Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

A Escola-Comuna em defesa da Escola Única 25 25UTC maio 25UTC 2010

Lançado em 20 de novembro na Escola Nacional “Florestan Fernandes”, com palestra de Luiz Carlos de Freitas durante encontro de formadores da Via Campesina, o documento histórico inédito sobre a construção da Escola Única no período mais fértil da revolução soviética faz avançar o debate
sobre a educação brasileira

 

Por Cecília Luedemann

 

 

 No prefácio dessa edição em russo, N. K. Krupskaya, do Comissariado Nacional da Educação da União Soviética, explica essa primeira da série de publicações da Seção Científico-Pedagógica, biblioteca da revista Caminhos para a nova escola: “A coletânea publicada, que descreve a vida da primeira Escola-Comuna experimental do Comissariado Nacional da Educação, reflete o enorme trabalho feito. Ela narra como a escola cresceu internamente e desenvolveu-se – percorre todo o caminho do seu desenvolvimento, momentos críticos, crises de crescimento, dificuldades que teve que superar”.

A publicação de A Escola-Comuna, coletânea de textos escrita por educadores que participaram da construção da Escola Única, organizada por Moisey M. Pistrak, é tão importante quanto a publicação de Poema Pedagógico, de Anton S. Makarenko, nos anos de 1980 no Brasil. No entanto, esse relato literário sobre a educação de uma nova geração de revolucionários na “Colônia Gorki” já era conhecido, nas traduções em espanhol, nos anos de 1950, diferente de A Escola-Comuna, publicado em 1924 em Moscou e nunca traduzido.

 
 

 

Essa magnífica contribuição sobre as primeiras experiências de construção da Escola Única no primeiro período da revolução socialista só foi possível chegar em nossas mãos com a pesquisa de Luiz Carlos de Freitas (Unicamp-SP) sobre fontes bibliográficas, entre elas a obra de Pistrak, durante seis meses na Rússia, em 1996. O seu retorno com esse livro inédito custou-lhe 10 anos de dedicação para traduzir para a língua portuguesa do Brasil, com a colaboração de Alexandra Marenich.   
 
 
 

Além do precioso documento, a edição traz a pesquisa realizada por Freitas sobre a Pedagogia do Meio: “Não devemos perder de vista neste processo que uma pedagogia do meio é, antes de mais nada, uma pedagogia crítica de seu meio e que, portanto, forma sujeitos históricos (auto-organizados)”.

 

 Embora A Escola-Comuna tenha demorado para chegar ao conhecimento do público brasileiro, a obra retoma o debate sobre a Escola Única justamente em uma dos momentos mais críticos da educação brasileira. A crise educacional aparece na mídia corporativa como um “mal”, mas nunca como as mazelas da escola capitalista ou como dívidas do Estado.

 

De acordo com censo do Ministério da Educação sobre a educação básica, em 2009, quatro em dez alunos não estão matriculados no ensino fundamental de nove anos. Além do acesso não estar garantido a todos, questiona-se a qualidade do ensino público. O dedo acusador dos governantes aponta os culpados: os professores, pelo mau preparo, e os alunos, pelo vandalismo.

 

Na academia, o modelo neoliberal implantado nas universidades destina verbas para pesquisas fragmentadas e imediatistas das teorias pós-modernas: analisam formação docente, estudam currículo, questionam a avaliação, e vai por aí afora. O Estado capitalista não pode resolver os impasses colocados pela crise educacional. Somente um Estado sob comando dos trabalhadores pode construir uma escola única, que rompa o dualismo: a educação para os filhos da elite, para comandar, e a educação para os filhos da massa trabalhadora, para serem comandados, ou, ainda, entre a cidade e o campo.

 
A escola socialista é garantida pelo Estado para todos e está articulada com o Meio, sob o princípio educativo do trabalho, com um conteúdo geral único, com a participação diferenciada e cultural tanto da cidade quanto do campo.
 

A leitura de A Escola-Comuna nos mostra a construção de uma nova escola – totalmente oposta ao que conhecemos hoje no capitalismo – no período da guerra civil, de 1918-1923, depois da tomada do poder pelos trabalhadores. O livro está organizado em duas partes: a escola do trabalho do período de transição, escrito por Pistrak, e os relatos dos educadores sobre o trabalho com as disciplinas de Matemática, Ciências Naturais, História e Ciências Sociais, Ciências Econômicas, Literatura e Artes Plásticas. Aqui encontramos restabelecido o princípio da totalidade contra o da fragmentação. A escola é um todo, indivisível, dirigido sob o princípio do trabalho, escola que não separa a formação intelectual da criação manual e sob a direção coletiva de educadores e educandos, nem a participação dos estudantes nas lutas gerais da classe trabalhadora. Por isso a dedicatória dos autores aos alunos da escola experimental de Moscou: “Participantes invisíveis, indiretos, mas longe de serem os últimos na criação desta coletânea, devem-se considerar, com pleno direito, nossos camaradas mais novos – nossos mopshks – os estudantes da comuna escolar”.

