Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

Esboçando um Plano de Desenvolvimento Pessoal e Profissional 12 de março de 2009

  

  

I. Objetivos:

 

1. Aprofundar a apresentação individual, a integração e o vínculo grupal.

 

2. Propiciar o estabelecimento de laços de confiança e respeito entre os participantes.

 

3. Criar condições para que cada um perceba-se como sujeito histórico.

 

4. Estimular uma atitude pró-ativa e de apropriação dos rumos da própria vida, por meio da percepção das dimensões histórica, sócio-política e psicológica da questão do “destino”.

 

5. Estimular a predisposição para o autoconhecimento.

 

6. Possibilitar um exercício de identificação e avaliação de aspectos da própria personalidade especialmente relevantes para a vida socioprofissional.

 

7.  Propiciar o desenvolvimento de atitudes compatíveis e propícias ao amadurecimento e à mudança.

 

8. Esboçar um plano de auto desenvolvimento pessoal e profissional a ser continuado e aprimorado durante todo o Programa.

 

 

II. Descrição/Caracterização

 

A atividade é iniciada com um primeiro deslocamento do grupo para um ambiente externo ao da sala de aula, seguindo a diretriz metodológica de ênfase no uso da realidade externa e de suas entidades como “salas de aula”, “laboratórios” ou ambientes de aprendizagem. O local escolhido será um museu, prédio ou monumento histórico, cujo acervo ou arquitetura remeta à história da cidade ou bairro em que os participantes residem.Visita ao museu, prédio ou monumento histórico

 

Visita ao museu

A primeira visita não será previamente preparada. Os participantes deslocam-se para o local com a orientação de explorar, ao máximo, as possibilidades de aprender sobre a história da cidade e do bairro ali existentes. Nenhuma orientação é dada sobre o procedimento de pesquisa ou sobre a forma de registro de dados e informações relevantes. Observa-se, no entanto, que, na visita, o contrato coletivo antes elaborado já está em vigor. A visita ocupará toda a primeira das 7 sessões destinadas à atividade 3.

 

Ao final da visita, os participantes são orientados para que, entre essa sessão e a próxima, entrevistem os pais e, se possível, tios e avós para elaborar uma “história oral da família”, a ser apresentada na próxima sessão. A história deverá, sempre que possível, ser documentada com fotos, objetos e outros elementos de época.

 
 
 

História e sujeito histórico

 

Os participantes, divididos em pequenos grupos, apresentam uns aos outros a “história oral da família”. Durante as apresentações e ao final delas, identificam os elementos comuns às várias histórias. Relacionam, ao cabo, as características comuns das várias histórias com a História (do bairro ou cidade) que pode ser apreendida na visita anterior.

 

As conclusões dos pequenos grupos são registradas em folhas de flip chart e apresentadas em painel. O conceito de História, enquanto construção humana coletiva e no tempo, e a noção de sujeito histórico devem emergir e serem explorados a partir dos relatos das conclusões. As dificuldades na realização da atividade anterior, em especial na apreensão da História do bairro a partir da visita realizada, podem suscitar reflexões sobre a importância do planejamento.

 
 

A construção da linha do tempo

 

A continuidade da atividade se dá com a abordagem da história individual. Inicialmente os participantes farão uma leitura individual e silenciosa do texto de apoio.

 

 
Nostalgia

 

Houve um tempo em que havia uma andar de cima e um porão. Houve um tempo em que o som de um amolador entorpecia a tarde. Havia uma moringa na janela refrescando a água. Sempre, a qualquer momento, alguém dormia, nas desencontradas horas da família. Na tarde estorricante do verão uma cachorra chamada Teteca levantava a cabeça de vez em quando, num piso de cimento embaixo da mangueira, na única sombra do quintal ensolarado, e dava para o alto três lancinantes latidos de protesto. Acho que para Deus. Acho que havia Deus.

 

Millor Fernandes. In: O Estado de São Paulo, Edição de Domingo, 19 de dezembro de 1999, Caderno 2, p. D20.

 

 

 A seguir, os jovens irão elaborar, individualmente, em folha(s) de flip chart, a própria “linha do tempo” ou “caminho da vida”, contendo os fatos mais representativos e significativos da vida passada e recente, bem como os acontecimentos ou elementos que esperam ou pretendem registrar no futuro. Os fatos e acontecimentos devem prioritariamente ser expressos através do desenho. No verso da folha de flip chart, os participantes são convidados a escrever um poema de versos livres, mesmo que composto de um único verso, sobre o caminho de sua própria vida.

