunda foto é, seguramente, do colégio e retrata mais um exemplar de modernização conservadora: o uso de uma tecnologia nova para deixar as coisas da forma como elas sempre foram.

 

Até agora, nossa pesquisa mostra que os bons resultados no ENEM não tem nenhuma relação com inovações na arquitetura escolar, seja do edifício como um todo ou do dispositivo arquitetônico da sala de aula.

 

Em próximo post, analisaremos as escolas colocadas do sexto ao décimo lugar no ENEM de 2008.

 

Ninguém aprende samba no colégio, infelizmente 8 de março de 2009

Caricatura de Noel Rosa

 

Uma das preocupações fundamentais no desenho das soluções educacionais da Germinal Consultoria é o uso intensivo da arte. Já discutimos as razões disso em Aprendizagem Criativa.

 

 Ao usar  a arte como recurso pedagógico, acrescenta-se outra precupação: escolher o que é “clássico” na cultura brasileira. A escolha dos excertos de literatura, das poesias (veja em Aprender com Poesia) e, principalmente, das músicas segue essa orientação.

 

Depoimentos de professores que tem utilizado o material da Germinal indicam que ele ajuda na melhoria do gosto musical dos jovens e na valorização do que temos produzido de bom na música popular brasileira.

 

Por isso, chamou-nos a atenção o artigo  “Ninguém aprende samba no colégio infelizmente”, que assim é iniciado:

 

“A alusão ao samba de Noel Rosa, no título deste artigo, não é sem propósito. Sendo o samba, e o futebol, um dos componentes do DNA da identidade brasileira, a ironia do poeta da Vila é de deixar triste e cabisbaixo qualquer um que ame a cultura popular. Noel não se fez de rogado ao expor ao ridículo a tendência das elites culturais tupiniquins da época em afrancesar-se ou americanizar-se para se parecerem sofisticadas. Dizia ele num de seus sambas, eternizado na voz de Aracy de Almeida:

 

Amor lá no morro é amor pra chuchu

As rimas do samba não são I love you

E esse negócio de alô,

Alô boy, alô Johny

 

Só pode ser conversa de telefone. Ao mesmo tempo que faz galhofa do vazio moral dessas elites, acusa também a cultura oficial escolar, preocupada em macaquear uma tradição que pouco lhe diz respeito e que, em contato com a realidade social brasileira, figura-se ridícula, porque postiça: não se aprende samba no colégio porque não seja legítimo, mas porque o colégio está atolado no pedantismo que rejeita o Brasil real, com sua originalidade, em favor de um “glacê” simbólico que, deslocado do país de origem, não significa nada, ou antes, indica uma moléstia congênita e atroz, que Nelson Rodrigues definiu agudamente como “complexo de cachorro vira-lata”.”

(…)

 

O texto completo  foi originalmente publicado em Amplexos do Jeosafá. Para quem quiser ler o artigo inteiro, clique em Ninguém aprende samba no colégio, infelizmente. Boa leitura.

 

Para ouvir, postamos Feitio de Oração, música de Noel, de cuja letra foi retirado o verso que faz parte do título deste post.

 

 

 

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 4.121 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: