Germinal – Educação e Trabalho

Soluções criativas em Educação, Educação Profissional e Gestão do Conhecimento

Ensino Médio, um problema insolúvel? 27 27UTC fevereiro 27UTC 2009

 

Revisitando as páginas de “A Construção do Pensamento e da Linguagem”, de L. S. Vigotski (São Paulo, Editora Martins Fontes, 2001), três marcantes parágrafos chamaram-me a atenção. São dois parágrafos curtos e outro um pouco mais longo. A ver:

 

O pensador - Auguste Rodin

O pensador - Auguste Rodin

1. “(…) onde o meio não cria os problemas correspondentes, não apresenta novas exigências, não motiva nem estimula com novos objetivos o desenvolvimento do intelecto, o pensamento do adolescente não desenvolve todas as potencialidades que efetivamente contém, não atinge as formas superiores ou chega a elas com extremo atraso” (p. 171).

 

2. “A formação de conceitos surge sempre no processo de solução de algum problema que se coloca para o pensamento do adolescente. Só como resultado da solução desse problema surge o conceito” (p. 237).

 

3. Não menos que a investigação teórica, a experiência pedagógica nos ensina que o ensino direto de conceitos sempre se mostra impossível e pedagogicamente estéril. O professor que envereda por esse caminho costuma não conseguir senão uma assimilação vazia de palavras, um verbalismo puro e simples que estimula e imita a existência dos respectivos conceitos na criança mas, na prática, esconde o vazio. Em tais casos, a criança não assimila o conceito mas a palavra, capta mais de memória que de pensamento e sente-se impotente diante de qualquer tentativa de emprego consciente do conhecimento assimilado. No fundo, esse método de ensino de conceitos é a falha principal do rejeitado método puramente escolástico de ensino, que substitui a apreensão do conhecimento vivo pela apreensão de esquemas verbais mortos e vazios” (p. 247).

 

Vigotski diz que o método puramente escolástico de ensino é rejeitado. Não no Brasil. Aqui é a prática pedagógica corrente, principalmente na escola pública e no Ensino Médio. Dos dois primeiros parágrafos, podemos concluir que estamos impedindo a nossa juventude de desenvolver todas as suas potencialidades e de atingir ou chegar muito atrasada às formas superiores de pensamento. Estamos emburrecendo a nossa juventude.

 

A crítica e a constatação não são novas. O que surprende é a tremenda força de resistência à mudança de nossa escola. Convivo com os problemas da educação brasileira há quarenta anos. Repassando esse tempo todo, resta a sensação de que nada mudou.

 

A invencível resistência à mudança de nossa escola, me fez lembrar um poema de João Cabral de Melo Neto: “O Número Quatro”. Ele diz:

 

O número quatro feito coisa

ou a coisa pelo quatro quadrada,

seja espaço, quadrúpede, mesa,

está racional em suas patas;

está plantada, à margem e acima

de tudo o que tentar abalá-la,

imóvel ao vento, terremotos,

no mar maré ou no mar ressaca.

Só o tempo que ama o ímpar instável

pode contra essa coisa ao passá-la:

mas a roda, criatura do tempo,

é uma coisa em quatro, desgastada.


João Cabral de Melo Neto, O Número Quatro. In: João Cabral, Museu de Tudo. Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1976, p.54.

Inspirado no poema, me propus a identificar as quatro causas fundamentais que fazem com que o Ensino Médio esteja “plantado à margem e acima de tudo o que tentar abalá-lo”. Depois de talvez ainda insuficiente reflexão, escolhi quatro grandes pilares de manutenção de nosso “quadrado” Ensino Médio: o currículo (dividido em disciplinas), o sistema de formação de professores, a facilidade de operação administrativa,  o pensamento pedagógico dominante.

 

Esses quatro pilares estão intimamente relacionados. Eles se reforçam mutuamente criando o espaço, a mesa, o quadrúpede do nosso Ensino Médio. Eles não atendem às necessidades de desenvolvimento intelectual e afetivo de nossos adolescentes. Eles atendem a uma racionalidade dominante. Em uma sequência de artigos posteriores vamos abordar cada um desses pilares e as interrelações entre eles. Se fôlego sobrar, vamos discutir como desgastá-los, rumo à roda da mudança e da melhoria contínua.

 

Maria Nilde Mascellani 24 24UTC fevereiro 24UTC 2009

 

Este texto, release de Maria Nilde Mascellani – foi lido na inauguração do Ciep em Americana que levou seu nome, em 11 agosto 2007. O texto foi reproduzido do blog Vocacional: ontem, hoje e sempre na mente, onde outras informações sobre os Ginásios Vocacionais podem ser encontradas.


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Principal figura ligada aos Ginásios Vocacionais, a professora e pedagoga Maria Nilde Mascellani nasceu em São Paulo a 03 de abril de 1931.

 

Filha do dentista Dr Tito Mascellani, descendente de imigrantes italianos, e da dona-de-casa Margarida Swoboda Mascellani, de origem austríaca, Maria Nilde tinha mais três irmãos. Estudou a partir da 2ª série ginasial, atual 6º série, na Escola Estadual Padre Anchieta no Brás, bairro onde a família morava.

 

Foi na adolescência que os primeiros sinais da doença que a acompanharia durante toda a sua vida se manifestaram. Vítima de reumatismo deformante, quando adulta caminhava com dificuldade, sentia muitas dores e só suportava as crises a base de analgésicos. Essa terrível enfermidade, no entanto, não impediu que Maria Nilde dedicasse toda sua energia para o problema da educação e suas alternativas, tornando-se uma das maiores educadoras que o Brasil já teve.Concluído o ginásio, seguiu o Curso Normal (Curso de Formação de Professores) na mesma escola, o Padre Anchieta. No ano de sua formatura como professora primária, ingressou no curso de Pedagogia da Universidade de São Paulo. Foi aluna e depois se tornou muito amiga do professor Florestan Fernandes, seu mestre e inspirador.

Como professora de Educação, lecionou em escolas públicas do Estado. Foi trabalhar no Instituto de Educação da pequena cidade paulista de Socorro, e em 1959, faz parte da equipe das Classes Experimentais de Socorro que, fundamentadas na linha pedagógica da Escola de Sévres (França), viriam a ser a semente do Sistema de Ensino Vocacional.

 

Luciano Carvalho, secretário da Educação do Estado de São Paulo na época, formou uma comissão de educadores para elaborar um projeto piloto de educação que levasse em conta a vocação do aluno e abrisse as portas da escola para a comunidade e suas aspirações. Maria Nilde Mascellani foi um dos nomes chamados para fazer parte da montagem do S.E.V. (Serviço de Ensino Vocacional) e após sua criação em 1961, tornou-se sua coordenadora, ficando no cargo até o ano de sua extinção, em 1969.

 

O S.E.V. constituiu-se como um órgão especializado, diretamente subordinado ao Gabinete do Secretário da Educação do Estado. Foram instaladas seis unidades em todo Estado. A unidade da capital começou a funcionar em 1962, bem como as unidades da cidade de Americana (zona industrializada) e Batatais (zona agrícola). Em 1963, instalaram-se as unidades de Rio Claro (centro ferroviário), Barretos (zona agropecuária) e, em 1968, entrou em funcionamento a unidade de São Caetano do Sul. Todas ofereciam o então 1º ciclo do ensino secundário (de quatro anos) em período integral. A partir de 1967, instalou-se na unidade da capital, Oswaldo Aranha,o ensino médio de 2º grau e o curso noturno que atendia aos jovens trabalhadores do bairro com escolaridade tardia. Nos seus oito anos de existência, as Escolas Vocacionais desenvolveram-se em termos estrutural-administrativos e conceituais.

 

Os Ginásios Vocacionais continham uma proposta pedagógica revolucionária que utilizava estratégias de integração curricular, como os estudos do meio e os projetos de intervenção na comunidade e planejamento curricular através da pesquisa junto à comunidade. Na construção do currículo, procurava-se trazer a realidade social para o interior da escola.Os GVs foram definidos como escolas comunitárias instaladas a partir de sondagens das características culturais e socioeconômicas da localidade.

 

Procuravam executar programas de interesses comuns com outras instituições, particularmente outras escolas primárias e secundárias. Suas linhas diretrizes na condução da prática pedagógica eram a apreensão integrada do conhecimento, o valor do trabalho em grupo, o desenvolvimento de condições de maturidade intelectual e social, o exercício consciente do trabalho, a definição de opções de estudo e ocupações, a disposição para atuação no próprio meio e a descoberta da responsabilidade social.

 

A área de maior peso era a de Estudos Sociais, que incluía noções de História, Geografia, Economia, Sociologia e Antropologia. Uma ou outra dessas disciplinas poderia ser explorada mais profundamente, dependendo da unidade em estudo. A partir dos Estudos Sociais desenvolvia-se um sistema de relações com as demais áreas: Português, Matemática, Ciências, Física, Biologia, Economia Doméstica, Artes Industriais, Práticas Comerciais e Agrícolas, Artes Plásticas e Educação Musical e, conforme o tipo de situação-problema, seriam obtidos diferentes esquemas integratórios.