 

Os participantes são convidados a expor/apresentar suas respectivas “linhas do tempo”. Ao final de cada apresentação, o poema deve ser lido. Ao término de todas as apresentações os participantes são estimulados a analisá-las em seus aspectos individuais e coletivos, possibilitando, dessa forma, a abordagem psicológica e sociopolítica dos conteúdos envolvidos.

 

Poema coletivo

 

Museu de história do Pantanal, Estúdio de Arte Votupoca
Museu de história do Pantanal, Estúdio de Arte Votupoca

 

Como movimento final dessa etapa, é proposta a construção de um poema coletivo. A partir de um exercício de relaxamento prévio, estando os participantes em absoluto silêncio, concentrados e de olhos fechados, qualquer um deles, que julgue seu poema apropriado para o início, abre os olhos e efetua a sua leitura de seu texto da forma mais inteira, verdadeira e bela que puder. Volta a fechar os olhos.  Outro, que entenda que seu poema é apropriado para entrar em seqüência, procede da mesma forma. E assim vai, sucessivamente, até a leitura do último poema. 

 

A cena, se bem executada, suscita um envolvimento emocional intenso e contém um forte poder de integração do grupo. Durante o processo, dois ou mais participantes podem iniciar a leitura ao mesmo tempo ou períodos de silêncio prolongado podem acontecer. O coordenador não deve intervir. Muitas vezes, as sobreposições e as pausas enriquecem o poema coletivo. O coordenador também deve permanecer de olhos fechados.

 

ATENÇÃO: Certamente, essa primeira etapa da atividade oferecerá situações que possibilitarão um trabalho com atributos desejáveis nas relações interpessoais, tais como o respeito à privacidade, aos sentimentos e às crenças pessoais na análise de temas polêmicos. Assim, o orientador deve estar atento a esse componente curricular implícito, permanente e contínuo.

 

Definindo metas de vida

Raoul Dufy, Fenêtre ouverte à Saint-Jeannet - c. 1926/1927

Na etapa anterior, a “linha do tempo” já ensejou uma projeção para o futuro. Devido às características da técnica utilizada, é provável que os aspectos históricos tenham prevalecido sobre os de projeto.  A fábula do “cavalo marinho”, tradicionalmente utilizada em treinamentos dirigidos a educadores com o intuito de sensibilizá-los para a importância da clara definição de objetivos de ensino-aprendizagem, é aqui proposta para estimular a discussão de metas de vida. A leitura da fábula, seguida de discussão, deve explicitar os elementos iniciais para reflexões sobre o conteúdo em paut

 

 

Fábula do Cavalo-Marinho

 

Era uma vez uma cavalo-marinho que juntou suas economias (7 moedas) e saiu em busca da fortuna. Ainda não havia andado muito quando encontrou uma enguia, que lhe disse:

 

Psiu… Eh! Amigo. Onde vai você?

 

_ Estou indo procurar minha fortuna – respondeu o cavalo-marinho orgulhosamente.

 

 _ Você está com sorte! – disse a enguia. Por quatro moedas pode adquirir essas velozes nadadeiras, e assim será capaz de chegar lá mais rápido!

 

- Oba, isto é ótimo! – disse o cavalo-marinho, e pagou o dinheiro, colocou as nadadeiras e saiu deslizando, numa velocidade duas vezes maior. Em seguida, encontrou uma esponja, que lhe disse:

 

_ Psiu… Eh! Amigo. Onde vai você?

 

_ Estou indo procurar minha fortuna – respondeu o cavalo-marinho.

 

 _ Você está com sorte! Disse a esponja. Por uma pequena recompensa deixarei você ficar com esta tábua de propulsão a jato, para que possa viajar muito mais rápido.

 

Então o cavalo-marinho comprou a tábua com o restante de suas moedas e foi zunindo pelo mar, com uma velocidade cinco vezes maior. Logo, logo, encontrou um tubarão, que disse:

 

_Psiu…Eh! amigo. Onde vai você?

 

_ Estou indo buscar minha fortuna, respondeu o cavalo-marinho.

 

_ Você está com sorte. Se tomar esse atalho e o tubarão apontou para sua bocarra vai economizar muito tempo.

 

_ Oba, obrigado, disse o cavalo-marinho, e saiu zunindo para dentro do tubarão, e nunca mais se ouviu falar nele.

 

 

 

MAGER, R.F. A formulação de objetivos de Ensino. Rio de Janeiro; Globo; 1983; prefácio.