 

Um livro raro, único, que não busca receitas, nem modelos. Ao contrário, revela a construção da nova escola socialista sob os dilemas históricos e lutas de posições políticas diante dos objetivos da educação. Uma experiência educacional dirigida por Pistrak dentre as 100 escolas experimentais que vivenciaram a construção de uma nova pedagogia para a escola única sob a direção de Lunatcharsky e Krupskaia, pela formação científica, cultural e política ampla e pela criação da autodireção. Pela defesa desses princípios revolucionários, os pedagogos Pistrak e Pinkevich foram fuzilados em 1937, pelo Estado estalinista, quando a reforma educacional retomou definitivamente a aula como centro da escola e a formação técnica como objetivo da industrialização soviética na tese do socialismo num só país. 

Uma teoria presente nas experiências de formação pedagógica e política do Instituto Educacional “Josué de Castro” e pelas escolas itinerantes do MST. Um livro de referência para todos: educadores, educandos e trabalhadores comprometidos com a luta socialista. 

 

Cecília Luedemann é jornalista, educadora e colaboradora da Editora Expressão Popular e do setor de educação do MST.
 

 

Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente 24 24UTC maio 24UTC 2010

O MEC está instituindo o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. O exame procura verificar o nível da formação inicial de professores para a Eduação Infantil e para o Ensino Fundamental.

 

Similarmente ao papel que o Enem tem exercido nos processos seletivos para a universidade, o exame procura ser coadjuvante ou protagonista nos processos de seleção para a carreira docente, atualmente desenvolvidos pelos sistemas estaduais de ensino ou pelas prefeituras municipais.

 

Em relação ao exame, o site IG – último segundo, publicou a seguinte notícia:

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) espera receber contribuições de todo o País sobre quais conhecimentos deverão ser cobrados dos professores que participarão do primeiro Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. A prova, espécie de Enem do magistério, pretende dar mais qualidade à seleção de futuros professores da educação básica. A matriz de referência está em consulta pública.

Os interessados em dar sugestões sobre os 16 temas centrais da proposta – que listam habilidades específicas que deverão ser exigidas dos professores em cada área – devem acessar o site do Inep: http://consultaexamedocente.inep.gov.br/index/login. As áreas de conhecimento foram escolhidas com base em experiências internacionais de bons resultados em docência, como Austrália, Canadá, Cingapura, Chile, Cuba, Estados Unidos e Inglaterra.

A consulta pública ficará aberta por 45 dias (4 de julho). Após esse prazo, as sugestões serão analisadas pela equipe técnica do Inep e especialistas da área. Com o material em mãos, a matriz final de parâmetros para a avaliação será definida.

 

Como Controlar a Situação Pedagógica 7 07UTC maio 07UTC 2010

 

  

 

 

 

 

 

 

 

                                  

                                  COMO CONTROLAR A SITUAÇÃO PEDAGÓGICA?

 

O monitor, que faz sua demonstração diante de um grupo, verifica as reproduções do modelo, explica e passa para a demonstração seguinte;…o conferencista, que faz sua exposição, responde às perguntas e vai embora;… o animador que, durante uma sessão, faz uma experiência e limita-se às condições materiais dessa experiência;… são outros tantos formadores que controlam perfeitamente suas palavras e seus gestos, mas que não “vêem” a situação psicossocial global e, por conseguinte, não têm o menor controle sobre ela.

É possível que nada venha a transtornar a encenação preparada. Mas é também possível que surjam fenômenos que eles não compreenderão.

Antes de mais nada, o melhor meio é compreender de ponta a ponta o que ocorre no encontro pedagógico, na sessão, no nível da vivência grupal (hic et nunc) e, para isso, é preciso estar atento (e informado) a respeito dos fenômenos constantes que decorrem das leis da indução, dos climas pedagógicos, da dinâmica de grupos e da sociometria.

Como já dedicamos um volume à dinâmica de grupos e à sociometria (cf. La dynamique des groupes), trataremos aqui, de preferência, de outros aspectos,

 A INDUÇÃO EM SITUAÇÕES PEDAGÓGICAS

N.B. – A palavra indução é aqui empregada no sentido psicológico de  determinação-provocação de um tipo de resposta ou de reação.

Indução devida ao dispositivo espacial e arquitetural. Aqui mesmo, nesta sessão, eu faço uma exposição sobre a situação pedagógica. Vocês estão diante de mim numa sala de aula. Ao entrar, vocês ocuparam os lugares de ouvintes e eu ocupei o estrado do conferencista. Esta disposição das mesas e do estrado, com nossos respectivos nomes bem visíveis, induzia por si mesma a situação pedagógica tradicional, a do Magister desenvolvendo suas idéias diante de um auditório supostamente atento. Induzia a situação de informação-espetáculo.

Desde o início, pelo simples fato de cedermos quase que automaticamente à sugestão do dispositivo, o comportamento de vocês e o meu já estavam determinados. Suas aspirações tomavam forma, meu papel já estava traçado de antemão.

Já tivemos ocasião de ver e avaliar as conseqüências do sistema.

Esse fenômeno começa a ser suficientemente conhecido, de modo que os organizadores evitam a topografia da classe tradicional e colocam os participantes em círculo, mantendo, ao mesmo tempo, o princípio da exposição do mestre. Eu próprio já vi dispositivos em retângulo, em torno do qual deviam colocar-se os ouvintes, o que lhes causava torcicolo. Mas a disposição em círculo é indutora; a em retângulo também; assim como a forma geral da sala e, em volta dela, a arquitetura, seja qual for…

Da mesma forma que o dispositivo de anfiteatro universitário induz o curso professoral e tende a ser um obstáculo às interações, assim como o dispositivo favorece as interações e é um obstáculo ao curso professoral, ao passo que o dispositivo retangular favorece o diálogo dos subgrupos vizinhos e impede as verdadeiras interações. Assim, prever um dispositivo em U, com o conferencista na curva do U, é menos favorável que os arcos concêntricos, caso se queira fazer uma exposição; e este dispositivo em arcos concêntricos destrói toda a eficácia de uma discussão, no decorrer da qual o animador deseje suscitar interações.

É preciso, portanto, ajustar, pelo menos, as intenções do formador e as induções do dispositivo, não hesitando em mudar o dispositivo espacial conforme os diversos momentos de um seminário (ou mudar de sala, cada uma delas tendo uma disposição e uma arquitetura “funcional”, isto é, adaptada à situação pedagógica intencionalmente procurada).

Por outro lado, o dispositivo, tal qual é preparado a priori, implica a previsão de um número de participantes. Sabemos que o número, por sua vez, é indutor de fenômenos psicossociais e inibidores de outros fenômenos; por exemplo, um grupo de mais de oito ou dez pessoas não pode discutir eficazmente (com a participação de todos) num tempo limitado de uma hora e trinta ou duas horas (isto até mesmo quando coordenado por um método adaptado).

N.B. – Refletir sobre as induções topográficas é uma primeira e essencial medida a ser tomada pelo pedagogo. Da mesma forma que um grupo de trabalho em discussão só pode funcionar se o dispositivo for circular, se o número for reduzido e se não houver tensões internas, assim também uma comissão oficial de 25 pessoas, colocadas em torno de mesas formando um retângulo alongado, não pode absolutamente entabular uma discussão criadora, ou mesmo simplesmente eficaz (utilizando as interações de todos os participantes), seja qual for o tempo de que dispõe e sejam quais forem as competências de seus membros. Os hábitos sociais levam então a recorrer à estruturação autoritária (graças à qual seis ou sete participantes têm um status social diferente para participar, enquanto os demais formam o público) e a procedimentos rígidos de “decisão de grupo” (o voto ponto por ponto, por exemplo).

Indução devida à estruturação latente em função dos status sociais. A sessão ou seminário de Formação de adultos compreende geralmente pessoas de status sociais diversos. Ocorre mesmo, com freqüência que estejam misturadas pessoas com status bastante desiguais, pertencendo ao mesmo organismo social.

O formador deve observar e compreender os fenômenos de indução dos comportamentos causados por essa estruturação não aparente. Embora sejam negadas pela intenção igualitária do promotor, as diferenças de status (conhecidas ou reconhecidas pelos participantes) pesam profundamente na dinâmica do grupo.

O direito de falar (ou de ser de opinião contrária), o tempo para falar, a ordem cronológica das intervenções, as concordâncias e discordâncias (alianças e conflitos) são induzidos por aqueles fatores estatutários e podem até mesmo surgir “acertos de contas” pessoais, sob a capa de discussão de temas do seminário, ou a pretexto das experiências propostas.

Da mesma ordem, são as divisões em subgrupos de opinião, subgrupos cuja solidariedade é referente a fontes totalmente estranhas ao conteúdo da sessão. Em certos casos-limites, graves dificuldades surgem na sessão sem que o formador possa compreendê-las, se não estiver a par das filiações, dos status, dos conflitos de status, ou dos conflitos dos grupos de referência fora da reunião.