 

Esse currículo integrado exigia, para sua execução, a ação articulada de professores, funcionários e demais técnicos.

 

O processo de avaliação nessas escolas também era considerado inovador: substituía as notas por conceitos. Os alunos se auto-avaliavam em relação aos objetivos, aos métodos e estratégias, conteúdos e atitudes. Atribuíam a seu próprio desempenho um conceito que era levado aos Conselhos de Classe e aí eram discutidos.

 

GV de Batatais

Implantada em um momento de intenso debate político e desenvolvida em grande parte sob o regime militar, a experiência do Serviço de Ensino Vocacional foi constantemente objeto de controvérsias, sabotagens e, por fim de aberta repressão. Maria Nilde sofreu muitas pressões como coordenadora do S.E.V. Em 1965, por exemplo, no governo Adhemar de Barros, o S.E.V. recebia inúmeros pedidos de contratação de professores e técnicos e de vagas para alunos que não tinham passado pelo processo de seleção. Diante da resistência em atender esses pedidos, o S.E.V. começou a receber ameaças de corte de verbas e de demissões de funcionários não comissionados. A primeira grande crise, conhecida dentro do S.E.V. como a “crise de 65”, aconteceu diante da negativa de matricular um candidato a aluno que era filho de um funcionário de confiança do secretário de Educação, e que não tinha passado no processo de seleção no Oswaldo Aranha. Esta atitude causou o afastamento de Maria Nilde da coordenação do S.E.V e da diretora administrativa do Ginásio Vocacional Oswaldo Aranha.

 

Esta intervenção mobilizou todos os professores e funcionários da rede de Ensino Vocacional e das Associações de Pais e Amigos do Vocacional, órgãos de representação dos pais de alunos que tinham grande envolvimento com a escola.

 

Houve muita mobilização, assembléias na capital e no interior. O envolvimento de pais, professores, pessoas representativas da comunidade e com a grande imprensa dando cobertura ao movimento, fez com que o governo voltasse atrás e reconduzisse, através de um decreto, Maria Nilde ao cargo de coordenadora e nomeasse Joel Martins e Lygia Furquim Sim como diretores do Oswaldo Aranha.

 

Aula de economia doméstica

GV de Batatais

 

 

 

O último período de vida do Ensino Vocacional coincidiu com o endurecimento do regime ditatorial. Com a criação do Ato lnstitucional n° 5, o governo adquiria armas para reprimir as liberdades democráticas. No Ensino Vocacional isso significou a prisão de orientadores, professores e alunos, e a invasão policial-militar em ação conjugada para todos os Ginásios Vocacionais no dia 12 de dezembro de 1969. Vários professores e funcionários foram detidos. Em janeiro de 1970, Maria Nilde foi aposentada com base no AI-5.

 

Impedida de trabalhar pela ditadura, Maria Nilde, juntamente com alguns ex-companheiros de serviço público, também perseguidos pelo regime militar, criou a Equipe RENOV, entidade de assessoria, projetos, pesquisa e plane­jamento de ação comunitária e educacional, com atuação na defesa dos direitos humanos e dos per­seguidos políticos do regime militar. O RENOV (Relações Educacionais e do Trabalho), foi a alternativa encontrada para, a partir da área privada, continuar formando educadores, jovens de grupos populares e outros. Em janeiro de 74, o RENOV foi invadido por policiais militares e Maria Nilde e seus companheiros foram presos por cerca de um mês.

 

Levada para o SEDES pela psicóloga Lélia Vizanni, sua amiga desde a juventude, Maria Nilde logo abriu seu espaço dentro da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Criou um centro educacional e se tornou professora de psicologia educacional. Professora da PUC a partir de 1970, orientou teses de inúmeros alunos, deixando para segundo plano, a sua própria tese de doutorado. Em toda a sua carreira como pedagoga, trabalhou com Educação Popular em programas educacionais, formais ou informais, para a população de baixa renda excluída da escola. Colaborava com os programas educacionais da CNBB desde 62. A partir de 1972, esta colaboração se dá por intermédio do RENOV. Neste mesmo ano, implantou um programa para mulheres de baixa renda na Favela Buraco Quente junto à paróquia Nossa Senhora do Guadalupe, no Campo Belo, e prestou assessoria ao projeto Educacional junto a Favela do Jaguaré, também na capital.

 

Em 1995, a Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM/CUT) procurou algumas instituições de ensino e pesquisa (PUC-SP, UFRJ, UNICAMP, CEFET-SP) para estabelecer uma parceria com o objetivo de estruturar, inicialmente no âmbito estadual e posteriormente no nacional, um amplo projeto de qualificação profissional para metalúrgicos e ex-metalúrgicos, Era o projeto INTEGRAR. A principal idealizadora deste programa foi a professora Maria Nilde Mascellani (PUC-SP). Ela conseguiu reunir sindicalistas, intelectuais, professores e trabalhadores e juntos, montaram um currículo formado por disciplinas básicas e técnicas que estavam relacionadas à experiência dos alunos (o saber acumulado) e à comunidade da qual faziam parte. Nestes anos todos, foram realizados vários cursos para trabalhadores desempregados, empregados e dirigentes sindicais sempre articulando o diálogo entre o mundo do trabalho, a certificação em nível de ensino fundamental, médio e de extensão e a ação concreta para a transformação social.

 

Maria Nilde não se casou e nem teve filhos. Em 19 de dezembro de 1999, vítima de um infarto fulminante, morreu aos 68 anos em São Paulo, interrompendo uma trajetória marcada pela honestidade intelectual, sensibilidade aos pro­blemas do ensino e coragem. Finalmente, acabara de defender na Faculdade de Educação da USP, no dia nove do mesmo mês, sua tese de doutorado Uma Pedagogia para o Trabalhador: o Ensino Vocacional como base para uma proposta pedagógica de capacitação profissional de trabalhadores desempregados (Programa Integrar CNM/CUT), que versava sobre duas de suas realizações: o Ensino Vocacional e a Pedagogia do Programa Inte­grar, da Confederação Nacional dos Metalúrgicos.

 

O trabalho de Maria Nilde faz parte da história da educação brasileira desde os anos 60 e sua proposta de ensino vocacional como base da capacitação de trabalhadores, realizada no projeto Integrar, resgata uma dívida social sem ter assumido uma forma assistencialista.

 

Trilha Jovem encerra atividades em grande estilo 20 20UTC fevereiro 20UTC 2009

 

O blog do Maurício Araya publicou em 18/02/2009, a seguinte notícia:

 

 

São Luís – Foi encerrado na noite de ontem (17), em uma grande cerimônia, o projeto Trilha Jovem,  executado pela Faculdade São Luís em parceria com o Instituto de Hospitalidade. O projeto capacitou 173 jovens de 16 a 24 anos para atuar no desenvolvimento do Turismo.

 

Leia o que já foi publicado

 

Durante a manhã, empresários puderam observar o desempenho, competências e habilidades dos jovens participantes do projeto. À noite, a emoção contagiou pais e familiares, que comemoraram junto aos alunos a conquista de mais uma etapa concluída.

 

O evento contou com a participação do secretário de Turismo de São Luís, Liviomar Macatrão; da coordenadora pedagógica nacional do projeto Trilha Jovem, professora Gleide Macedo; do assessor de Planejamento e Execução da Faculdade São Luís, professor Reis Rocha; e do diretor geral da Faculdade São Luís, Geraldo Siqueira.

 

“O Trilha Jovem é um projeto de extrema importância para o jovem de São Luís se engajar no campo turístico. E a Secretaria de Turismo tende a oferecer trabalho a esses egressos capacitados pelo programa”, ressaltou o secretário de Turismo do município, Liviomar Macatrão.

 

“A Faculdade São Luís fica satisfeita em ter contribuído para o desenvolvimento dos alunos, e, principalmente, em poder vê-los colocando em prática os ensinamentos vistos em sala de aula durante os últimos cinco meses”, declarou o diretor geral da Faculdade São Luís, Geraldo Siqueira.

 

O Trilha Jovem conta com o apoio do Ministério do Turismo, Instituto Ibi, Counterpart International, com recursos da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), e do programa Entra21, uma iniciativa da Fundação Internacional da Juventude (IYF) e do Fumin – Fundo Multilateral de Investimentos, administrado pelo BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento.

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O Projeto Trilha Jovem nasceu de uma proposta curricular desenvolvida, em 2001, pela Germinal Consultoria para o Instituto de Hospitalidade (IH), de Salvador, na Bahia.

 

Essa primeira versão foi alterada pelo IH nas primeiras implementações, em 2004. Depois, em 2006, a versão original e a inicialmente implementada foram fundidas na versão atual, que ganhou dimensão nacional. A Germinal contribuiu nesse trabalho.

 

A partir da crítica, sistematização, reformulação e ampliação dos planos de aula utilizados nas primeiras implementações, a Germinal criou também as Referências para a Ação Docente (Eixos I, II e III), que são manuais que apresentam sugestão, passo a passo, de desenvolvimento de todas as unidades curriculares do Projeto. As Referências para a Ação Docente facilitam e são fundamentais na manutenção da qualidade  da expansão nacional do Projeto.

 

 

 

A Sala de Aula como Cenário 18 18UTC fevereiro 18UTC 2009

 

Em post anterior, Arquitetura Escolar e Aprendizagem Criativa, um texto que surgiu de um comentário a um artigo da série sobre Arquitetura e Educação, que vem sendo publicado pelo blog Boteco Escola, falamos sobre o dispositivo arquitetônico que configura um determinado ambiente em espaços destinados à aprendizagem.

 

Afirmamos que o tradicional formato em auditório é ainda predominante. Comentamos que esse uso do espaço induz uma determinada relação professor/aluno. O mestre fala, o discípulo ouve. Um ensina, os outros aprendem. Um manda, os outros obedecem. O dipositivo arquitetônico configura e induz uma relação de aprendizagem hierarquicamente definida.

 

Mas, o formato em auditório tem outras implicações. Ele reduz o locus das  transmissões que visam a aprendizagem. Apenas do palco frontal são emitidas mensagens com um objetivo educacional intencional e consciente. Dalí, o professor, o data-show, a tela do retroprojetor, o texto escrito na lousa, ou um aluno que eventualmente ocupe aquele lugar emite mensagens com fins conscientes de ensinar.

 

Todo o resto do espaço, a inteligência que o habita e as múltiplas interações possíveis estão perdidos para a tarefa de educar. Mudar o espaço e o ambiente da sala de aula é uma questão de economia. É preciso potencializar o espaço da sala de aula e toda a inteligência e relações que o ocupam na tarefa de produzir aprendizagens significativas.

 

Usando da mesma analogia, se até hoje apenas a frente da sala é palco, é preciso transformar  toda a sala de aula em palco para o drama da aprendizagem. Isso implicaria, entre outras coisas, em pensar o teto, o chão, todas as paredes, o som ambiente, a disposição do mobiliário, o que for colocado sobre móveis e carteiras, enfim tudo o que houver na sala, como potenciais meios de despertar a curiosidade, produzir desequilíbrios, facilitar e apoiar a aprendizagem…

 

O texto a seguir, excerto de um material já publicado por nós, mostra como, mesmo em um espaço convencional (quadrado ou retangular), é possível criar um ambiente de aprendizagem que aproveita todos os recursos disponíveis para fins conscientemente educativos.

 

 

SESSÃO I: ORGANIZAÇÃO CLÁSSICA DO TRABALHO                                                                                                  

 

CENÁRIO-BASE  

A Estação de Trabalho, no formato de um curso-drama será desenvolvido em uma sala-palco, que manterá durante todos os seus atos um mesmo cenário padrão. A sala-palco conterá:

 

1. Cadeiras universitárias ou mesinhas individuais, em número idêntico (exatamente) ao de atores participantes, incluindo os atores-coordenadores.  Assim, cada carteira vazia indica uma ausência.

 

2. Dois suportes para álbum-seriado, com respectivas folhas (em branco) já colocadas.

 

3. Móveis:

  • Aparador para recursos cênicos (textos, pastas, fitas de vídeo, áudio…).
  • Aparador para aparelho de TV, vídeo e som.
  • Aparador para retroprojetor ou data-show.
  • Arquivo.
  • Armário.

 

 4. Nas paredes:

  • Quadro negro.
  • Quadro de avisos (grande).
  • Sempre que possível: um quadro com uma mandala e outro com a imagem simbólica do velho sábio.
  • Outros elementos decorativos (discriminados em cada ato).
  • Projeção do poema “Profissão do Poeta”(Geir Campos. A Profissão do Poeta. In: Fernandes, Millor e Rangel, Flávio. Liberdade, Liberdade. São Paulo, L&PM, 1987, p. 22.)

 

O Poeta, Chagall

 

PROFISSÃO DO POETA

 

Operário do canto, me apresento

sem marca ou cicatriz, limpas as mãos,

minha alma limpa, a face descoberta,

aberto o peito, e – expresso documento -

a palavra conforme o pensamento.

 

Fui chamado a cantar e para tanto

há um mar de som no búzio de meu canto.

Trabalho à noite e sem revezamentos.

Se há mais quem cante cantaremos juntos;

sem se tornar com isso menos pura,

a voz sobe uma oitava na mistura.

 

Não canto onde não seja a boca livre,

onde não haja ouvidos limpos

e almas afeitas a escutar sem preconceito.

Para enganar o tempo – ou distrair

criaturas já de si tão mal atentas,

não canto…

Canto apenas quando dança,

nos olhos dos que me ouvem, a esperança. 

 

5. No chão e no centro da sala: o desenho de um grande círculo (desenhado com fita crepe, por exemplo). As cadeiras estão dispostas em torno do círculo central, com uma abertura na direção do quadro negro (semicírculo) e com espaço suficiente para que os pés dos participantes não toquem o interior do círculo.

No interior do círculo está desenhado um pequeno quadrado e, saindo do meio de cada um dos seus lados, quatro retas que dividem o círculo e o espaço total da sala em quatro partes e as cadeiras dos participantes em quatro grupos. Dentro de cada uma dessas partes, escrita em uma tarjeta ou cartolina e referindo-se a cada grupo de participantes, está colocada uma das seguintes palavras: Gerente, Técnico, Supervisor ou Operador.

 

6. Um vaso com flores naturais, colocado sobre um dos móveis.

 

7. Iluminação indireta, se possível.

 

 

O texto anterior afirma que nas paredes seriam colocados outros elementos decorativos, que seriam descritos em cada ato (aula ou unidade de estudo). A seguir, revelamos os acréscimos no cenário-base para a realização do primeiro ato. Observe que o primeiro ato trata da formação do grupo-classe. Na perspectiva do Aprendizagem Criativa e da constituição do grupo-sujeito, como já dissemos em outro lugar, esse momento é fundamental.

 

Modificações no Cenário-Base para o Ato I : Formação do Elenco

1. Outros elementos decorativos nas paredes: quadros, ampliações fotográficas, recortes de revistas, etc., contendo cenas diversificadas de trabalho e produção: trabalho artesanal, trabalho em fábricas, linhas de montagem operadas com trabalho humano e com robôs, trabalho em equipe, operação de fábricas automáticas…

 

2. Quadro negro apagado.

 

3. Aparelhos de som e vídeo já testados.

 

4. Fixados no quadro de avisos:

  • Uma relação completa dos participantes.
  • Um dos textos que será utilizado no drama.
  • Um programa do espetáculo teatral.
  • Uma frase: Ator convidado para o drama, conquiste o seu espaço!
  • Um horário do espetáculo diário (início e término).

5. Sobre as cadeiras ou mesinhas individuais: programa do espetáculo teatral, cópias dos poemas: Contratados e O Relógio.

 

6. Música de fundo: Bolero, de Ravel.

 

Observem que é previsto o uso de uma música de fundo em todo o desenvolver do trabalho. Em post futuro discutiremos essa forma de usar a música para fins educacionais e suas consequências.

 

Para os interessados, é possível acessar o texto todo da aula clicando aqui. Alí, é possível perceber como todo o arranjo ambiental é utilizado para facilitar o desenvolvimento das situações de aprendizagem. Alguns dos símbolos (quadrado, círculo, …) que são utilizados no trabalho (ver Aprendizagem Criativa – Focalização e Simbolização) também são ali tratados.

 

Por fim, é importante observar que, em escolas convencionais, muita mudança precisaria ser feita no espaço e nos equipamentos disponíveis para que uma aula que usasse o cenário descrito neste post pudesse ser desenvolvida. Que arquitetura escolar daria conta do recado?

 

Arquitetura escolar e Aprendizagem Criativa 16 16UTC fevereiro 16UTC 2009

Este texto surgiu de pequenas mudanças que produzi em um comentário que fiz ao artigo de meu amigo Jarbas Novelino  Barato “Prédios e equipamentos escolares ensinam”, no blog Boteco Escola.

 

Tenho acompanhado os últimos posts sobre a arquitetura escolar do Boteco Escola. Inclusive fiz um comentário sobre o artigo Prédios e equipamentos escolares ensinam.  Nele disse que não desconheço e não desconsidero os efeitos das condições de conservação e manutenção dos prédios escolares sobre o currículo oculto e sobre a aprendizagem.

Participei, inclusive, na Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), bom tempo atrás, de um projeto denominado, se não me falha a memória, de Projeto de Preservação e Manutenção do Patrimônio.