 

 

Ao final da discussão do texto, individualmente, a partir da “linha do tempo’ e do poema, cada participante redige uma proposta inicial de metas de vida, envolvendo tanto aspectos pessoais como profissionais. Neste momento, a definição de metas não deve partir de considerações relacionadas com a o realismo e a viabilidade da proposta. Devem capturar o desejo, o sonho…

 

Os participantes formam duplas ou trios em função da confiança depositada no outro e da busca e possibilidade de apoio. A s versões iniciais das metas são discutidas pelas duplas ou trios. Posteriormente, em função dessa conversa, as metas são revisadas, individualmente, pelos participantes. Essa redação, já revisada, é arquivada na pasta de cada participante como primeira parte do esboço de plano.

 

 Um primeiro diagnóstico das competências pessoais e profissionais

Roberto Matta, Larchitêtre, 1979

Roberto Matta, L'architêtre, 1979

Os participantes são estimulados a montar um auto-retrato, em linguagem visual (com recortes de revistas, por exemplo), identificando os atributos (ou competências) que já possui para o alcance das metas e os atributos ou competências que julga necessitar desenvolver para atingir as metas por ele definidas. Em painel, os auto-retratos são apresentados, analisados e confrontados com a heteropercepção (percepção dos demais participantes). A cada apresentação e análise, o orientador estimula uma reflexão sobre as propostas de mudança que os participantes se colocam.

 

A seguir, em trios inicialmente e depois em painel, o conceito de competência é construído pelos participantes a partir do conhecimento já existente, definições de dicionário e, eventualmente e se possível, pesquisa na Internet. A partir dos auto-retratos, os participantes, divididos nos mesmos trios ou duplas de revisão das metas, identificam as competências já existentes e as a desenvolver.

 

 

Esboço de plano de autodesenvolvimento pessoal e profissional

 

O orientador solicita que os participantes construam um esboço inicial de plano individual de desenvolvimento a partir de uma adaptação do esquema “FOFA”. Os participantes anexam à folha de sulfite em que definiram suas metas uma outra. Nessa nova folha estão delimitados quatro espaços iguais, tendo como títulos: Fortaleza, Oportunidades, Fraquezas, Ameaças.

 

No espaço superior esquerdo, cada participante registra as competências que já possui e que foram identificadas a partir da análise do autoretrato. O conjunto das competências já existentes compõe o quadrante Fortaleza inscrito na folha. No espaço superior direito, são registradas as facilidades ou os facilitadores externos para a consecução das metas, compondo o conjunto de Oportunidades. O espaço esquerdo inferior é reservado às competências ainda não desenvolvidas, compondo o campo das Fraquezas. Finalmente, no campo inferior direito, são registradas as dificuldades ou dificultadores para a obtenção das metas, compondo o conjunto das Ameaças.

 

Os esquemas são apresentados e discutidos, configurando-se um esboço de plano de desenvolvimento pessoal e profissional, com as seguintes diretrizes ou “palavras de ordem”:

  • Fortaleza: use-a!
  • Oportunidades: aproveite-as!
  • Fraquezas: elimine-as!
  • Ameaças: evite-as ou afaste-as!

 

Em painel, uma avaliação individual do plano elaborado encerra a atividade.

  

ATENÇÃO: O objetivo final da atividade é a elaboração de um esboço inicial de plano e não doplano final. É um ponto de partida e não de chegada. Portanto, a atividade não deve ser formalizada. Os erros formais devem ser desconsiderados. É importante que para o participante a atividade seja lúdica e agradável. O esboço de plano pretende também registrar o estágio inicial de sonho, expectativa, ambição e autocrítica do participante. O material é básico para as atividades subsequentes e deve ser arquivado na pasta individual de cada participante. Será também suporte para o trabalho de orientação do coordenador e pode ser visto como um pré-teste, dentro de uma estratégia de avaliação.

 

III. Conteúdos a serem trabalhados:

  • Conceito de história
  • A construção histórica do homem e da sociedade humana,
  • Conceito de sujeito histórico,
  • Conceito de planejamento. Planejamento de vida.
  • Conceito de meta. Metas e expectativas em relação à vida pessoal e profissional.
  • Realidade e sonho nas metas e expectativas. Acomodação e ousadia; concessões e avanços. A crença no determinismo do “destino”. A importância do autoconhecimento, da iniciativa, do autodesenvolvimento, da cidadania, da apropriação do próprio destino.
  • A auto e a heteropercepção de características pessoais. A formação da auto-imagem e da auto-estima.A importância e a relação da auto-estima com a capacidade de estabelecimento de relações equilibradas e maduras com as pessoas.
  • A importância da consciência das próprias qualidades e limitações e da iniciativa para a mudança e o autodesenvolvimento. A necessidade de busca de apoio e orientação no processo de autopercepção e de mudança.
  • A competência como resultante da autocrítica, da vontade, do conhecimento, da apropriação e da prática.
  • Competências de relacionamento: saber ouvir, respeito pelo outro, respeitar as diferenças, companheirismo.