Enfim, são classificadas no mesmo parágrafo as induções de condutas provenientes da maneira como é encarado o animador, ou o formador, pelos líderes estatutários do grupo. Lutas pela conquista da liderança ou da influência sobre o grupo em reunião são empreendidas por aqueles a que não suportam o animador (o modo como ele concebe seu papel, ou simplesmente seu status aqui-e-agora). Esses oponentes estão sempre julgando as intenções do animador, o que pode provocar um constrangimento coletivo e um mal-estar por parte dele, enquanto não perceber o que está acontecendo.

Indução dos conteúdos verbais e não-verbais. O conteúdo verbal é indutor tanto das flutuações de interesse, como das reações à sua significação. Esta choca tanto mais os participantes, quanto mais o emissor for considerado estranho ao grupo de referência dos participantes e for desconsiderado pela opinião grupal (embora possa suscitar o surgimento de facções).

Ainda mais indutoras são as comunicações não-verbais ou a para-linguagem que acompanha permanentemente o conteúdo verbal de uma comunicação. O formador deve, portanto, estar atento às induções produzidas pelo seu estilo, seu tom de voz, suas mímicas, à forma de suas respostas, suas atitudes espontâneas em relação a cada um dos participantes. E estes apreendem tudo de maneira não-refletida, com uma significação sócio-afetiva à qual eles reagem a qualquer pretexto.

Indução proveniente dos métodos utilizados. Todo método pedagógico é indutor, pois implica uma definição e uma distribuição de papéis, uma manipulação de motivações, uma forma de pressão exercida sobre os estagiários. Diversas tensões são induzidas por métodos ativos e descarregam-se com maior ou menor rapidez e com maior ou menor facilidade. O animador pode receber, depois de uma experiência demonstrativa ou de um exercício de simulação, descargas de agressividade que ele deve compreender, devido à situação na qual ele colocou o grupo.

Com efeito, há, em certos momentos, uma solidariedade latente do grupo face o monitor, quando este tenta forçar a tomada de consciência de fatos pedagógicos experienciais. Se o monitor põe em dificuldade um membro do grupo, ou simplesmente usa de ironia num determinado momento, ele desencadeia comportamentos ofensivos-defensivos do grupo contra ele. Aliás, já apresentamos diversos exemplos destas reações (cf. La dynamique des groupes, p. 38, exercício10, … Opiniões e Mudança de Opinião, exercício 9).

Mas estes fenômenos de indução, devido aos métodos pedagógicos, já fazem parte da psicologia dos “climas” pedagógicos (cf. abaixo).

. Indução de comportamento por outros aspectos da situação global vivida, em sessões de formação de adultos:

  – a própria idéias de Formação é carregada de significações e isto de maneira não-homogênea, conforme os indivíduos. Embora, oficialmente, todos declarem (pelo menos no início) que se alegram por estarem ali, pouco a pouco, começamos a perceber que eles experimentam o seu ser-em-formação de maneira diversa, indutora de reações subjetivas e deslocadas(*)[1]. Uns vão vivê-la como uma imposição; outros, como uma humilhação; outros ainda, como uma ocasião perigosa de julgamento ou de nota, por parte de um instrutor aliado secretamente à direção; outros, como férias inesperadas, etc…;

   – a imagem do organismo promotor, aquele em cujo quadro se faz a Formação, sua “imagem promocional”, por assim dizer, reflete-se, para os participantes, na imagem da sessão atual e provoca-lhes impressões não-refletidas ou suscita atitudes latentes, exprimindo-se por sinais discretos de boa ou má vontade, de moral elevado ou baixo, de esperança ou de resignação, de confiança ou de desconfiança a priori;

   – o ambiente sócio-histórico e a concepção que os estagiários fazem dele individualmente. Os grupos de relacionamento ou de referência, dos quais fazem parte os estagiários fora da sessão atual, levam a comportamentos a ou a esboços de comportamentos, no decorrer da sessão. Esses grupos intervêm como grupos de pressão. O clima histórico ambiental, as correntes ideológicas em moda, a situação sócio-econômica do país, etc…carregam de significação a vivência atual dos indivíduos e do grupo em situação pedagógica;

   – as condições de vida das pessoas: a existência fora da sessão, as facilidades ou as dificuldades dessa existência, as disponibilidades de dinheiro (o fato de a Formação ser gratuita, ser paga por eles ou a eles ser oferecida), as restrições que ela supõe, etc…induzem fatores positivos ou negativos do “moral”.

                                       Extraído do livro “A Formação de Adultos”

                                     Roger Mucchielli – Ed. Martins Fontes, p. 142 – 147.


[1](*) Isto é, sujeitas ao mecanismo de “deslocamento”, ou ainda revelando-se por reações que decorrem ou são simples pretextos de fatos aparentemente estranhos ou exteriores, em relação à questão direta do ser-em-formação.

 

 
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 91 other followers