 

O projeto, que se espalhou pela rede pública de escolas do Estado de São Paulo, implicava em envolver toda a comunidade escolar, incluindo os pais e moradores vizinhos, em propostas de manutenção e conservação dos prédios escolares. A idéia não era a de reduzir custos de manutenção, mas de engajar a comunidade em um projeto com efeitos educacionais, especialmente os de educação ambiental.

Mas, acredito que o primeiro post do Boteco Escola sobre o assunto, Arquitetura e Educação, tocava em questão mais importante: o efeito do dispositivo arquitetônico sobre a situação de aprendizagem. O dispositivo em auditório, induz uma relação de aprendizagem em que o professor fala e o aluno ouve. Mesmo que o professor queira a participação, o dispositivo arquitetônico induz à passividade.

Para modificar essa situação, é preciso transformar o espaço e o ambiente da escola e da sala de aula.

 

Seria necessário inovar, na escola, o espaço e o ambiente. Espaço e ambiente são conceitos basilares na arquitetura. Vou usar as definições contidas no manual do docente da Estação de Trabalho de Organização de Ambientes de Vendas do Programa de Educação Para o Trabalho (PET) do SENAC/SP.

Espaço: local delimitado por alguma forma de construção ou objeto, ou encontrável na natureza. Pode ser um local dentro do (contido no) objeto que o delimita, ou fora dele. Por exemplo: uma sala é um local delimitado por paredes, teto, piso, janelas e portas. Mas, num exemplo mais complexo, um obelisco num local vazio delimita e ao mesmo tempo dá uma configuração ao espaço em torno dele. Uma praça, embora não seja um local fechado, constitui um espaço.

Ambiente: espaço ao qual se acrescentam certas condições. Uma simples sala com a presença de pessoas forma um ambiente. A mesma sala com um aparelho de som ou uma orquestra é outro ambiente. Essa mesma sala com carteiras escolares forma um terceiro tipo de ambiente, e assim por diante. Conclui-se, portanto, que num mesmo espaço podem ser formados diversos ambientes”

Sala de aula com «cave seat» (nicho), Galilee Catholic Learning Community, Russell & Yelland Architects

Do espaço e ambiente escolar renovados, poderíamos falar em construções que se abrissem para seu entorno e se tornassem parte dele. Construções que não apenas facilitassem o acesso da comunidade à escola, mas que transformassem o entorno escolar em uma continuidade do espaço de aprendizagem e ajudassem a criar o ambiente da cidade educativa ou educadora.

 

Há um poema de João Cabral de Melo Neto, sobre esse tema da abertura, do qual gosto muito:

 

 

 

“A arquitetura como construir portas,

de abrir, ou como construir o aberto;

construir; não como ilhar e prender;

nem construir como fechar secretos;

construir portas abertas, em portas;

casas exclusivamente portas e teto.

O arquiteto: o que se abre para o homem

(tudo se sanearia desde casas abertas)

portas por-onde, jamais portas-contra;

por onde, livres: ar luz razão certa”

 

 

Melo Neto, João Cabral de, Fábula de Um Arquiteto, A Educação pela Pedra, Rio de Janeiro, nova Fronteira, 1996, p. 36.

Mas, as escolas continuam sendo recintos quadrados, fechados, escondidos dos olhares do mundo e que impedem aos alunos olharem o mundo com seus próprios olhos.

No entanto, o espaço e o ambiente da sala de aula parecem ainda mais imutáveis. O convencional formato retangular do espaço induz ao típico ambiente com a organização das carteiras em fila. Ora, sabemos que o formato mais adequado à conversa e à participação é o círculo. Ninguém projeta escolas e salas supondo um ambiente em que as carteiras escolares estejam dispostas em círculo.

Tenho casos sobre isso.

High Tech Middle School, Carrier Johnson.

 

Para mim, a atividade e a participação do aluno são fundamentais no processo de aprendizagem. Assim, a melhor sala de aula em que já trabalhei, foi uma que existia no CENAFOR, antiga e extinta fundação do MEC em São Paulo. Era circular e carinhosamente a apelidávamos de “Queijinho”. Além de ser circular, continha divisórias internas que possibilitavam a criação de espaços de diferentes tamanhos para o trabalho de pequenos ou grandes grupos. Estava adequada para uma proposta metodológica diferente da convencional.

Trabalhando na capacitação de docentes para a o Programa Educação para o Trabalho (PET) do SENAC/SP, usava o auditório da unidade da Rua 24 de Maio, centro de São Paulo. Todo dia, para desespero do pessoal de limpeza, carregava as pesadas poltronas e transformava o quadrado em círculo. Todo o fim de dia, o pessoal da limpeza retornava as poltronas para sua original posição em filas paralelas, objetivando prepará-las para o uso noturno. Da experiência, cheguei à convicção que a mudança educacional só acontecerá quando, em qualquer circunstância, o pessoal de limpeza preferencialmente organizar as cadeiras em círculo.

 

Por fim, uma lembrança do meu trabalho com o SENAC Rio. O Centro Politécnico foi escolhido para implementar cursos técnicos, formatados de acordo com uma nova proposta pedagógica. Nela estava prevista uma revolução metodológica incompatível com as salas em formato de auditório. O espaço das salas do Centro Politécnico, no entanto, era insuficiente para a organização das cadeiras em círculos que contivessem 30 participantes. Foi necessário derrubar as paredes e de duas salas fazer uma. Única solução possível, embora em uma sala ou outra, as colunas remanescentes dificultassem um pouco os olhares e as conversas.

Como conclusão, tenho pensado que uma solução arquitetônica adequada à  Aprendizagem Criativa seria a construção de salas sextavadas e espaços escolares que fossem construídos espelhando-se na organização dos favos de mel. Nada sei de arquitetura para saber se tais escolas e salas são viáveis. Mas, acredito que seriam mais doces e democráticas.

Sala de aula, Pistorius-Schule, Behnisch Architekten.

Sala de aula, Pistorius-Schule, Behnisch Architekten.

 

 

Dinâmica do Circuito dos Elementos 13 13UTC fevereiro 13UTC 2009

 

Em Variações Criativas na Dinâmica de Grupos – Aprendizagem Criativa / A análise III, damos um exemplo de inovação da dinâmica dos grupos na fase da Síntese.

 

Falamos que, em post posterior, iríamos mostrar um exemplo em que o pensamento seria predominante e a dinâmica possibilitaria a apresentação de conclusões mais verbais e objetivas. Sempre mantendo, porém, a preocupação de tornar a dinâmica agradável e desafiadora e de demandar o uso simultâneo das quatro funções conscientes (pensamento, sentimento,percepção e intuição).

 

O exemplo é a dinâmica: “Circuito dos Elementos”, parte de um programa de desenvolvimento gerencial em Gestão Estratégica em Agenciamento e Operações Turísticas, destinado a gestores de Agências de Viagens, que apresentamos a seguir:

 

 

Circuito dos elementos

 

Na volta do intervalo, o coordenador informa que o grupo vai vivenciar a segunda situação de aprendizagem – Circuito dos Elementos – que está prevista para o desenvolvimento da seguinte competência: identificar e projetar tendências de mercado.

 

Como forma de desenvolver a competência, os participantes vão enfrentar o seguinte desafio:

 

Miltom Avery, Dark Forest, 1958
Miltom Avery, Dark Forest, 1958

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Elaborar diferentes cenários sobre o futuro do mercado e dos negócios de agenciamento e operações turísticas, tendo como horizonte o ano 2017.

 

  

 Cada grupo deverá elaborar um diferente tipo de cenário. A saber:

 

Grupo Água (azul) – o grupo deverá desenhar um cenário tendencial. O cenário tendencial é construído a partir do prolongamento ou inflexão de tendências passadas. O coordenador informa que o cartaz no centro do quadrado traz um exemplo de cenário tendencial construído sobre o prolongamento de tendências passadas.

 

  

Cenário Tendencial I: a exaustão de um modelo de negócio

 

Questão para o futuro

 

Cenário tendencial I (2017)

1. As agências adotarão um posicionamento estratégico?

R1. As agências continuarão sem um foco estratégico definido. Não optarão por foco no preço, no relacionamento com o cliente ou na qualidade do produto.

2. Como será feita a segmentação de mercado?

R1. Os segmentos mais atendidos continuarão sendo os interessados em turismo de lazer e o turismo de negócios / corporativo, sendo os clientes tratados de forma padronizada.

3 Os produtos e serviços serão diversificados?

R1. Venda de passagens aéreas, pacotes e meios de hospedagem ainda representarão 80% dos negócios das agências.

4. Como serão remunerados os serviços de agenciamento e operações turísticas?

R1: O processo de desintermediação estará quase completo.

R2. Serão reduzidos ou extintos os pagamentos de comissões.

R3: A maioria das agências não cobrará pelos seus serviços.

5. Como serão distribuídos os produtos e serviços turísticos?

R1. As companhias aéreas e as operadoras aumentarão significativamente a venda direta de passagens aéreas e pacotes turísticos.

R 2. Metade das transações turísticas será feita via Internet.