 

IV. Recursos necessários

 

Folhas de papel sulfite, folhas de flip chart, revistas para serem recortadas, cola, pincéis atômicos.

 

V. Duração prevista: 21 horas

 

ATENÇÃO: As estratégias de sensibilização previstas na atividade só têm sentido se devidamente explorados. Assim, os objetivos e os conteúdos envolvidos em cada uma delas  devem estar muito claros parao coordenador . Espera-se que o orientador substitua ou implemente as atividades aqui propostas, desde que preserve seu conteúdo e lógica de desenvolvimento, e evite uma abordagem puramente afetiva.

 

 

Texto de apoio para o coordenador: Competência

 

Competência é um conjunto de aptidões, habilidades e conhecimentos que orientam a resolução de problemas e a tomada de decisões. Quando a realização de uma tarefa envolve fundamentalmente destreza técnica ou mecânica, fala-se em competência técnico-operacional. Quando o desempenho profissional exige um conjunto de conhecimentos, conceitos e princípios técnico-científicos articulados a habilidades de caráter genérico necessárias, tais como capacidade de abstração, de análise e de síntese, é porque está fundamentado em competências cognitivas. Já se a ênfase está em valores e atitudes que interferem no relacionamento do indivíduo em seu ambiente de trabalho, a competência sociocomunicativa está em primeiro plano.

 

(SENAC Nacional, Formação e Trabalho – Uma viagem pela história do trabalho, edição multimídia, Rio de Janeiro, Editora SENAC Nacional, 1997.)

 

 

 

 

O material apresentado neste post refere-se um excerto retirado do Manual do Instrutor do Núcleo Central, um dos componentes curriculares de uma versão alternativa ao Programa de Educação para o Trabalho (PET), do Senac/SP.

 

O Programa de Educação para o Trabalho (PET) foi desenvolvido pelo SENAC/SP e implementado, na sua forma atual, em 1996. É “voltado ao desenvolvimento de jovens, especialmente daqueles com limitadas oportunidades de acesso aos bens tecnológicos que possibilitam a apropriação do conhecimento, o domínio de competências, bem como de contato e convívio com padrões estéticos requisitados por um mercado de trabalho exigente e seletivo, inflexível a justificativas de natureza sociopolítica” (José Luiz Gaeta Paixão. Introdução do Programa de Educação para o Trabalho. São Paulo, SENAC, 1996).

 

O SENAC desenvolve o Programa de Educação para o Trabalho há cerca de 10 anos. O projeto teve origem após a constatação das dificuldades que jovens tinham em ingressar e permanecer no mundo do trabalho. Até agora, o Programa atendeu mais de 100 mil garotas e rapazes.

 

A GERMINAL participou da concepção do Núcleo Central do PET e da capacitação de todos os docentes (cerca de 1.000) envolvidos na implementação inicial do Programa. Desenvolveu também uma versão alternativa ao Plano de Curso original do Programa, o manual do Núcleo Central e todos os manuais das Estações de Trabalho dessa versão alternativa. Tal versão, por um conjunto de circunstâncias, acabou não sendo implementada, pelo menos em sua totalidade.

 

Em outros posts, pubicamos excertos dessa versão alternativa. Os excertos devem ser encarados como amostras do trabalho que pode ser desenvolvido pela Germinal.  A versão alternativa é composta por um Núcleo Central e por Estações de Trabalho destinadas ao tratamento de áreas específicas do Setor de Comércio e Serviços. Dela já publicamos os seguintes excertos:

  • Estrutura e Objetivos para a Versão Alternativa (extraída do Manual do Núcleo Central)
  • Amostra I: Exemplo de uma Sessão de Aprendizagem (extraído do Manual da Estação de Trabalho de Organização e Administração
  • Amostra  II: Exemplo de mais uma Sessão de Aprendizagem (extraído do Manual da Estação de Trabalho de Organização e Estética de Ambientes)
  • Amostra III: Exemplo de outra Sessão de Aprendizagem (extraído do Manual da Estação de Trabalho de Saúde) 

  

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3 Responses to “Esboçando um Plano de Desenvolvimento Pessoal e Profissional”

  1. Presentinho pra você lá no QUIMILOKOS!
    []’s

  2. Iara F T Mariano Says:

    Obrigada por essa publicação, ajudou-me a revisitar cursos que eu ja tinha feito e a preparar um curso de desenvolvimento pessoal e profissional para minha equipe de funcionarios.

    Parabens!!
    Iara F T Mariano
    Curitiba-PR


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