6. Como será a qualidade da prestação de serviços?

R1. Não existirá uma preocupação sistemática com a melhoria da qualidade dos serviços.

R2. As agências não investirão significativamente na qualificação do pessoal.

7. As agências estarão atualizadas tecnologicamente?

R1. A tecnologia de comunicação e informação não será usada para melhorar o relacionamento com os clientes, para aprimorar a gestão ou para a formatação de novos produtos.

8. A agências participarão de iniciativas relacionadas com a sustentabilidade dos destinos?

R1. Não existirá preocupação e não serão tomadas medidas que garantam a sustentabilidade dos destinos.

 

O coordenador explora as previsões do Cenário Tendencial I, mostrando que elas foram construídas a partir da Pesquisa Setorial – Agências de Viagem no Brasil, que foi distribuída juntamente com as pastas aos participantes. O grupo deve, no entanto, descrever um cenário em que estas tendências passadas são revertidas ou reorientadas.

 

Grupo Terra (VERDE) – O grupo deverá elaborar um cenário exploratório. O cenário exploratório descreve um ou mais futuros possíveis. O qrupo pode trabalhar com questões diferentes ou enfocando ângulos diferentes daqueles incluídos no Cenário Tendencial I.

 

Grupo fogo (vermelho) – O grupo vai elaborar um cenário normativo. O cenário normativo descreve um futuro desejado. As variáveis usadas para descrever o futuro desejado serão de escolha do grupo.

 

Grupo ar (amarelo)  –  O grupo vai descrever um cenário intuitivo. O cenário intuitivo é qualitativo e fruto da imaginação. Difere do normativo na medida em que não precisa, necessariamente, ser um futuro desejado. É um futuro criado pela livre imaginação de seus autores.

 

O coordenador promove a formação dos quatro (4) grupos. Se, na escolha original, os participantes se distribuíram de forma equilibrada (numericamente) entre os elementos, o coordenador utiliza a mesma formação grupal resultante do movimento “Eu e os elementos”. Se os grupos resultantes daquele movimento forem numericamente muito diferentes, o coordenador promove uma redistribuição, de forma a equilibrar o número de participantes em cada grupo.

 

 

 

Primeiro Movimento: Síncrese

 

Jackson Pollock, Reflection of the Big Dipper, 1947

Cada grupo dirige-se ao canto da sala onde está um cartaz com o cenário relacionado ao seu elemento. Os grupos são informados que, nesse movimento, será utilizada a técnica da Tempestade de Idéias. Nela, o participante deve, sem censura, produzir o maior número possível de idéias que descrevam o cenário implicado no desafio.

 

Nos cantos, os participantes ouvirão, como fundo musical, o Chorus 1 – Saint Matthew Passion – BWV 244, de Bach, para propiciar a fluência das idéias. Individualmente, sem comunicação com os demais integrantes do grupo, os participantes registram, em tarjetas da cor representativa do seu elemento, frases que descrevem o cenário (o futuro) relacionado ao seu elemento.

 

Antes do início do registro das idéias, o coordenador apresenta um cartaz que orienta a apresentação de conclusões através de tarjetas. Através de uma tarjeta escrita por ele, exemplifica a aplicação das regras.

 

Atenção – tarjetas

  • Escreva com pincel atômico (azul ou preto
  • Só registre uma idéia por tarjeta.
  • Escreva em letra de forma, maiúscula.
  • Seja sintético. Não use mais do que três linhas.
  • Garanta que o texto possa ser visto a distância.
  • Use cores diferentes para assuntos diferentes.

 

 

As tarjetas contendo descrições de futuros, individualmente produzidas, são fixadas nas paredes do canto da sala destinado a cada elemento (ar, fogo, terra e ar) e cenário e, portanto, a cada grupo.

 

 

Mark Rothko, Aubade, 1944
Mark Rothko, Aubade, 1944

Segundo Movimento : Análise

 

O Coordenador distribui e comenta rapidamente os Cenários Alternativos A e B, propostos pelo Ministério do Turismo no documento “Turismo no Brasil 2006 / 2010”.

 

 

 clip_image002

 

 

 

 

 

 

Os grupos mudam de canto (caminhando para a esquerda). O coordenador distribui a poesia “Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles, para ser lida por todos, sob a forma de jogral. Cada verso poderá ser lido por um grupo correspondente a um dos elementos. O quinto verso de cada série pode ser lido por todos. Para tanto, marcar na poesia, ao lado dos versos: fogo, terra, água, ar, todos juntos, como pode ser visto no texto adiante apresentado.

 

OU Isto ou Aquilo

Todos juntos

 

 

Ou se tem chuva e não se tem sol

Água

ou se tem sol e não se tem chuva!

Terra

 

 

Ou se calça a luva e não se põe o anel,

Ar

ou se põe o anel e não se calça a luva!

Fogo

 

 

Quem sobe nos ares não fica no chão,

Todos juntos

quem fica no chão não sobe nos ares.

Todos juntos

 

 

É uma grande pena que não se possa

Água

estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Terra

 

 

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,

Ar

ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Fogo

 

 

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…

Todos juntos

e vivo escolhendo o dia inteiro!

Todos juntos

 

 

Não sei se brinco, não sei se estudo,

Água

se saio correndo ou fico tranqüilo.

Terra

 

 

Mas não consegui entender ainda

Ar

 qual é melhor: se é isto ou aquilo

 

 Fogo

Meirelles, C. Ou Isto ou Aquilo. In: Poesia Completa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2001, p. 1483

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Após a leitura, os grupos trabalham sobre as descrições de futuro que foram registradas em tarjetas pelos participantes do grupo que ocupou aquele canto anteriormente. O coordenador pede que selecionem as descrições organizando-as em três conjuntos: (1) as repetidas; (2) as adequadas; e as (3) contraditórias. Pede que descartem as repetidas e as contraditórias e que complementem as descrições adequadas de futuro, sempre respeitando o tipo de cenário em construção.

 

 

Kandinsky, Seven, 1943
Kandinsky, Seven, 1943

 

Terceiro Movimento: classificação

 

 

Os grupos mudam novamente de canto e no mesmo sentido da mudança anterior.  Antes de apresentar a nova atividade, o coordenador distribui o texto de apoio 5, que apresenta as propostas do Ministério do Turismo relativas à Segmentação e à Produção Associada, para o período de 2006 a 20010.

 

        Turismo no Brasil de 2006 / 2010

 

1.2.2. Segmentação

 

clip_image001      Identificar os segmentos e as atividades envolvidas com a cadeia produtiva do turismo nas regiões turísticas mapeadas.

clip_image001      Elaborar metodologia para desenvolver os segmentos do turismo eqüestre, observação de aves, pesca, dentre outros.

clip_image001      Identificar destinos referenciais nas diversas atividades como cavalgada, histórico / cultural, pedagógico, caminhada, agroturismo, etc. realizando a qualificação específica de guias, condutores, multiplicadores, e empreendedores, dentre outros.

clip_image001      Identificar o papel e a forma de participação do segmento de turismo rural nos roteiros que se apresentam a cada ano no Salão do Turismo.

clip_image001      Inserir o conceito e o entendimento das atividades de entretenimento e animação turística como um dos principais eixos de intervenção de crescente importância no turismo doméstico e internacional.

clip_image001      Criar um programa integrado de desenvolvimento do segmento do turismo de negócios, eventos e incentivos.

clip_image001      Apoiar e fomentar a requalificação da produção associada ao turismo, especialmente o artesanato, criando mecanismos para promover o manejo ambiental adequado dos recursos naturais utilizados.

clip_image001      Apoiar a implementação do uso público nas Unidades de Conservação Ambiental ampliando a oferta do segmento do ecoturismo, através de parcerias público privadas.

clip_image001      Promover o desenvolvimento de parques temáticos e atrações turísticas como âncora para o crescimento do turismo familiar.

 

1.2.3. Produção Associada

 

clip_image001      Apoiar o desenvolvimento das comunidades locais, dinamizando e realizando articulações intersetoriais para a geração de renda e trabalho com a distribuição dos benefícios do crescimento econômico gerado pelo turismo, integrando a cadeia produtiva e ampliando os produtos associados trabalhados.

clip_image001      Criar mecanismos condicionantes para a inclusão das comunidades locais como mão-de-obra ou fornecedora de produtos e serviços para os empreendimentos turísticos com investimentos impactantes no desenvolvimento socioeconômico local.

clip_image001      Pesquisar a variedade e a diversificação da fruticultura tropical do Brasil, para agregar valor econômico à gastronomia, no foco do patrimônio cultural.

clip_image001      Fortalecer os roteiros turísticos através da agregação de valor das várias formas de produção caracterizando os territórios pelas suas especificidades, como produtores ou como destinos turísticos (artesanato, agroturismo, festas populares, gemas e jóias, vestuário, moda, etc.).

clip_image001      Incentivar a implementação de planos de desenvolvimento, com agenda de ações hierarquizadas e pactuadas em Arranjos Produtivos Locais – APLs com gestão cooperada e compartilhada entre o setor público e privado.

clip_image001      Desenvolver programa contínuo de fomento à produção associada ao turismo, em seus diversos segmentos econômicos para a agregação de valor a oferta turística.

clip_image001      Criar programa de apoio ao desenvolvimento de fornecedores para a cadeia produtiva do turismo.

clip_image001      Criar mecanismos que permitam aos turistas nacionais e internacionais o entendimento da gastronomia brasileira como elemento do patrimônio cultural, constituindo um diferencial de competitividade.

 

O coordenador informa que os grupos vão classificar as tarjetas existentes em cada cenário nas seguintes categorias: Mercado; Clientela; Segmentação / Diversificação; Distribuição; Qualidade; Tecnologia; e Sustentabilidade. Distribui a cada grupo um conjunto de sete tarjetas brancas. Em cada tarjeta está impresso o nome de uma categoria. Por fim, o coordenador descreve rapidamente o nome de cada categoria.

 

1. Mercado: onde devem estar colocadas as tarjetas que façam previsões relacionadas ao crescimento ou redução do mercado de agenciamento e operações turísticas.

 

2. Clientela: Tarjetas que fazem previsões sobre as mudanças nas características da clientela e no atendimento aos clientes.

 

3. Segmentação / diversificação: onde devem ser colocadas as tarjetas que fazem previsões relacionadas aos segmentos de mercado e à diversificação de produtos e serviços.

 

4. Distribuição: onde devem ser incluídas as tarjetas que fazem previsões de modificações nas atuais formas de distribuição dos produtos e serviços de agenciamento e operações turísticas (divisão do mercado entre companhias aéreas, consolidadoras, operadoras, agências, etc).

 

5. Qualidade: Onde serão classificadas as previsões sobre mudanças relacionadas à qualidade de produtos e serviços.

 

6. Tecnologia: Tarjetas que fazem previsões sobre mudanças tecnológicas e seus efeitos.

 

7. Sustentabilidade: Tarjetas relacionadas ao desenvolvimento sustentável do turismo.

 

Se necessário, os grupos podem criar novas categorias e complementar as previsões em função do texto do Ministério do Turismo ou das categorias apresentadas. Para tanto, tarjetas brancas não impressas estarão disponíveis. Da atividade de cada grupo resultará um painel similar ao apresentado no quadro a seguir.

 

cenário tendencial (ou exploratório, ou normativo ou intuitivo)

Mercado

tarjeta 1

tarjeta 2

tarjeta 3

tarjeta 4

tarjeta 5

Clientela

tarjeta 1

tarjeta 2

tarjeta 3

tarjeta 4

tarjeta 5

Segmentação

tarjeta 1

tarjeta 2

tarjeta 3

 

 

Distribuição

tarjeta 1

tarjeta 2

tarjeta 3

tarjeta 4

 

Qualidade

tarjeta 1

tarjeta 2

tarjeta 3

tarjeta 4

tarjeta 5

Tecnologia

tarjeta 1

tarjeta 2

tarjeta 3

 

 

Sustentabilidade

tarjeta 1

tarjeta 2

tarjeta 3

tarjeta 4

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Quarto Movimento: Avaliação

Kandinsky, In the Black Circle, 1923
Kandinsky, In the Black Circle, 1923

 

 

Os grupos voltam a mudar de canto, no mesmo sentido. O coordenador apresenta rapidamente um slide com a segmentação utilizada pelo Ministério do Turismo e apresentada no quadro a seguir.

 

segmentação do turismo

Turismo Social

Ecoturismo

Turismo Cultural

Turismo de Estudos e Intercâmbio

Turismo de Esportes

Turismo de Pesca

Turismo Náutico

Turismo de Aventura

Turismo de Sol e Praia

Turismo de Negócios e Eventos

Turismo Rural

Turismo de Saúde

 

MINTUR. Segmentação do turismo – marcos conceituais. Disponível em: http://institucional.turismo.gov.br/

Acesso em: 26 jan. 2007.

 

 

Baseados nesta segmentação, no conhecimento, experiência profissional e intuição de seus integrantes, cada grupo avalia o painel resultante das intervenções dos grupos que anteriormente passaram por aquele canto. De acordo com a avaliação, os grupos alteram o painel, mexendo em todas as colunas e tarjetas que considerem inapropriadamente colocadas. Nessa tarefa de avaliar e alterar, os grupos procuram respeitar a característica fundamental (tendencial, normativo, exploratório ou intuitivo) do cenário em construção.

 

 

Quinto Movimento: conclusão

Mondrian, Tableau No. 2/Composition No. VII, 1913
 
 
 
 
 
 
 

 

 

Os grupos mudam novamente de canto, ainda no mesmo sentido. Com este movimento, cada grupo retorna ao seu ponto de origem. Ouvem, antes de iniciar o trabalho final, a música “Tempo Rei”, cuja letra é distribuída previamente para os participantes e adiante apresentada.

 

 

 

Tempo rei

Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole
Pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento
Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei
Pensamento
Mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento
Para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo
Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei
 
 
 
 
GIL, G. Tempo Rei. In: Gil Luminoso. Brasil, Biscoito Fino, 1999. 1 CD.

 

   

Cada grupo toma conhecimento do resultado do trabalho dos demais grupos sobre a sua produção inicial de idéias e anota concordâncias e sugestões de mudanças. Em painel, cada grupo apresenta suas concordâncias e sugestões de mudança, negociando-as com os demais grupos. Neste momento, além do grupo que está expondo, todos poderão contribuir com intervenções para crítica e enriquecimento dos vários cenários.

 

Trilha Jovem abre inscrições para nova turma 12 12UTC fevereiro 12UTC 2009

 

O site Portal Fator Brasil, em 11/02/2009, veiculou a seguinte notícia sobre o Trilha Jovem:

 

 

Estão abertas as inscrições para a turma de 2009 do projeto Trilha Jovem, de Foz do Iguaçu. Para participar da seleção, os interessados devem fazer a pré-inscrição nos dias 12 e 13 de fevereiro, das 8h às 18h (sem intervalo), nos seguintes locais: Shopping Cataratas JL; Conselho Comunitário – Vila C; Colégio Estadual Três Fronteiras – Porto Meira; Centro de Convivência Leonel de Moura Brizola – Três Lagoas; Centro de Convivência Darci Pedro Zanata – Morumbi.

 

Após o período da pré-inscrição, os candidatos devem participar de uma palestra de esclarecimento e preencher a ficha de inscrição, que será analisada pela equipe de seleção do projeto. Os candidatos selecionados nessa fase participam, ainda, de uma dinâmica de grupo e teste psicológico. Os aprovados seguem para a última etapa da seleção, que será a entrevista individual.

 

O projeto Trilha Jovem surgiu na cidade de Salvador/BA, no ano de 2004, e foi estruturado pelo Instituto de Hospitalidade (IH). Muito mais do que oferecer a capacitação profissional e, consequentemente, abrir inúmeras oportunidades para esses jovens, o Trilha Jovem faz transformações. Transforma o ponto de vista dos jovens, estimulando o desejo por um futuro melhor e gerando uma perspectiva de vida que muitos deles não possuíam antes de conhecer o projeto.

 

Desenvolvido em Foz do Iguaçu desde 2006, o projeto Trilha Jovem é executado pelo Instituto Polo Iguassu. O objetivo principal do projeto é a capacitação de jovens e a inserção dos mesmos no mercado turístico.

 

A participação no projeto é gratuita. Os jovens recebem auxílio para transporte e lanche nos intervalos do curso. Para participar é preciso ter entre 16 e 24 anos de idade, estar ou ter cursado o Ensino Médio na Rede Pública até o ano de 2006, ter renda familiar comprovada de até três salários mínimos, ter disponibilidade e disposição para freqüentar as aulas e ter um perfil que se encaixe ao setor de turismo.

 

O curso tem a duração de quatro meses, seguidos de uma vivência profissional obrigatória de 80 horas. As aulas são diárias, ministradas no contra turno escolar na sede do Instituto Polo Iguassu, localizada no Parque Tecnológico Itaipu (PTI). São 500 horas de aulas teóricas e experiências práticas.

 

Após obterem conhecimentos sobre as bases do turismo sustentável, as turmas são divididas em três áreas: Alimentos e Bebidas (para maiores de 18 anos); Viagens e Turismo; e Meios de Hospedagem. O projeto oferece, ainda, uma formação polivalente, com oficinas de informática, língua estrangeira, teatro e segurança dos alimentos.

 

Concluindo o curso, o aluno estará habilitado para atuar em funções como: assistente de cozinha, garçom, monitor de atrativos turísticos, recepção, camareira, mensageiro, entre outros cargos voltados ao setor turístico.

 

O projeto também conta com o apoio da Fundação Parque Tecnológico Itaipu, Itaipu Binacional, Prefeitura Municipal, Secretaria de Turismo, Secretaria de Ação Social, Comtur, Foztrans, Expresso Cidade Foz, Irmãos Rafagnin, Viação Itaipu e Transbalan, além de outras instituições e empresas da cidade que são parceiras oferecendo espaços para realização de aulas práticas, para organização de eventos do curso e contratando jovens capacitados pelo projeto.

 

Para pré-inscrição: É obrigatória a apresentação do RG ou cópia.

 

Conheça as etapas de seleção: Pré-inscrição | Palestra de esclarecimento + Inscrição | Dinâmica de grupo | Entrevista individual; Convocação dos selecionados.

 

Inscrições online:Nos pontos Vote Cataratas | www.poloiguassu.org | www.educarefoz.com.br | Mais informações: 3520-5846/6976 ou trilhajovemfoz@pti.org.br | www.itaipu.gov.br

 

 

Projeto Excelência em Serviços

Projeto Excelência em Serviços - Foz do Iguaçu

O Projeto Trilha Jovem nasceu de uma proposta curricular desenvolvida, em 2001, pela Germinal Consultoria para o Instituto de Hospitalidade (IH), de Salvador, na Bahia.

 

Essa primeira versão foi alterada pelo IH nas primeiras implementações, em 2004. Depois, em 2006, a versão original e a inicialmente implementada foram fundidas na versão atual, que ganhou dimensão nacional. A Germinal contribuiu nesse trabalho.

 

A partir da crítica, sistematização, reformulação e ampliação dos planos de aula utilizados nas primeiras implementações, a Germinal criou também as Referências para a Ação Docente (Eixos I, II e III), que são manuais que apresentam sugestão, passo a passo, de desenvolvimento de todas as unidades curriculares do Projeto. As Referências para a Ação Docente facilitam e são fundamentais na manutenção da qualidade  da expansão nacional do Projeto.

 

Variações Criativas na Dinâmica de Grupo (Aprendizagem criativa / A análise – III) 10 10UTC fevereiro 10UTC 2009

 

 

Em uma série de posts anteriores temos procurado explicitar as caracaterísticas de uma abordagem educacional possivelmente inovadora que denominamos de Aprendizagem Criativa. Dela já postamos as características gerais, a metodologia e algumas de suas linhas e passos metodológicos. Os links a seguir permitem o acesso aos posts anteriores, na ordem lógica da apresentação, que estamos desenvolvendo em capítulos:

 

1. Aprendizagem Criativa

2. Aprendizagem Criativa – Metodologia

3. Aprendizagem Criativa – Focalização e simbolização

4. Aprendizagem Criativa – A amplificação

5. Aprendizagem Criativa – A análise (I) – falar e ouvir

6. Aprendizagem Criativa – A análise (II) – o grupo-sujeito

 

Além desses textos mais teóricos, postamos dois artigos sobre aplicaçações metodológicas:

1. Dinâmica de apresentação (Grupo-sujeito)

2. Falar e ouvir

 

 

Neste post vamos continuar descrevendo as caracaterísitcas da fase de Análise na Aprendizagem Criativa.

 

Variações Criativas na Dinâmica de Grupos

Andrew Bains - Escultura Humana - foto by Ian Waldie

A análise pode ser o momento menos agradável de uma abordagem que até agora foi lúdica e imaginativa. É o momento em que predomina o exercício da função pensamento (ver Jung). A escola tem usado a função pensamento quase exclusivamente. Então,  a fase de análise pode parecer um retorno à escola convencional e aos métodos ativos mais tradicionais. Em geral, nas escolas que utilizam métodos mais ativos, há uma predominância da discussão em pequenos grupos e de debates em painel, entendido o painel como o momento de apresentação e discussão das conclusões dos pequenos grupos.

 

Já vimos que a análise pode ser criativa quando o grupo assume a coragem de criar suas próprias referências teóricas e inventar seus meios de fazer e praticar (grupo-sujeito). Mas, aqui, a criatividade do educador é também solicitada. É preciso inventar meios de fazer com que a síntese seja invadida pela atuação das outras funções conscientes (percepção, intuição e sentimento). É factível que isso aconteça a partir de dinâmicas grupais mais criativas, que superem a convencional sequência: discussão em pequenos grupos, a apresentação oral das conclusões e debate em painel.

 

Em um primeiro momento podemos modificar e tornar criativa a forma de apresentação das conclusões dos pequenos grupos. Ao mudar a forma de apresentação mudamos também a dinâmica do debate no interior dos pequenos grupos.

 

 

 

A arte pode ser, de novo, um recurso importante nessa etapa. Imagine se os pequenos grupos forem instados a apresentar as suas conclusões sobre  a fase anterior (Amplificação) utilizando uma sequência de esculturas feitas com os corpos dos próprios participantes. Tal desafio mudará radicalmente a dinâmica do trabalho no interior dos pequenos grupos.

 

Além da fala e do pensamento, precisarão usar outras formas de representação e outras funções conscientes. Os corpos alternarão momentos de movimentação com breves “congelamentos” para se tornarem expressivos. Terão que usar a percepção e o sentimento para constatar e avaliar se a apresentação será bela e agradável para o público, em geral composto pelos integrantes dos outros grupos. A intuição será necessária para criar uma unidade na comunicação produzida pela alternância dos momentos de parada e movimentação.

 

O painel também é transformado. Na apresentação dos grupos, a fala  é substituída por uma série de representações artísticas sobre o tema. Todas as funções conscientes são demandadas para acompanhar, compreender, analisar e avaliar as apresentações. A discussão posterior às apresentações também sofre uma transformação. Agora não estamos discutindo sobre conclusões abstratas. As conclusões de cada grupo literalmente se consubstanciaram. Ao fazê-lo, ganham vida e profundidade emocional. O debate é aceso, vivo, quente, pouco burocrático, criativo…

 

É claro que este é apenas um exemplo de inovação da dinâmica dos grupos na fase da Síntese. Em post posterior vamos mostrar um exemplo em que o pensamento é predominante e a dinâmica possibilita a apresentação de conclusões mais verbais e objetivas. Mas, mesmo neste novo exemplo, se mantém a preocupação de tornar a dinâmica agradável e desafiadora e, sempre, de demandar o uso simultâneo das quatro funções conscientes (pensamento, sentimento,percepção e intuição). Até lá!

 

Paulo Freire: Veja pisa na bola de novo 6 06UTC fevereiro 06UTC 2009

 

Em 1968, pela primeira vez, Paulo Freire e a Revista Veja se encontraram. A revista Veja foi criada em 1968 e, de lá para cá, tem aprofundado a sua opção pelos mais ricos. Em 1968, Paulo Freire vivia, exilado, no Chile. Logo depois, foi obrigado a abandonar também o Chile, novamente fugindo de uma revolução de extrema direita. Por aí, já se percebe que o primeiro encontro histórico foi, ao mesmo tempo, o início do distanciamento. 

 

O período de residência no Chile e o ano de 1968 foram muito produtivos na vida de Freire. Reproduzimos, a seguir,  parte de sua biografia, publicada no site do Centro Paulo Freire:

 

“No Chile escreveu seu primeiro livro publicado comercialmente: Educação como prática da liberdade, “uma revisão ampliada” de Educação e atualidade brasileira, a tese com que concorreu à cátedra de História e Filosofia da Educação, na Escola de Belas Artes da Universidade do Recife. Os originais em português da, Pedagogia do Oprimido, foram igualmente escritos no Chile, entre 1967 e 1868 e seriam publicados pela primeira vez em 1970: em inglês, nos Estados Unidos da América (Pedagogy of the oppresed), Nova York, Herder and Herder, e em português, com importante prefácio de Ernani Maria Fiori, Rio de Janeiro, Editora Paz e Terra (Cf. Gadotti, M., Organizador, 1996, p.262).

 

No Chile, foram ainda escritos alguns dos livros de Paulo Freire: Educação e conscientização: extensionsimo rural (em colaboração com Ernani Maria Fiori, José Luiz Fiori e Raul Veloso Farias), CIDOC, Cuernavaca, México, 1968; Contibución al proceso de conscientización del hombre en América Latina, Montevidéu, 1968; Acción cultural para la lidertad, ICIRA, Santiago, 1968; Extensión o comunicación? La conscientización en el medio rural, ICIRA, Santiago, 1969 (Cf. Gadotti, M., Organizador, 1996, p.260-62). Esses livros davam forma a seu discurso no Recife, inclusive ao discurso-base do “método Paulo Freire” e anunciavam sua obra prima: a Pedagogia do Oprimido”.

 

Recentemente, Paulo Freire e Veja voltaram a se encontrar. A iniciativa foi da revista que publicou um texto lamentável. Na edição de 20 de agosto de 2008, a revista Veja publicou a reportagem “O que estão ensinando a ele?” de autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira. No meio da matéria, encontra-se a seguinte “pérola”:

 

“Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado.”

 

Como não podia deixar de ser, o texto provocou a reação de educadores brasileiros. Das reações, selecionamos a da educadora Ana Maria de Araújo Freire:

“Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE — e um dos maiores de toda a história da humanidade –, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

 

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

 

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

 

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do “filósofo” e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

 

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou – que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

 

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu “Norte” e “Bíblia”, esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

 

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

 

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire”.

 

Observação final (minha): A capa da edição de Pedagogia da Autonomia, que ilustra o texto, comemora 450.000 exemplares vendidos. Paulo Freire Vive!

 

Este artigo foi originalmente publicado em Arquivo68.

 

Trilha Jovem – Turismo e Inclusão social 4 04UTC fevereiro 04UTC 2009

 

 

O site do Organização Internacional do Trabalho (OIT) insere o Projeto Trilha Jovem, que contou com a consultoria da Germinal, entre as experiências acompanhadas pelo  Proyecto Prejal- Promoción del Empleo Juvenil en América Latina.

 

Como informa o mesmo site: “PREJAL es un medio para sensibilizar y comprometer la inclusión del objetivo empleo juvenil en las políticas y programas públicos, y colaborar en la elaboración de los planes nacionales de acción sobre el empleo de los jóvenes.”

 

 

 

 

 

Nombre de la experiencia: Trilha Jovem – Turismo e Inclusão social

 

Duración de la experiencia:

 

Inicio y fin (o en ejecución):

 

Inicio: 2004

 

Fecha prevista de finalización: Enero 2009

País /Ciudad: Brasil


Fuente (s) de financiamiento(s): Tiene financiamiento para 2008/ 2009 l Ministerio do Turismo do Brasil: R$ 2.500.000,00; INSTITUTO IBI: R$ 2.280.695,40; CORDAID: R$ 120.000,00

 

Recursos asignados para toda la duración del Programa: R$ 11.798.213,34


Objetivo general: Ampliar a inserção, permanência e ascensão profissional no setor de turismo de jovens de baixa renda, por meio da promoção do autodesenvolvimento de competências básicas nos jovens e do fomento à geração de oportunidades de trabalho.

 

Objetivos específicos:

-Promover nos jovens o autodesenvolvimento de competências básicas para atuar no setor de turismo durante o programa de formação.
-Estabelecer parcerias com empresas do setor de turismo para a geração de oportunidades de trabalho para os jovens, formando mentores nas empresas e acompanhando o desenvolvimento profissional dos jovens.
-Garantir condições para que jovens, selecionados dentre estudantes de escolas públicas, entre 16 e 24 anos e oriundos de famílias com renda familiar de, no máximo, 3 salários mínimos, possam freqüentar o programa de formação de 580 horas.

 

Resultados esperados: 

-Prospectar, selecionar e credenciar instituições educacionais parceiras nos destinos turísticos onde o projeto será executado.
-Capacitar e prover o apoio técnico, administrativo e institucional para as entidades executoras locais dos destinos selecionados.
-Manter a taxa de evasão, durante o programa de formação, abaixo de 10%.
-Garantir postos de trabalho para vivência profissional supervisionada (80 horas) para 100% dos alunos concluintes da formação.
- Proporcionar condições para a inclusão sócio-profissional de, no mínimo, 40% do total de jovens formados.
-Desenvolver e prover tecnologia educacional e de gestão que possibilite uma atuação em rede, nos destinos, de acordo com padrões superiores de qualidade, referenciados por guias e manuais especialmente preparados para o programa.
-Desenvolver mecanismos e estabelecer parcerias que garantam a continuidade do programa, de forma sustentável, nos destinos após sua implantação.

 

Institución responsable: Instituto de Hospitalidade (Salvador)


Requisitos para ser beneficiario: Jovens de 16 a 24 anos, estudantes ou egressos do ensino médio da rede pública, pertencentes a famílias com renda máxima de três salários mínimos.


Resultados obtenidos a la fecha:

• 12 manuais elaborados com base nos processos pedagógicos, de gestão e de comunicação sistematizados pelo projeto;
• 05 entidades executoras locais identificadas e capacitadas dentro da metodologia do Trilha Jovem;
• 40 turmas de 30 jovens cada, beneficiando 1200 jovens nas áreas de Alimentos e Bebidas, Meios de Hospedagem e Viagens e Turismo, com uma duração de 580 horas cada uma, de acordo com a forma de gestão educacional, o currículo, a concepção pedagógica e a metodologia do Trilha Jovem.
• 977 jovens concluíram a formação presencial e estão em processo de encaminhamento para o mercado de trabalho;
• 40 profissionais das equipes técnicas locais capacitados para desenvolvimento dos procedimentos previstos na sistemática de monitoramento e avaliação;
• 180 educadores capacitados com base na metodologia do projeto para atuarem na formação dos jovens;
• 300 horas, aproximadamente, de acompanhamento à distância e assessoria técnica via tecnologia voip e contatos telefônicos.


Instituciones involucradas en cualquiera de sus etapas (diseño y ejecución):

-Parceiros patrocinadores: IYF (International Youth Foundation – Fundação Internacional da Juventude), USAID (United States Agency for International Development), o Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo, e o Instituto Ibi.

-Parceiros institucionais: ABAV (Associação Brasileira de Agência de Viagens), ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) e ABRASEL (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).
-Entidades Executoras Locais: SindRIO – Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes (Rio de Janeiro), Pólo Internacional Iguassu (Foz do Iguaçu), Victoire Consultoria (Porto Alegre), e Colméia Instituição a serviço da juventude (São Paulo).
-Empresas do trade turístico que disponibilizam vagas para os jovens.

 

Vinculo con instituciones públicas rectoras de la temática: O projeto conta com a aprovação do CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes), registro na Delegacia Regional do Trabalho e participação no FETIPA (Fórum de Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Adolescente)


Participación de las organizaciones empresariales y sindicales: O projeto conta com o apoio institucional de associações do trade turístico, como ABAV (Associação Brasileira de Agências de Viagens), ABIH (Associação Brasileira da Indústria Hoteleira) e ABRASEL (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).


Aspectos destacables. Posibles aprendizajes:

• Importância do perfil da entidade executora local para a execução do projeto.
• Necessidade de aperfeiçoar a relação entre a coordenação executiva e EEL, equilibrando os papéis de suporte e monitoramento das ações.
• Garantir que as premissas fundamentais do projeto sejam implantadas sem, contudo, inviabilizar ajustes demandados em função de diferentes contextos sócio-econômicos e culturais.
• Importância do efetivo comprometimento da EEL e da equipe técnica local.
• Importância da EEL perceber e assumir a relevância da atividade turística para o desenvolvimento local.
• Importância de um trabalho de capacitação mais direcionado para a utilização do sistema informatizado e demais estratégias de monitoramento e avaliação.
• Importância da efetiva implantação da Rede Trilha Jovem e do permanente estímulo à troca de experiência entre as equipes dos destinos.
• Importância da sistematização dessa experiência, de forma a contribuir com a replicação de outros projetos voltados para a juventude.

 

Documentos sobre el programa:

-Sistema informatizado: desenvolvido especialmente para gestão de todos os processos e procedimentos envolvidos no desenvolvimento das ações do Trilha Jovem, além de banco de dados para informações relativas aos jovens, às escolas e às empresas.
-Portais de aprendizagem autônoma: material de apoio didático como instrumento para estimular o uso da informática ao longo da formação dos jovens.
- Manual de Seleção e Capacitação de Educadores
- Referências para a Ação Docente – Eixos I, II e III.

-Manual Jovens Recrutamento e seleção
- Manual Jovens Formação
- Manual Jovens Inserção
- Manual Comunicação institucional
- Manual Ações administrativa
- Manual do software
- Manual de Monitoramento e Avaliação

 

Contacto: http://www.hospitalidade.org.br

 

 

  Como em todo relatório, o texto não reflete a realidade atual do Projeto. Como já informamos em outros momentos o Trilha Jovem já foi implementado em Salvador, Fóz do Iguaçu, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo,  Natal, São Luiz, Brasília e Campo Grande. Então, os resutados do Projeto, hoje, são bem mais expressivos que os registrados na publicação da OIT.

 

O Projeto Trilha Jovem nasceu de uma proposta curricular desenvolvida, em 2001, pela Germinal Consultoria para o Instituto de Hospitalidade (IH), de Salvador, na Bahia.

 

Essa primeira versão foi alterada pelo IH nas primeiras implementações, em 2004. Depois, em 2006, a versão original e a inicialmente implementada foram fundidas na versão atual, que ganhou dimensão nacional. A Germinal contribuiu nesse trabalho.

 

A partir da crítica, sistematização, reformulação e ampliação dos planos de aula utilizados nas primeiras implementações, a Germinal criou também as Referências para a Ação Docente (Eixos I, II e III), que são manuais que apresentam sugestão, passo a passo, de desenvolvimento de todas as unidades curriculares do Projeto. As Referências para a Ação Docente facilitam e são fundamentais na manutenção da qualidade  da expansão nacional do Projeto.

 

 
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